terça-feira, abril 22, 2008

Manuela, a desejada

Ontem na RTP, António Vitorino (AV) apontava Manuela Ferreira Leite como uma má opção para a liderança do PSD, a razão é, aparentemente, simples: Manuela Ferreira Leite está demasiado próxima de Cavaco Silva. AV se fosse do PSD optaria por Marcelo Rebelo de Sousa. Efectivamente, a razão de AV tem emoções que só o seu coração desconhece.

Manuela Ferreira Leite tem virtudes capitais para as elites do PSD: autoridade, seriedade e cinzentismo. As elites do PSD não se revêem na imagem copy/paste Sarkozy, de Luís Filipe Menezes. Quem pretender aceder a líder do PSD há, pelo menos, dois pecados mortais que não deve cometer: - ser uma "picareta" falante; - andar acompanhado de gente ostensivamente 'sedenta' de poder.

O PSD (como qualquer outro partido) é, de uma forma geral, constituído por gente ligeiramente e/ou ostensivamente sedenta de poder.

E Portugal é conhecido pela qualidade das suas águas minerais.

Manuela Ferreira Leite tem um pequeno problema: transmite uma imagem de mulher que não é consonante com os tempos, Thatcher já foi. A governante europeia actual é a Chanceler Merkel, ou as ministras de Espanha, mulheres com imagens bastante mais vivas.

Não me parece que a adequação da imagem de um líder aos tempos, seja algo com o qual as elites do PSD pactuem.

As elites do PSD, não cultivam, por acaso, o seu senso comum. Pois é algo que lhes permite a "eternização" na liderança. Ao longo dos tempos, o discurso das elites do PSD é sempre o de "minar" a credibilidade dos que não têm as três virtudes capitais. Apesar da palavra "minar" ser apenas um eufemismo, a comunicação social apenas fornece pistas.

Ironicamente, minando a credibilidade dos líderes passageiros, o PSD ajuda a minar a democracia e é este o sistema político que lhe garante a alternância no poder.

As elites pressionam MFL a candidatar-se, o raciocínio é, aparentemente, simples: a única pessoa que travará Menezes é a ex-ministra de educação.

Mas MFL, a esta hora, debate-se com perguntas algo traumáticas.

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sexta-feira, janeiro 25, 2008

Preconceito[s]


















Fotografia: Arquivo GR

Hoje de manhã, na minha habitual pausa das dez e picos [para um cafezinho e um cigarro] dei comigo a cogitar: “Será que o meu preconceito [de direita] me está a toldar o discernimento e o actual primeiro-ministro até está a governar bem o país?” [não foram exactamente estas as palavras que pensei, porém, sempre que posso, gosto de utilizar num post expressões como, “cogitar”, “toldar” e “discernimento” – ou outras como “pertinente”, “congeminar” e “exequível”, que vou procurar utilizar lá mais para a frente]
Agora nem sei bem explicar porquê, mas naquele momento pareceu-me uma questão bastante pertinente. Assim sendo, tinha de pôr à prova o meu preconceito. O modo mais eficaz de o testar passaria necessariamente por duas fases. Na primeira, teria de tentar congeminar se de alguma forma seria exequível as políticas do actual governo de “esquerda” serem exactamente a mesmas das de um governo do PSD [com, ou sem PP – é indiferente para o caso]. Depois de meditar vagamente sobre este assunto, concluí [com alguma facilidade] que não seria nada problemático um governo de direita pretender colocar em prática rigorosamente as mesmas políticas do governo José Sócrates. E digo “pretender”, porque, um governo de direita encararia com toda a certeza com muito maiores «forças de bloqueio» do que as que o actual governo de “esquerda” vem deparando.

Ultrapassada com sucesso a primeira fase da minha reflexão, aventurei-me a passar para a premissa seguinte: “Qual seria então a personalidade da direita que melhor interpretaria o papel de José Sócrates?” Bem. Teria de ser alguém do sexo masculino, na casa dos cinquenta, divorciado, com filhos; um homem cuja vida profissional estivesse intimamente ligada à do seu partido e que já tivesse exercido anteriormente funções governativas; com um canudo obtido em condições algo peculiares; alguém que goste de estar rodeado de público e que se movimente bem nos media; um homem de acção, com interesses variados [nenhum em particular]; um tipo que aprecie um bom desafio; que goste mais de falar do que escrever; que seja rápido a decidir, mesmo quando não domina todos os elementos; uma pessoa que despreze os detalhes e que prefira a exploração de novas possibilidades à mera resolução de problemas concretos. E foi assim que encontrei o candidato perfeito.

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