sexta-feira, março 11, 2011

DESASSOSSEGOS [RELOADED]





















Imagem: M.C.Escher, Relativity, 1953

«Pertenço a uma geração - ou antes a uma parte de geração - que perdeu todo o respeito pelo passado e toda a crença ou esperança no futuro. Vivemos por isso do presente com a gana e fome de quem não tem outra casa. E, como é nas nossas sensações, e sobretudo nos nossos sonhos, sensações inúteis apenas, que encontramos um presente, que não lembra nem o passado nem o futuro, sorrimos à nossa vida interior e desinteressamo-nos com uma sonolência altiva da realidade quantitativa das coisas».

Bernardo Soares, O Livro do Desassossego

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2 Comments:

Blogger Pedro Viseu said...

Tal como as estações o ano, Portugal repete-se, incessantemente, como que por sina.

sexta-feira, março 11, 2011 11:09:00 da tarde  
Blogger Jonas said...

Manifesto 'à rasca'...


Levanta-te, levanta-te!
A veia ainda te salta?
O pulso ainda se pulsa em ti?
O punho ainda se empunha?
A vontade ainda se faz força,
se esforça,
se vontadiza?
Então levanta-te, levanta-te…!
O sangue ainda te irriga o bestunto?
E todavia se bestuntiza ele, o bestunto, com tanto sangue?
Ou dar-se-á o caso do sangal se ter já cansado num sangrar por sangrar?
Então avança, avança, pá!
O abismo é já aí,
E a liberdade também.
Nada temas.
Ou então não:
Mas se então não, pelo menos pára para pensar: certifica-te se a veia já não salta, sente se o pulso já não consegue pulsar, verifica se o coração já tropeça em coágulos de sangue ou se se estoura em segmentos de vidro; se os miolos já se derretem espumosos pelos ouvidos e pelas narinas e se eles, nesses fedores, te insurdecem e cegam...
Sente-te todo assim espuma, assim baba derramante, asquerosos tu e a baba, o próprio asco todo de ti em ti assim desmiolado te nauseando….
Insurdecendo-te,
Cegando-te.
Depois, depois de tal check-up diz-me qualquer coisa, manda-me um mail, vem ao Facebook comunicar-me tanta soçobra, faz-me um telefonema em lágrimas, redige-me uma carta escrita com um antigo aparo de molhar na tinta, ou manda-me só mesmo uma mensagem escrita com água do rio, dentro de uma garrafa, de preferência, a ver se eu me digno responder-te com algum ânimo, algum desânimo, retorquir-te com alguma proposta vantajosa…
Mas entretanto levanta-te, pá!
Por favor!
Diz-nos qualquer coisa: a mim e ao mundo da tua geração, podendo tu porém esqueceres-te de mim quando o disseres, pá!
Mas di-lo em pé!
Em pé e aos berros, em canções e salivas de megafone...
Aos gritos...!
E sempre em pé, pá!
Entretanto avança, avança...

sábado, março 12, 2011 5:56:00 da tarde  

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