quarta-feira, agosto 29, 2007

Slows


1- Chegar ao Sul é agora mais rápido. A auto-estrada arrepia caminho ali para os lados de Santarém, poupam-se quilómetros e a passagem pela capital, o que é sempre agradável para uma provinciana convicta.

2 - O Sul está com a cara um pouco mais lavada. Mas permanece o convívio notável entre o caravanista selvagem e o porsche último modelo. Que belo carro! Agora já se vão vendo rapazinhos novos embelezando tanto cavalo.

3 - Os caravanistas selvagens assentaram arraiais, uma vez mais, na praia do Forte Novo. Uma refeição decente convive alegremente com o pó dos automóveis. Serão especiarias?

4 - Este ano o meu Algarve estava pejado de espanhóis e italianos, entre ingleses, alemães e alguns portugueses.

5 - O céu do meu Algarve conviveu com a melhor poesia publicitária. Apenas um pequeno problema e radical: as cores.

6 - A praça do peixe de Quarteira está cada vez mais elitista.

7 - O excremento de cãozinho associou-se à calçadinha portuguesa.

8 - Consegui alugar diariamente 4 a 5 m2 de areal, um luxo.

9 - As bolas de Berlim (sem creme), a bolacha americana e os mirones um brinde apetitoso.

10 - A praia das praias é uma ilha. O senhor que vende sonhos resolveu concessionar uma área e empobreceu o areal com chapéus de palhinha, um bar a lembrar um barco pós moderno e uns sofás enormes e brancos aos pés do mar. Meus caros aquela água é um céu. Localidade: Santa Luzia. Ilha. Vai-se de barco e comprometemo-nos com o sol. Um verdadeiro luxo nos tempos que vão correndo. Aproveitem enquanto a brigada dos costumes não resolver invadir as praias e tocar a trombeta anunciando aos incautos a hora do recolher obrigatório.

11 - O Bom, o mau e o vilão. Um Sergio Leone de eleição. Clint no seu melhor. O velho Oeste com as suas traições, malandragens e vinganças. A banda sonora andará por aí?

A foto é da Exma Senhora Dona (agora exige que eu a trate assim) Sony Cyber-shot. Este ano as variações de humor foram bastante mais constantes. Segredou-me: é da idade, já não temos pachorra para nos aturar... Acho que anda um pouco deprimida.

Etiquetas: , , ,

Partilhar

terça-feira, maio 22, 2007

Clint Eastwood

Hoje, se há realizador capaz de fazer brilhantes filmes em série, ele chama-se Clint Eastwood. Há algo no seu mister que transforma tudo aquilo que realiza em monumentos ao cinema. A fórmula parece simples: tem predilecção por cenas simbólicas, épicas, jogos de sombra/luz, os protagonistas não são heróis que salvam meio mundo, mas apenas pessoas, com algumas forças e imensas fragilidades. Embora não representando o estereótipo de herói, existem quase sempre três qualidades nos actores principais: a dignidade de jogar limpo, a honra de saber perder e a fleuma de saber ganhar.

Um dos aspectos que tem vindo a ganhar importância na indústria do cinema é o argumento do filme. Para se ter uma ideia do que afirmo, basta constatar que há algumas décadas o Óscar para Melhor Argumento era entregue ainda a cerimónia ia a meio, no meio dos chamados Óscares técnicos: sonoplastia, efeitos especiais, guarda-roupa, etc. Actualmente, é o antepenúltimo a ser entregue, imediatamente antes da estatueta para Melhor Filme e Melhor Realizador. Além disso, os bons argumentistas são tão disputados como as grandes estrelas ou os bons realizadores.
Clint Eastwood ancora sempre os seus filmes a memoráveis estórias. Argumentos bem engendrados, simples, com aquela moral de que a vida dói sempre, mesmo aos mais audazes. Filma permanentemente com uma aura de melancolia, de pessoas que já viveram os seus quinze minutos de fama, não da fama vã, mas daquele momento único que acontece quando realizamos um sonho. E é isso que Clint Eastwood essencialmente é: um realizador de sonhos.

Etiquetas: ,

Partilhar