terça-feira, outubro 02, 2007

A monarquia e o povo

Já o disse anteriormente sou uma simpatizante confessa da democracia. A monarquia não me diz absolutamente nada. Apesar de não defender a eliminação física como forma de reconversão histórica.
Esta mensagem é em louvor, portanto, da democracia e da existência de um governo legitimado pelos habitantes de um país.
Considero, bastante ridículo, pressupor-se que alguém é apto para governar porque pertence a determinada família, apesar de compreender que essa aptidão lhe vem, principalmente, do treino e da educação a que será submetido ao longo da sua infância e da adolescência.
O herdeiro de um trono é alguém que possui determinado tipo de sangue - normalmente o mais raro e mais incompatível, daí a sua preferida também ser possuidora de uma certa consanguinidade, enfim, o tipo de sangue é fundamentalmente importante para a preservação da raridade sanguínea -, determinado tipo de educação - "algumas" normas de etiqueta, apesar do berço made in primus inter pares -, determinado tipo de actuação - como fingir que se governa um país ingovernável, por exemplo-, e, acima de tudo, determinado tipo de diplomacia - como receber os outros, em sua casa, e demonstrar ao mundo que não se deseja: ser como, conspirar contra, economizar em geral, politizar sobre os pares, politizar em si e "desrelacionar-se" com -.
Sinceramente, penso que esta forma profissional de olhar para a governação é bastante enriquecedora. A família investe num indivíduo e ele devolve capacidade de governo. É claro que o varão não poderá dizer: não quero governar! A liberdade individual é um tanto limitada, mas, existe maior liberdade do que nascer para motivar os outros, ainda por cima para executar?
Apesar deste cenário ser enternecedor, eu, que não tenho determinado tipo de sangue, jamais poderia ascender a uma tal educação e é apenas um motivo educativo que me leva a menosprezar a monarquia. Prefiro defender uma opção governativa que me inclua nos possivelmente "educáveis", daí, também ser, por razões puramente democráticas, defensora da "educação" ao longo da vida.
E são estas as razões que me levam a defender Menezes contra Marques Mendes. É que do lado do segundo vejo, em bicos de pés, "nobres" demasiado ansiosos para "educar", mas apenas os seus varões.

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sábado, setembro 29, 2007

Diz o roto ao nu

Mário Bettencourt Resendes, com aquele ar de pessoa que quer parecer muito séria e muito independente que caracteriza todos os soaristas “encapotados” na comunicação social, “alertava” na SIC para a possibilidade de Menezes ter alguns pontos fracos que podem ser explorados com bastante facilidade por Sócrates. Enquanto se referia aos ditos [pontos fracos], deixou escapar uns sorrisinhos de satisfação – é compreensível, é mais forte do que ele. E eu não consegui evitar de dar umas boas gargalhadas enquanto ele os referia – igualmente compreensível, também é mais forte do que eu.

Comecei logo a imaginar um debate, em 2009, entre o actual primeiro-ministro e Menezes, em directo num canal aberto, com Sócrates cheio de confiança e com os olhos semicerrados [problemas com as lentes] a questionar Menezes: «Mas afinal qual é a sua posição sobre a Ota Dr. Menezes? É que eu, assim como os portugueses que nos estão a ver neste momento, ainda não a conseguimos entender. Tal como ninguém entende se é a favor ou contra a baixa de impostos anunciada este ano pelo meu governo. Provavelmente mudou mais uma vez de opinião». E o "pobre" Menezes, muito atrapalhado, envergonhado e acabrunhado a responder: «Provavelmente o Sr. Primeiro-ministro deve pensar que é a única pessoa neste país com direito a mudar de opinião e, mais grave, que pode prometer uma coisa hoje e fazer exactamente o contrário amanhã…»

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E agora espero que cumpra a promessa...

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