quinta-feira, outubro 04, 2007

Tout ça est une blague

«(...) Claro que posso estar enganado, mas acho que tenho algumas capacidades para a esfera de actividade que escolhi e que nas minhas mãos o poder, seja ele qual for, se o tiver, estará melhor do que nas mãos de muitos que eu conheço (...). E portanto, quanto mais perto estiver disso, mais satisfeito estou.
(...) o que é preciso é um partido de poder de homens independentes, como tu e eu.
Mas porquê? - Vronski nomeou vários homens que detinham poder. - Mas porque é que eles não são homens independentes?
- Apenas porque não têm ou não tiveram por nascimento fortuna independente, não tinham nome, não tiveram essa proximidade do sol em que nós nascemos. Podem-se comprar com dinheiro ou com favores. Para se manterem, precisam de inventar uma orientação. E seguem uma qualquer ideia, uma orientação em que não acreditam, e que é perniciosa; e toda essa orientação é apenas um meio para terem uma habitação oficial e um bom ordenado. Cela n'est pas plus fin que ça, quando lhes vemos o jogo. Talvez eu seja pior ou mais estúpido do que eles, embora não veja porque havia de ser pior do que eles. Mas tu e eu temos certamente a importante vantagem de que é mais difícil comprar-nos. E homens assim são mais necessários do que nunca.» p.319-321

TOLSTOI, Lev, Anna Karénina, Lisboa, Relógio de Água, 2006, p. 822

Serpukhovskoi (amigo de estudos de Vronski) falando com o amante de Ana Karenina (Vronski).

O problema do amigo de Vronski é o desconhecimento completo da realidade. Serpukhovskoi é um nobre ambicioso, progrediu rapidamente na carreira militar e anseia o poder. Mas a realidade política que ele conhece é a dos salões, desconhece completamente a realidade extra-classe privilegiada. Daí afirmar muito convincentemente: «Não há comunistas nenhuns. Mas essa gente das intrigas precisa sempre de inventar um partido prejudicial e perigoso. Isso é um velho truque.»

Infelizmente, para alguma classe política, quem anseia o poder precisa de viver submerso na realidade.

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Daltonismo

Os defensores de Mendes desenrolam os pergaminhos, o rolo, ao invés de revestido a madeira, é recauchutado, a matéria prima chama-se ética, valores. Diabolizando assim todos os que defendem Menezes. Menezes simboliza, para os defensores de Mendes, o populismo, compadrio, alianças obscuras (os jobs for the boys), negociatas nos corredores do poder...
Para alguns defensores de Mendes de um lado está a ética política e do outro Menezes.
As raparigas intelectuais, cá na província, defendem a seguinte teoria, assaz brilhante:
quem olha para o mundo assim é daltónico.

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quarta-feira, outubro 03, 2007

Graças a Deus não sou uma pessoa coerente

Eu sou aquele tipo de rapariga que um dia acorda meio ideológica, noutro ideologicamente meia e nos restantes procurando, desenfreadamente, a ideologia por baixo da meia.
É por estas, e por outras, que me considero uma rapariga simples e provinciana, mas inteligente. Aparentemente, só aparentemente, tão profícuos vocábulos se anulam.


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segunda-feira, outubro 01, 2007

Quando a poeira assenta

A “inesperada” vitória Menezes apanhou muito boa [e menos boa] gente desprevenida.

Meia dúzia de vozes críticas reagiram de imediato, procurando desde do primeiro momento, e por todos os meios, aniquilar à nascença o novo líder do PSD. Temi pior: que a espiral ardilosamente engendrada por alguns “detractores” com mau perder já não fosse possível de parar. Felizmente enganei-me: o Professor Marcelo já meteu os pés pelas mãos e Pacheco Pereira as mão pelos pés. Em ambos os casos, estatelaram-se ao comprido.

Curiosamente [ou talvez não] todos os meios de comunicação social que se apressaram a propagar esta pseudo-notícia, estão com algumas dificuldades em difundir o desmentido do dr. Mário Soares.

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