quinta-feira, setembro 25, 2008

Pescadinha de rabo na boca

José Pacheco Pereira anda indignado com a RTP. Segundo o intelectual do PSD, a estação pública transformou-se num sério instrumento de propaganda do governo PS. Ora quando falamos em propaganda, provavelmente o que pretendemos dizer é manipulação da opinião pública. E quando falamos em manipulação da opinião pública, o que pretendemos dizer é que anda alguém a tentar convencer alguém de que a sua é a melhor causa.
Caro JPP, provavelmente deve-se lembrar das mesmas questões, colocadas por outros, no tempo das maiorias de Cavaco Silva...

Ou será que JPP nos pretenderá dizer:
"É preciso, pois, repito, que aqueles que têm o orgulho legítimo ou a vaidade, se quiserem, de pensar por si próprios, e não pela cabeça dos outros, venham, junto da opinião pública, ilustrá-la, orientá-la e indicar-lhe o caminho que deve ser seguido."?
(Conferência de Alfredo Pimenta)

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domingo, setembro 21, 2008

Pescadinha de rabo na boca

Paulo Portas afirma, naquele seu ar de homem de estado, que José Sócrates não é capaz de enfrentar os maiores problemas do país.
Eu, na minha inocência, perguntaria a PP: então e o que diria de quem é extraordinariamente capaz de enfrentar os problemas do seu próprio partido?

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quarta-feira, maio 14, 2008

Sinais

Quando um prémio Nobel, ex-funcionário do FMI, alerta para a influência catastrófica daquele organismo internacional em diversas economias, dando como exemplo paradigmático a Argentina, é bom que se lhe preste atenção, afinal Stiglitz pertenceu ao sistema.
Quando Vasco Graça Moura argumenta que o acordo ortográfico não assegura a unidade da língua portuguesa, é bom que se leiam outras fontes que corroboram este argumento e quando afirma: "Se Portugal vai precisar de muitos anos e de muitos milhões de euros para cumprir o acordo, entretanto, não deixará de haver grupos editoriais brasileiros que a grande velocidade lhe tomarão o lugar sem apelo nem agravo, uma vez que não têm de fazer absolutamente nada para se adaptar à situação!"* e aliar este argumento à criação de uma super editora em Portugal, por um lado, ou à compra da editora Guimarães por Paulo Teixeira Pinto**, por outro.
Quando assistimos à proliferação de notícias sobre crimes, violência doméstica, catástrofes naturais, futebol e/ou Fátima nos telejornais nacionais é caso para questionarmos a auto-estima dos responsáveis pelo noticiário?
Quando lemos as frases extraordinárias de Mira Amaral e do presidente do BES acerca da impertinência de Geldof, ficamos a perceber, afinal a ideologia ainda é o que era.
Quando ela se dirigiu à secção de poesia de uma grande editora/livraria ficou espantada, apenas meia dúzia de autores menores, uma grande edição e mais meia dúzia de obras notáveis. Espreitou despudoradamente para uma novidade, abriu o pequeno livro e deparou-se com as seguintes palavras:

Encantar-te-ás com os poetas até conheceres um.
Com calças de poeta, camisa de poeta e casaco
de poeta, os poetas dirigem-se ao supermercado.

As pessoas que estão sozinhas telefonam muitas vezes,
por isso, os poetas telefonam muitas vezes. Querem
falar de artigos de jornal, de fotografias ou de postais.

Nunca dês demasiado a um poeta, arrepender-te-ás.
São sempre os últimos a encontrar estacionamento
para o carro, mas quando chove não se molham,

passam entre as gotas de chuva. Não por serem
mágicos, ou serem magros, mas por serem parvos.
A falta de sentido prático dos poetas não tem graça.

PEIXOTO, José Luís (2008). Gaveta de Papéis. Lisboa: Quasi, p. 41

Saltou de contente, comprou o pequeno livro e os seguintes pensamentos conduziram-na até ao balcão da livraria, afinal, ela, uma rapariga tão comum, também tinha comportamentos de poeta.

*MOURA, Vasco Graça (2008). Acordo Ortográfico: A perspectiva do desastre. Lisboa: Aletheia, p. 16.
**Vasco Graça Moura é um dos 30 membros do futuro Conselho Editorial da Guimarães. Se não consigo imaginar Miguel Paes do Amaral a vender o seu acervo editorial ao melhor comprador brasileiro ou angolano, também não o consigo fazer em relação a PTP, são homens cujo valor pátria está pouco arreigado às investidas especulativas da globalização. Valha-nos isso!

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