- Os capitães de Abril - existem contestações óbvias ao comportamento dos militares do 25 de Abril, contudo é inegável a leitura positiva da sua actuação: a devolução da liberdade à sociedade portuguesa, libertando-a do cinzentismo do Salazarismo e do pensamento único. Contudo a determinada altura tornou-se evidente a perigosidade do seu estreitamento ideológico e as consequências drásticas a que tal poderia ter conduzido;
- Ramalho Eanes - é um militar emblemático e com um valor muito esclarecido acerca do que é a liberdade. É uma das personalidades políticas portuguesas a quem devemos a permanência em liberdade, a sua actuação numa determinada época foi crucial.
- Álvaro Cunhal - Um político sério, autoritário, inteligente, com uma grande capacidade de manipulação, cuja batalha, se tivesse sido ganha, ter-nos-ia conduzido a outra versão do pensamento único, a expressão eufemística: ditadura do proletariado;
- Mário Soares - a sua importância histórica incontornável, a sua empatia com os media, e o consequente endeusamento. Não há ninguém com um poder comunicacional tão histriónico como o ex-presidente da república. Ele consegue dizer as maiores barbaridades e pôr a classe jornalística a salivar de uma forma contemporânea o que me parece extraordinariamente cómico e louvável.
- Sá Carneiro - era um político muito sério e com ideias muito próprias para um determinado Portugal. Sá Carneiro, tal como Cavaco, também conseguiu fintar, muito sub-repticiamente, a classe dos comentadores políticos. Demonstrou à opinião pública que a sua seriedade era extraordinariamente humana, para alguém que até ali tinha veiculado uma imagem fundamentalmente autoritária, constituiu uma revelação.
- Freitas do Amaral - Pelo que eu conheço do seu percurso político, parece-me que estamos perante alguém com valores muito cristãos e humanos. A sua única ideologia é a interiorização da necessidade da tolerância para lidarmos construtivamente uns com os outros. A sua tolerância zero à intolerância é simbolizada, recentemente, através das suas afirmações sobre as caricaturas de Maomé.
- Francisco Louçã - é um político extremamente hábil, inteligente e com uma grande capacidade de manipulação dos media.
- Cavaco Silva - interiorizou a necessidade de uma postura muito séria na política. Está na política com o ideal de serviço público, tendo na mira o sentimento patriótico, tão incomodativo para determinadas ideologias.
- José Sócrates - é um político muito determinado, teimoso e que sabe o que quer. Leu a necessidade de uma postura autoritária e séria na política, contudo comete um erro de avaliação: para se chegar à opinião pública é preciso, acima de tudo, fazer de conta. Sócrates precisa de interiorizar a seriedade como comportamento e a humanidade como atitude. Se tivesse encarado os "problemas" da licenciatura como uma oportunidade de se humanizar, teria calado a oposição, agora está a braços com as graçolas inerentes ao caso e o ruído de fundo que se traduz na seguinte expressão: é nos momentos difíceis que damos a conhecer o nosso carácter.
- Paulo Portas - a interiorização errada de que seriedade (comportamento) se traduz através do populismo (atitude). Se tal atitude resulta nas autarquias, pois o povo continua a fazer o seguinte raciocínio: proximidade, simpatia do presidente = seriedade, num líder político é mortal: pois só em altura de eleições é que o líder político se relaciona de uma forma mais directa com a população, daí que se torne, muito facilmente, alvo de chacota.
Concluo então o seguinte: o fundamental para um político é a capacidade de transmitir um comportamento de seriedade e autoritarismo através de uma certa humanidade, mas, tudo isto a favor de uma única ideologia: o engrandecimento de Portugal.
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