quarta-feira, janeiro 23, 2008

Lisboa como Miséria, desolação e piolheria

Caro Vasco Graça Moura,

é um homem da literatura, escreve bem, gosto especialmente das suas traduções, tenho algumas, as dos poemas de Shakespeare, por exemplo.

Poderia dizer-lhe o seguinte: as suas traduções são exercícios notáveis de hermenêutica, mas não vou por aí, a minha imodéstia e vaidade não o permitem, mas a razão é simples: a preguiça, no que diz respeito à aprendizagem de línguas, instalou-se irremediavelmente em minha casa e seria muito ingrato despedir uma velha amiga, enfim, os bons amigos não são perfeitos.

Quanto ao seu artigo tão visceralmente revoltado contra os socialistas europeus, como arma de combate contra o governo socialista português, apraz-me dizer-lhe o seguinte: é muito interessante.

Principalmente quando, numa exposição, se pretende "fotografar" uma cidade esplendorosa como Lisboa, atribuindo-lhe tão veneráveis adjectivos, num dos locais desagradáveis de Bruxelas: a Place du Luxembourg, ou será que nos últimos três anos a famosa praça se modificou assaz?

Quanto à sua argumentação, gostaria de lhe dizer que Lisboa também tem a sua faceta miserável, desolada e piolhenta, tal como qualquer cidade do mundo, se calhar ainda bem, pelo menos para os eternos detractores de Portugal e defensores do: lá fora é que é bom. Enfim, temos de ter de tudo, para contentar toda a gente.

Quanto à questão da exposição ser "aproveitada" como arma de arremesso ideológico, gostaria só de colocar as seguintes questões:

- caso o governo português fosse do PSD, o que faria o honorável deputado Vasco Graça Moura se a sua família ideológica europeia cometesse o mesmo tipo de "sacrilégio"?
- qual a razão da existência de famílias ideológicas na europa?
- estarão os deputados europeus a defender o seu país ou o seu partido?
- de que forma poderá ser encarado o combate político?
- será o combate político benéfico ou nefasto para a democracia?
- estarão os políticos europeus a salvaguardar os interesses da democracia europeia?

A riqueza de um artigo também se mede pelas perguntas que suscita.

Etiquetas: ,

Partilhar

terça-feira, julho 03, 2007

Esmifrar até ao tutano

Sabendo-se que o Estado Português é deficitário e portanto não pode colmatar esta receita com os resultados de um inexistente superavit, este valor representa que no próximo ano cada português vai ter de pagar mais cinquenta euros de impostos.
PS: na notícia é afirmado que o Estado não vai perder receita porque "o prejuízo é do Citigroup" que comprou no tempo do anterior governo os créditos fiscais. A pergunta que se impõe: quanto tempo é que falta para sair um comunicado do Citi a dizer que havia umas alíneas em letra deste tamanho que o caro leitor está a ler que excluíam essas hipóteses?

Etiquetas: , ,

Partilhar