Não poderia encerrar a minha participação na Festa da Música do GR sem me referir à divertida relação que existe entre o rock e o mundo do ocultismo.
Segundo reza a lenda, tudo começou com a associação ao satanismo de um dos maiores músicos de blues da década de 30, Robert Johnson. O filme "Crossroads" (A Encruzilhada) aborda superficialmente a história do pacto que Robert Johnson teria feito em troca da sua genialidade musical. Deixo de seguida o excerto do famoso duelo de guitarras de "Crossroads", interpretado magistralmente por um dos mais virtuosos guitarristas de rock da actualidade, o espalhafatoso Steve Vai, que representa no filme uma espécie de demónio da guitarra:
Mas a associação entre o mundo do rock e o ocultismo seria retomada, em força, décadas mais tarde, e direccionada para bandas como Rolling Stones, The Doors, Led Zeppelin, e Beatles. Consta que John Lennon tinha bastante interesse pela obra do famoso mestre do ocultismo, Aleister Crowley*. Fascínio que levou os Beatles a colocarem a figura de Crowley na capa do álbum Sgt. Peppers. Aliás, por Mr.Crowley ser uma figura recorrente em temas rock de sucesso, é também um dos principais responsáveis pela associação que se faz entre o rock e o ocultismo.
Porém, a verdadeira associação, a ser feita, não passaria da tradução musical da obra de alguns dos maiores génios literários da história da humanidade. Assim sendo, não é difícil de detectar a corrente simbolista de Charles Baudelaire na maioria dos temas dos HIM, como em "Poison Girl"; ou recordar os fantásticos contos de Edgar Allan Poe, como "Murders In The Rue Morgue", revisitados por Iron Maiden, ou "The Call of Cthulhu" de H.P. Lovecraft, musicado por Metallica.
Como a partir de amanhã, aqui no GR, a Festa da Música vai dar lugar ao Mês da Poesia, termino com esta brilhante adaptação de, "The Rime of the Ancient Mariner", do poeta Samuel Taylor Coleridge, uma vez mais, na voz de Bruce Dickinson.
*Fernando Pessoa também traduziu para português alguns poemas do famoso ocultista inglês, e Crowley chegou a deslocar-se a Lisboa para conhecer pessoalmente o nosso poeta, com o qual compartilhava o gosto pelo ocultismo.
1 - Iggy Pop é, sem dúvida, um grande ídolo do Rock. Também me inclino mais para a selecção do André, The Passenger. Contudo, nos oitentas, uma banda liderada por uma senhora, Siouxie and the Banshees, também a recriou de uma forma bastante interessante. Aliás, as versões foram marcantes na memória que guardo dos Siouxie, especialmente Dear Prudence e Strange Fruit. 2 - Maria João abre o primeiro festival de jazz de Gaia. Eu nem sempe gosto de Maria João, mas só pelo Cd "Covers" ficará num cantinho do meu coração. Ah, e já ou_viram Maria João e Gilberto Gil falando com Deus? 3 - tantos são os poemas, tantos, e o desconcerto do mundo?
Os bons vi sempre passar No Mundo graves tormentos; E pera mais me espantar, Os maus vi sempre nadar Em mar de contentamentos. Cuidando alcançar assim O bem tão mal ordenado, Fui mau, mas fui castigado. Assim que, só pera mim, Anda o Mundo concertado.
Apesar do respeito que nutro pelos Metallica, e da cicatriz que ganhei no joelho para o resto da minha existência, não foi esse o concerto da minha vida. Aliás, fui assistir ao concerto dos Metallica para ver a banda de suporte dessa digressão, os The Cult.
E a imagem desse espectáculo que ainda guardo religiosamente na minha memória, é a da entrada dos The Cult em palco, e os primeiros acordes de "Wild Hearted Son" com o Sol a pôr-se cuidadosamente por detrás do palco, e a lua a elevar-se após uma respeitosa vénia.