segunda-feira, maio 03, 2010

Secularização?

O distinto professor é especialista em tragédia grega, o outro distinto professor é especialista no dogma matemático, o senhor do meio é especialista em liberdade de expressão.
Encontram-se no santuário num dia de quase final de semana, à noite, e desenvolvem o sermão do momento.
A Bíblia convenientemente colocada na mão esquerda, ladeados por um altar magnificamente adornado, ao fundo o cálice sagrado.
Suas santidades alertam-nos para a decadência do império de Deus e entregam-nos de mão beijada a sua verdade relevada, única e irreversível.
O Seu Deus chama-se objectividade e neutralidade científica e tal como o Deus de outros é a solução definitiva, a derradeira oportunidade de sermos desviados do mau caminho.
Os digníssimos representantes da Igreja ortodoxa não se aperceberam das fissuras no templo e no seu longo sono dogmático também não se aperceberam que existiam ofertas mais atractivas no mercado.
Os veneráveis sacerdotes frequentaram uma determinada ortodoxia, não há mal nenhum nisso, há sempre ciência, saber e verdade colocadas ao serviço de sumidades de circunstância, eleitas pela objectividade e neutralidade científica dos media, das academias, das ideologias, enfim tantas as ofertas quanto as necessidades construídas (e a construir) no mercado.

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terça-feira, fevereiro 03, 2009

É uma sorte para quem está no poder que as pessoas não pensem*

Há vários factores explicativos da permanente desconfiança com que analiso os media de um forma geral. Entre a informação/desinformação/propaganda a linha é verdadeiramente ténue. O que não me impede de perceber que há jornalistas cuja postura ética é irrepreensível, desde que a doutrina ideológica não lhes "empalhe" o espírito, infelizmente ao longo de vários casos manufacturados ou não há sempre quem confunda compromisso ideológico com parcialidade noticiosa. Esse é um dos grandes males do jornalismo contemporâneo, para além de outros.
Há certos exemplos noticiosos: - caso da pedofilia, - caso licenciatura Sócrates; - caso BPN; - caso BPP; - caso Operação Furacão; - caso Noite Branca; - caso Freeport; cujo modelo de comportamento foi o seguinte:

- injecção maciça de informação e desinformação, intervenção dos tribunais; desadequação entre a criação monstruosa de desinformação e informação e sentença dos tribunais (devido à irrealidade do tribunal manufacturado pela comunicação social?). Entre a criação/manufactura de notícias, a realidade das intrigas/corrupção no seio do poder, o desejo de poder das oposições, a ?ineficácia? de estruturas de apoio ao poder (juízes, polícia judiciária, escritórios de advogados, entre outros) amplamente coniventes com determinada estratificação social e ?ineficiente? contra as novas realidades da criminalidade e os múltiplos interesses envolvidos, nomeadamente de propaganda e contra propaganda, é muito difícil pensar de forma crítica e substancial, tal como é muito difícil percebermos se a apologia da ineficácia é apenas uma forma eficaz de traduzir uma estrutura eficientemente manufacturada.
Daí que nos tempos que correm quem lê jornais tem alguma dificuldade em interpretar correctamente a informação. Essa dificuldade advém-lhe da certeza de que algures por ali há uma fonte anónima interessada em fabricar/propangadear uma certa realidade.
Contudo, é real o seguinte contexto: ao mesmo tempo que jornalistas com alguma postura ética tentam lutar contra a maré, outros jornalistas tentam garantir a sua sobrevivência económica (os contratos a prazo são lixados p’rá ética, pá). Entre uns e outros existem actores interessados na situação caótica em que vivemos e que se transformam em vítimas reais e fictícias e manipulam e propagandeiam a sua mentira.
Em relação ao caso Freeport o povo português só pretende que José Sócrates lhe explique o seguinte:
- a razão do seu ministério ter transformado (em dias) uma área protegida numa área altamente especulativa.
Quanto à conversa sobre o tio, primo, mãe, poderes ocultos, entre outro ruído de fundo? Santa paciência!

*Adolf Hitler

Livro de cabeceira:
CHOMSKY, Noam (2008). Cartas de Lexington: Reflexões sobre propaganda. Mangualde: edições pedagogo.
(Visão crítica do papel dos media na sociedade actual e a sua indústria de 'manufactura do consentimento', imprescindível!)

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sexta-feira, janeiro 30, 2009

Democracia implodindo despautério

Dona Melancia -Meu bem, 'cê já viu o quanto a rainha é nossa inquestionável aliada?
Dom Melão - Benzinho, os policiais apenas estão fazendo seu trabalho.
Dona Melancia - Meu bem, 'cê não vê estranhidade nessa de polícia inglesa meter tanto bedelho em Portugal?
Dom Melão - Benzinho, 'cê sabe o quanto português é incompetente né?
Dona Melancia - Meu bem, 'cê tem razão Inglaterra nunca teve primeiro ministro em desdizer jornalístico. Aliás jornalinho inglês até gera desconhecido sensacional em maquiavelismo, tudo em prole de suas acções desvalorizada.
Dom Melão - Benzinho, qual será o futuro da democracia?
Dona Melancia - Meu bem, democracia é um sistema de estratificação social e como todos os outro qualquer dia implodirá.

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