terça-feira, novembro 10, 2009

ruas da amargura...

"Ruas da Amargura" é um filme/documentário português sobre a pobreza e os sem abrigo nas ruas de Lisboa, em exibição em circuito comercial apenas em cinco cinemas.

Não é a história do coitadinho, não é uma lição de moral... São, acima de tudo e antes de mais, pessoas! Pessoas com vidas e vidas com pessoas. Histórias, percursos, vivências, reflexões. Vidas que se tranformaram de diferentes formas, que reconhecem o seu percurso, que o assumem e que tentam (ou não) retomar trilhos perdidos...

Dá que pensar a frontalidade com que são assumidas as opções, a consciência de caminhos tomados, a lucidez esclarecida dos pensamentos...

O trailer está disponível no YouTube, mas, pessoalmente, não acho que seja um bom reflexo ou apresentação do filme. O trailer parece a montra do pobrezinho ou o desfile das desgraças. O filme vai muito além disso pois torna-nos familiares desses "coitadinhos" do trailer que afinal têm vida e histórias de vida.

Queria deixar-vos com "La Bohème" - porque sim! vejam o filme! - e nas buscas de um vídeo encontrei uma versão nossa, pela fadista por Mafalda Arnauth. No entanto, não a consigo publicar aqui, por isso ouçam no imeem.

cartaz

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quinta-feira, abril 17, 2008

Canal Memória

Nos anos oitenta assisti, serenamente, à morte de um dos maiores sportinguistas que eu conheci.
Lembro-me de assistir a provocações intermináveis entre ele e um benfiquista, também falecido na década de 80.
O fanatismo de um e de outro era tão agressivo que, sem nunca se terem agredido fisicamente, experimentaram longos períodos de arrelia e acabrunhamento.
Eram duas velhas raposas matreiras e arranjavam sempre uma desculpa inefável para regressarem à sua actividade preferida: provocação mútua.
Como as querelas tinham sempre como pano de fundo o resultado desportivo do benfica ou do sporting, as segundas-feiras e/ou quintas-feiras eram sempre bastante animadas.
Anos a fio os ouvi: resmungando, vociferando, agredindo-se verbalmente e ameaçando nunca mais falar com um pérfido indivíduo, um fulano que não sabe ver o óbvio, a cegueira, compra ou mal das vísceras, de um certo árbitro.
Jamais ousei rir perante tais diálogos, umas vezes mais criativos que outros, mas sorri demasiadas vezes.
Hoje, se fossem vivos, estaria um extremamente contente e outro a espumar de raiva.
Dedico-lhes esta mensagem, não sem uma ligeira dúvida, se por algum motivo existe vida para além da morte, talvez eles estejam, neste preciso momento, a rirem-se à gargalhada, mas de mim.


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