sexta-feira, outubro 19, 2007

Fé e Ciência

Interessa-me muito mais a perspectiva filosófica de olhar o mundo e a nossa relação com ele, do que as perspectivas da fé e da ciência. Ambas vivem demasiado encerradas nas suas explicações e tendem a tornar-se ridículas, pois as posições mais extremas tendem a olhar para a realidade na sua perspectiva e não questionando a possibilidade de estarem erradas.
Compreendo, tanto para a ciência como para a fé, é inquestionável a crença absoluta na sua relação com o mundo, pois caso fosse questionável tais certezas seriam abaladas, a chamada crise de fé. E quem se encontra na posição de crise deverá encontrar-se antes ou depois da certeza.
Concluindo, compreendo a necessidade de tanto num caso, como noutro, não se questionar a resposta da sua relação com o mundo.
Não compreendo é a perspectiva de não ser claro, que aquela é apenas uma das respostas possíveis.
Ok, aceito se argumentarem que afinal esta também é uma perspectiva que se encerra dentro de si mesma.

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quarta-feira, setembro 26, 2007

O mundo da ciência é composto por seres "relativamente" humanos

Ontem ouvi apenas os minutos finais de uma entrevista a "João Magueijo", físico teórico português que se doutorou em Inglaterra e cuja obra "Mais Rápido do que a Luz" foi o motivo da conversa com Carlos Vaz Marques.

Uma entrevista muito polémica.

Principalmente porque o mundo da ciência era, para mim, criativo, inventivo, aventureiro, inquiridor.

Como deveria ser o mundo extra: pessoas que debatem, argumentam e discutem ideias.

Contudo, ao que parece, o ambiente da ciência também possui as suas "brigadas dos costumes".

O que afinal não é de estranhar.

Enfim, o mundo da ciência também é composto por seres "relativamente" humanos.

Ideias, pertinentes, veiculadas por Magueijo:

os cientistas portugueses que estão no estrangeiro a investigar, estão a ser aliciados para trabalharem em Portugal. É ingenuidade da parte deles. Chegam cá e deixam de fazer ciência.

Motivos:
- carga horária das aulas, afinal em Portugal as Universidades pensam que os alunos saem mais inteligentes da faculdade se forem "massacrados" com um vasto currículo disciplinar.
- falta de grupos de discussão. Fazer ciência pressupõe discussão de ideias.
- burocratas da ciência, "cientistas" que por falta de grupos de discussão, ambiente científico, etc, deixaram de fazer ciência.
- fazer ciência é, acima de tudo, discutir/dialogar sobre teorias.

Segundo o físico teórico português,

e de uma forma geral, há censura no meio científico . 10.000(?) exemplares da sua obra foram retirados do mercado, em Inglaterra, e "queimados". A nova versão foi reescrita por juristas (?). A versão inglesa é diferente da americana;

há demasiados burocratas/políticos na ciência, estes sobrevivem à custa de assistentes. Contudo, o nome do burocrata, devido à sua movimentação política, é sinónimo de aprovação de projectos. O problema é que os burocratas da ciência são uma força de bloqueio;

hoje em dia a discussão relevante da ciência acontece na Internet. A publicação de artigos nas revistas científicas é apenas uma garantia de prestígio "curricular" e, mais uma vez, para aprovação de projectos.

Traduzindo:
Quem pretenda saber novidades acerca da ciência e, para não andar apenas a debitar lugares comuns, o melhor que tem a fazer é pesquisar na Internet.

Fotografia

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