quarta-feira, novembro 26, 2008

Estado providência versus Estado mínimo

As diversas políticas públicas apelam à eficácia, flexibilidade, mobilidade, competência e produtividade dos trabalhadores da função pública*.
A mensagem subliminar é altruísta: as bases terão de ser eficazes e responsabilizadas pela boa gestão do dinheiro público.
A crise é profunda, os dinheiros públicos deverão ser geridos de uma forma saudável e acima de toda a suspeita.
O panorama no topo é algo angustiante**, um exemplo:
- Dias Loureiro é conselheiro de Estado, foi governante e pertenceu a um banco privado recentemente nacionalizado e cujas práticas de gestão parecem altamente discutíveis. Dias Loureiro não quer ser o bode expiatório de uma presidência cuja gestão foi eficaz, eficiente, flexível e altamente produtiva a lesar o Estado e os seus contribuintes (BPN). Dias Loureiro poderá ter razão e ser vítima de sabe-se lá o quê. Não me parece possível ignorar-se o seguinte: para que serão os políticos nomeados para cargos que não exercem, pelo menos com competência? serão os políticos nomeados para esses cargos como forma de compensação do trabalho anteriormente realizado?
A estratégia de gestão do Estado mínimo é cada vez mais evidente:
- Estado mínimo para a maioria, mas quanto à minoria*** mais do mesmo.




* - A avaliação do desempenho é uma das suas fórmulas mágicas. Uma espécie de fórmula científica para legitimar despedimentos.
** - Ciclicamente e mudando a cor da camisola do protagonista.
*** - Políticos e as suas redes de contactos nas diversas áreas da actividade económica.

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domingo, novembro 09, 2008

Um circo decadente*

Ontem fui ao circo.
O palhaço tinha aquele ar de palhaço triste mas só ajeitava disparates, a maior parte dos disparates não tinham graça nenhuma;
A roupa do ilusionista era deprimente tal como a sua cartola preta sem brilho e o seu coelho branco anoréctico;
O domador de leões parecia um daqueles mafiosos d’O Padrinho. Um daqueles que beija a mão a Marlon Brando e a seguir o atraiçoa. O Leão obedece entre a preguiça e a fome.
Os acrobatas voam e de pirueta em pirueta inquietam o peso a mais e o início da decadência atlética;
A menina dos doces exagerou na maquilhagem, disfarça mal a idade, as suturas e a decadência financeira do circo;
O domador de cavalos é o único com futuro, é o símbolo de um certo jogo de faz de conta: entre a juventude, a arrogância, a beleza física e a generosidade.



*"Dizei, minhas filhas - uma vez que queremos despojar-nos do governo, dos territórios e dos cuidados do Estado -, qual de vós me quer mais? (...)
Kent tem de ser rude quando Lear está louco. Que queres fazer, velho? Cuidas acaso que o dever tem medo de falar, quando o poder se curva à lisonja? É honra ser franco se a realeza dá em loucura."
SHAKESPEARE, William (2002). O Rei Lear. Lisboa: editorial Caminho. (tradução de Álvaro Cunhal).

Reflexões avulsas (entre a monarquia e a república):

A decadência da monarquia é complexa, contudo as intrigas políticas e toda a sua parafernália circense envolvendo traições palacianas e mortes anunciadas cavaram a sepultura de um determinado sistema político.

A gula económica, as intrigas políticas, o alheamento da verdadeira finalidade da sua função irão ditar o fim da política conforme a conhecemos.

Os interesses ideológicos cíclicos tresandam a uso indevido tanto dos dinheiros públicos como dos privados.

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sábado, novembro 08, 2008

O mercado é quem mais ordenha

A reacção de determinados políticos ao neoliberalismo (e à fobia da falta de poder) parece estar a tornar-se cada vez mais evidente, num mundo desregulado quem favoreceu oportunidades de desregulação foi quem mais ordenhou.

Mas e então? Como é que tratamos da vidinha?
Hum, boa ideia: Negócios e Políticas Lúdicas;
Hum, boa ideia: Estado e Políticas Lúdicas;
Hum, boa ideia: Instituições financeiras e Políticas Lúdicas;
Hum, boa ideia: Direito e Políticas Lúdicas;
Hum, boa ideia: Jurisdição e Políticas Lúdicas;
Hum, boa ideia: Comunicação Social e Políticas Lúdicas;


O Estado, a política, a economia, a educação, a saúde, a justiça, determinada comunicação social, … são uma espécie de bolo cujas fatias são milimetricamente distribuídas, de forma ideológica e ciclicamente equitativa.

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