sábado, junho 12, 2010

Bica [Reloaded]

Fotografia: Fernando Machado

Como qualquer outro bairro típico alfacinha que se preze, a Bica é feita de ruelas estreitas, becos escuros, escadinhas encarquilhadas, e as incontornáveis pracetas e calçadas exíguas, desejavelmente, abertas ao sol. O declive íngreme da Bica é atravessado longitudinalmente por dois pares de trilhos metálicos centenários que guiam dois pequenos Eléctricos amarelos da Carris, que se cruzam num vaivém desacertadamente sincronizado, e nos transportam, vagarosamente, entre a Rua de São Paulo e o Largo do Calhariz.

O que me seduz particularmente na Bica é apreensão distinta que se pode ter do bairro: quando descemos a encosta, com o Rio Tejo ao fundo, o bairro expande-se e adquire aquela pigmentação e luminosidade únicas de Lisboa; quando o subimos, em direcção ao Bairro Alto, a Bica circunscreve-se, em tons de cinzento, e são os pequenos pormenores da vida quotidiana das suas gentes que sobressaem.

A Bica é um dos locais mágicos de Lisboa, uma cidade que continua inexplicável pela sua beleza.

Etiquetas: , ,

Partilhar

sábado, junho 23, 2007

não! não é...

O programa semanal da Antena1 da dupla dos «não é?», hoje de manhã, começou com a catalogação do S. João como sendo «a festa mais estúpida do far-west»... Desculpem????!!!!... O senhor «não é» ficou um bocado sem fala perante a perentoridade de tal afirmação – apreciei o engasgo! O proclamador trata então de realçar a estupidez que é o povo sair à rua todo à martelada... Ainda algum silêncio diplomático da outra parte e uma indignação crescente do lado de cá do aparelho... Esclarece ainda que diz isto de forma carinhosa... Sustive a vontade de exteriorizar o que sentia violentamente sobre o rádio. Fiquei a pensar... ... ... Não! No estado interior que eu já estava, «a festa mais estúpida do far-west» não é carinhoso! Ouvi o resto do programa de pé atrás e até os «não é?» me voltaram a incomodar solenemente...

'arago, p´ró 'arago... Bibó, S. Juom!

Etiquetas: , ,

Partilhar

quarta-feira, junho 13, 2007

Trazes a rosa na mão

Chamam-te boa, e o sentido
Não é bem o que eu supunha.
Boa não é apelido:
É, quanto muito, alcunha.


Fernando Pessoa, Trazes a rosa na mão, in Quadras Populares, Assírio & Alvim, Lisboa, 1999, pág 43

Etiquetas: , , , ,

Partilhar