sexta-feira, janeiro 25, 2008

Preconceito[s]


















Fotografia: Arquivo GR

Hoje de manhã, na minha habitual pausa das dez e picos [para um cafezinho e um cigarro] dei comigo a cogitar: “Será que o meu preconceito [de direita] me está a toldar o discernimento e o actual primeiro-ministro até está a governar bem o país?” [não foram exactamente estas as palavras que pensei, porém, sempre que posso, gosto de utilizar num post expressões como, “cogitar”, “toldar” e “discernimento” – ou outras como “pertinente”, “congeminar” e “exequível”, que vou procurar utilizar lá mais para a frente]
Agora nem sei bem explicar porquê, mas naquele momento pareceu-me uma questão bastante pertinente. Assim sendo, tinha de pôr à prova o meu preconceito. O modo mais eficaz de o testar passaria necessariamente por duas fases. Na primeira, teria de tentar congeminar se de alguma forma seria exequível as políticas do actual governo de “esquerda” serem exactamente a mesmas das de um governo do PSD [com, ou sem PP – é indiferente para o caso]. Depois de meditar vagamente sobre este assunto, concluí [com alguma facilidade] que não seria nada problemático um governo de direita pretender colocar em prática rigorosamente as mesmas políticas do governo José Sócrates. E digo “pretender”, porque, um governo de direita encararia com toda a certeza com muito maiores «forças de bloqueio» do que as que o actual governo de “esquerda” vem deparando.

Ultrapassada com sucesso a primeira fase da minha reflexão, aventurei-me a passar para a premissa seguinte: “Qual seria então a personalidade da direita que melhor interpretaria o papel de José Sócrates?” Bem. Teria de ser alguém do sexo masculino, na casa dos cinquenta, divorciado, com filhos; um homem cuja vida profissional estivesse intimamente ligada à do seu partido e que já tivesse exercido anteriormente funções governativas; com um canudo obtido em condições algo peculiares; alguém que goste de estar rodeado de público e que se movimente bem nos media; um homem de acção, com interesses variados [nenhum em particular]; um tipo que aprecie um bom desafio; que goste mais de falar do que escrever; que seja rápido a decidir, mesmo quando não domina todos os elementos; uma pessoa que despreze os detalhes e que prefira a exploração de novas possibilidades à mera resolução de problemas concretos. E foi assim que encontrei o candidato perfeito.

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2 Comments:

Blogger Hélder Franco said...

Acho mal chefe... todo o seu texto apontava para Salazar, mas enfim...

E sim, saí do castigo só para lhe alegrar a sexta-feira à noite.

sexta-feira, janeiro 25, 2008 9:37:00 da tarde  
Blogger leonor said...

Gostei do post

sexta-feira, janeiro 25, 2008 10:17:00 da tarde  

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