terça-feira, julho 10, 2007

Munich

Escrever sobre um lugar que não se conhece é sempre mais estimulante que escrever acerca de um sítio que já se visitou. Por vezes, o conhecimento coarcta a imaginação. Somos tentados a descrever em vez de escrever, e para isso já existem os guias de viagem. Não conhecendo eu o Neuschwanstein, não tive dificuldade nenhuma em “defendê-lo”. Fiz a pesquisa que achei necessária para não cair em nenhum erro factual, e para melhor sustentar aquilo que já dele sabia. O castelo está implementado na região da Baviera, que visitarei pela primeira vez em Setembro, aquando de uma viagem a Munique.






Estarei por lá numa altura em que se realizará a Oktoberfest, talvez a maior festa de cerveja do mundo, que, como se sabe, é a oitava maravilha da Humanidade. O desejo deste destino e não de outro surgiu na minha infância. Comecei muito cedo a ouvir falar da Baviera, por ser o importador oficial dos BMW’s, passe a publicidade, e de Munique, por causa da equipa de futebol lá do sítio. Um dia, o meu pai já cansado de me ouvir perguntar onde ficava essa região e, mais insistentemente, a pedir-lhe para ver o lugar, lá me ofereceu um livro sobre a Alemanha. Aquilo que, talvez para a paciência de santo do meu pai, foi a forma de acabar com a minha curiosidade, para mim foi o alimento ideal para o bichinho.


No entanto, os anos foram passando, a memória esmorecendo e a oportunidade adiada. Até que, recentemente, dois «eventos» culturais tiraram do sótão da memória a curiosidade esquecida: um filme e uma música. O filme chama-se, naturalmente, Munich, é de Steven Spielberg, e que, talvez por não mostrar grandes planos da cidade me fez imaginar como ela seria. Mas é à música que cabe grande parte da culpa de ter reavivado um sonho de infância: primeiro, porque surgiu antes do filme e, portanto, quem primeiramente reanimou a memória desse tal desejo; depois, porque gosto da banda e da forma como a interpreta, e estas afinidades podem sempre levar a fazer algo mais por uma canção do que simplesmente comprar o disco; finalmente, porque a canção tem dois versos e uma verdade que me fariam ir ao fim do mundo para conhecer o objecto de inspiração deles:

People are fragile things, you should know by now
Be careful what you put them through
Munich - Editors



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