sexta-feira, outubro 19, 2007

Fé e Ciência

Interessa-me muito mais a perspectiva filosófica de olhar o mundo e a nossa relação com ele, do que as perspectivas da fé e da ciência. Ambas vivem demasiado encerradas nas suas explicações e tendem a tornar-se ridículas, pois as posições mais extremas tendem a olhar para a realidade na sua perspectiva e não questionando a possibilidade de estarem erradas.
Compreendo, tanto para a ciência como para a fé, é inquestionável a crença absoluta na sua relação com o mundo, pois caso fosse questionável tais certezas seriam abaladas, a chamada crise de fé. E quem se encontra na posição de crise deverá encontrar-se antes ou depois da certeza.
Concluindo, compreendo a necessidade de tanto num caso, como noutro, não se questionar a resposta da sua relação com o mundo.
Não compreendo é a perspectiva de não ser claro, que aquela é apenas uma das respostas possíveis.
Ok, aceito se argumentarem que afinal esta também é uma perspectiva que se encerra dentro de si mesma.

Etiquetas: , , ,

Partilhar

O sentido da vida - uma resposta filosófica


«(...) Mesmo que a vida como um todo não faça sentido, talvez isso não seja preocupante. Talvez consigamos reconhecê-lo e continuar pura e simplesmente como antes. O truque consiste em manter os olhos no que está à nossa frente e permitir que as justificações cheguem a um fim no domínio interior da tua vida e no domínio interior da vida das outras pessoas a quem estás ligado. Se alguma vez te puseres a questão «mas qual é a finalidade absoluta de estar vivo?» - tendo uma vida de estudante, ou de empregado de bar, ou do que quer que sejas -, responderás: «Não há finalidade. Não faria qualquer diferença se nem sequer existisse ou não me preocupasse com nada. Mas preocupo-me e existo. E é tudo.»
Algumas pessoas acham que esta atitude é perfeitamente satisfatória. Outras acham que é deprimente, ainda que inevitável. Parte do problema reside no facto de alguns terem uma tendência incurável de se levarem a sério. Queremos ser importantes para nós mesmos «a partir do exterior». Se as nossas vidas como um todo parecem não ter finalidade, então uma parte de nós fica insatisfeita - aquela parte que está sempre a olhar por cima dos nossos ombros para ver o que estamos a fazer. Muitos esforços humanos, em particular os que são realizados ao serviço de ambições sérias, em vez de serem ao serviço do conforto e da sobrevivência, adquirem alguma da sua energia a partir do sentido da importância - o sentido de que aquilo que estás a fazer não é importante apenas para ti, mas é importante num sentido mais vasto: importante simplesmente. Se tivermos de desistir disto, podemos ficar ameaçados de perdermos o chão debaixo dos pés. Se a vida não é real, se não é séria, e o túmulo é o seu objectivo, talvez seja ridículo levarmo-nos tão a sério. Por outro lado, se não conseguimos evitar levar-nos tão a sério, talvez tenhamos, pura e simplesmente, de aceitar o facto de sermos ridículos. A vida pode não só não ter sentido, como também ser absurda.» p.91-92

NAGEL, Thomas, Que Quer Dizer Tudo Isto? Uma Iniciação à Filosofia, Lisboa, ed. Gradiva, col. Filosofia Aberta, 1995, p. 92

Etiquetas: , ,

Partilhar