segunda-feira, setembro 21, 2009

A pior sondagem (desde sempre)

Saiu hoje uma "sondagem", em antecipação à publicação na revista Exame, que conclui, segundo as técnicas sui generis, que Sócrates foi o pior PM desde 1985. Mas o mais interessante é que a sondagem também considera Sócrates como o segundo melhor PM, logo atrás de Cavaco. Como é fácil constatar, não existia mal nenhum nesta conclusão se tivessem existido dois, e apenas dois, PM durante o período - o segundo melhor era o pior. Acontece que existiram cinco.
Este é mais um típico caso de "sondagem" tonta. É tão tonta que pouco faltou a Sócrates para ser considerado o pior e o melhor PM. O problema aqui não reside numa hipotética «esquizofrenia» da amostra ou numa colagem do voto laranja e rosa aos respectivos PM - até porque ambos tinham outras hipóteses em quem votar. O único problema aqui é a péssima formulação e apresentação das alternativas de resposta aos elementos da amostra, em que uma resposta pura e simplesmente anula a outra. Se eu tivesse encomendado uma sondagem e fosse o editor responsável por a publicar a dita, apresentava duas soluções à empresa responsável: ou fazem uma coisa séria, que dê para tirar conclusões, ou então ficam com esta sondagem, fazem o que bem lhes entender, que eu vou à procura de alguém que me faça alguma coisita melhor do que a pior sondagem de sempre.
Nota: a notícia do link nada diz sobre Sócrates ser o segundo melhor PM, porque quem a escreveu achou por bem omitir este facto. Mas quem quiser comprovar isso, pode sempre comprar o próximo número da revista Exame, que está a fazer este favor às direitas, assim como tantos outros órgãos de comunicação têm feito os seus às esquerdas. A próxima vez que escutar um órgão de comunicação social português falar em isenção, desligo o rádio, a TV, ou atiro o jornal para o lixo. Todos eles estão alinhados e muito bem alinhados. Na blogosfera, tirando uma ou outra excepção, idem. Consequências directas de um país em que 50% das pessoas dependem do OE.

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quarta-feira, novembro 19, 2008

Os bobos e o sacerbócio

Há muitos bobos na corte.

Os bobos da outra corte tinham uma outra função. O bobo do Rei Lear, por exemplo.

Actualmente há dois bobos perfeitos, mas há outros e há o rei dos bobos.

Há bobos para todos os gostos. A aromaticidade dos bobos anda no ar, mas não casa sempre com outras moralidades de outros bobos, nem sempre com as mesmas bobagens ideológicas e cujas ligações à bobedia são do género bobo anónimo.

A bobedia estipula uma determinada tonicidade bobal e cozinha a la barte.

Há bobos cujas ligações ao poder bolítico são ora conflituais, ora do tipo "Era uma vez dois bobos.... viveram semanticamente para todo o sempre".

Tal como um bobo católico, comunista e homossexual é algo de impensável para alguns bobos, também um bobo liberal, católico e defensor do casamento heterossexual (procriação) é algo de atípico para outros.

Questões para reflexão:

- Há bobos cujas bobeiras precisam de se recauchetar?

- Actualmente há bobos mais bobos que outros?

- Será altura dos bobos se dedicarem ao sacerbócio?

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