domingo, junho 29, 2008

eu ainda sou do tempo...

Entram os alunos pela sala na conversa do costume. Mas desta vez a conversa chega até mim:

- S'tôra, já reparou que nunca são atribuídos 2 pontos?... Há 0 pontos para a derrota, 1 ponto para o empate e 3 pontos para vitória... A viória devia valer 2.

- Antes era assim!

- Era???!!!

- Sim, até há uns anos atrás a vitória só valia 2 pontos.

- ... [espanto absoluto!]

- Não sabiam?! [espanto meu!] Eu ainda sou do tempo em que a vitória valia 2 pontos!

- Mas então porque é que mudaram?!

- Para valorizar o ataque, para evitar aqueles jogos em que as equipas jogam apenas para o empate. Assim, têm mais a ganhar.

- Ah...

E, de repente, a conversa animada da indignação do início da aula emudeceu meia desconfiada, meia resignada... E eu, meia orgulhosa, meia melancólica, fui-me sentindo parte da História...

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quarta-feira, outubro 10, 2007

Os "oitenta"

Advertência: este post só será inteiramente entendido pelo grupo etário 30/45
Se há uma característica genérica à música dos anos 80 é que ela tinha sempre algo de muito bom e algo de muito mau. Comecemos pelo mau. O excessivo uso de sintetizadores/electrónica: havia grupos que tinham guitarras eléctricas, normais, mas que faziam questão de pôr os sintetizadores, normalmente com dois ou três pisos, alinhados em L, a fazer os sons da mesma guitarra. E depois, já se sabe, vinha aquele som que parecia que o amplificador da guitarra estava abafado dentro de água aos soluços. Os telediscos eram inundados por um êxtase cromático, berrante, no limiar da alucinação, as mulheres usavam sempre franjinha e dançavam de forma estranha, para não dizer mesmo muito mal, e os homens cantavam em falsete e muito mal dançavam. Ambos vestiam-se como, vamos ser meiguinhos, broncos: homens com jeans apertados e camisas de alças, mulheres com blusões de couro sobre blusas brancas com os necessários botões desapertados para se vislumbrar uma centelha das...bem, o caro leitor sabe do que falo.
Depois a parte boa. A música, a despeito da electrónica, era sempre baseada numa linha melódica forte, que entrava facilmente no ouvido, e tinha bons beats, que dava para a pista de dança. Aliás, esta característica, a presença de um beat forte que dê para a disco, está a ser recuperada pelas bandas de pop/rock emergentes, de onde destaco os Bloc Party, para tornearem a dificuldade que o instrumento rei do rock, a guitarra, tem em conseguir um bom ritmo. Mas voltemos aos 80's. As letras: gostava, e gosto, de muitas das letras dessa época. Têm um travo agridoce, uma melancolia suave e uma nostalgia assumida que as tornam inesquecíveis. Exemplifico com o "Forever Young" dos Alphaville, o "Hunting High and Low", dos Ah-a, "True Faith", dos New Order (no video abaixo, uma das minhas favoritas).
Se retirarmos algum kitsch, a encenação com demasiado pathos ou o modo como certos arranjos eram feitos, com mais tecnologia do que uma central nuclear, e nos basearmos no essencial da música - a melodia, o ritmo e a letra - os anos oitenta foram excelentes. Basta ter ouvido para escutar para além do sintetizador.
PS: Uma confissão: este post foi feito muito "por culpa" de um blogger chamado "Tarzanboy", que mantém um blog com a bonita idade de quatro anos, onde se dedica a saber por onde andam hoje os heróis musicais dos anos oitenta. É muito bem escrito, actualizado com bastante regularidade, e tem aquela pontinha de humor que cai bem em qualquer texto. Convido-vos a visitá-lo no dear 80's.

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