sexta-feira, setembro 14, 2007

A chapadita de Scolari

Sou o género de rapariga socialmente correcta.

Socialmente ouço as maiores barbaridades e mantenho-me neutra.

Não sei o que acontece comigo quando estou a socializar, torno-me verdadeiramente sociável e nada dessa história assertiva que nos vendem os técnicos da psicologia comportamental.

Tenho uma paciência de Jó.

Por vezes, sinto que a maior parte das pessoas precisa da vida social para despejar um pouco de vida, há nelas vida a mais.

Como sou muito tímida limito-me a fazer o meu melhor: ouvir.

E faço um sucesso.

Apesar de, no dia seguinte, a senhora Y, dificilmente se lembrar de mim, pois tratou de despejar a sua vida e seguiu viagem.

Enfim, é algo que precisamos de fazer, de vez em quando, quando a vida se enche de nós.

Eu gosto imenso de ouvir as pessoas.

E ouço história engraçadíssimas de agricultores, produtores, trabalhadores fabris, etc, pessoas comuns, com vidas comuns, verdadeiramente submersas na realidade.

A última que ouvi, e com a qual concordo plenamente, é a seguinte:

Manel da Azenha - Vossemecês já viram estes gajos? Ganham uns tostões e empatam um jogo de m* com estas pilecas?
João da Pipa - É verdade!, c*, fdp*, precisavam era d'uma cavadela, dava-lhes cá um portento ao corpanzil, aprendiam a jogar num instantâneo.
Fausto do Acordeão - Vocês viram a lambada qu'o Scolari pregou ao gajo?
Manel da Azenha - Lambada? Atão o homem deu-lhe uma chapadita, c'um raio. Qual é o problema? Cambada de mariconços! e um homem é de ferro?

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