Florbela... em "antes e depois"...
Antes de mais, sinto-me na obrigação de relembrar que «não percebo muito de literatura» e o pouco que sei de Florbela Espanca é vestígio do que ainda não esqueci da escola (e do que fui rever antes de escrever o post)... Amok, tenho, de facto, a ideia de uma fase final de rezignação, de fim de luta contra o mundo... - errada? não sei... alguém me ajuda?... Não estou, de modo algum, a dizer que a sua escrita se tornou alegre e positiva, mas sim que perdeu o fulgor do negativismo, ou antes, que perdeu a indignação da incompreensão, absorvendo tudo isso como uma espécie de inevitabilidade.
Já de si os títulos das obras mostram alguma coisa - digo eu! -: «Charneca em Flor» (1930) parece-me apresentar-se numa postura diferente de «Livro de Mágoas» (1919) - não te parece? De volta ao «Sonetos» procuro, então, aleatoriamente no «Caharneca em Flor» alguma coisa que possa ilustrar a minha ideia. Nem de propósito... ;)
[Se for caso disso, peço desculpa por remexer no baú...]
Já de si os títulos das obras mostram alguma coisa - digo eu! -: «Charneca em Flor» (1930) parece-me apresentar-se numa postura diferente de «Livro de Mágoas» (1919) - não te parece? De volta ao «Sonetos» procuro, então, aleatoriamente no «Caharneca em Flor» alguma coisa que possa ilustrar a minha ideia. Nem de propósito... ;)
| EU (Livro de Mágoas, 1919) Eu sou a que no mundo anda perdida, Eu sou a que na vida não tem norte, Sou a irmã do Sonho, e desta sorte Sou a crucificada... a dolorida... Sombra de névoa ténue e esvaecida, E que o destino, amargo, triste e forte, Impele brutalmente para a morte! Alma de luto sempre incompreendida!... Sou aquela que passa e ninguém vê... Sou a que chamam triste sem o ser... Sou a que chora sem saber porquê... Sou talvez a visão que Alguém sonhou, Alguém que veio ao mundo pra me ver E que nunca na vida me encontrou! | EU (Charneca em Flor, 1930) Até agora eu não me conhecia. Julgava que era Eu e eu não era Aquela que em meus versos descrevera Tão clara como a fonte e como o dia. Mas que eu não era Eu não o sabia E, mesmo que o soubesse, não o dissera... Olhos fitos em rútila quimera Andava atrás de mim... e não me via! Andava a procurar-me - pobre louca! - E achei o meu olhar no teu olhar, E a minha boca sobre a tua boca! E esta ânsia de viver, que nada acalma, É a chama da tua alma a esbresear As apagadas cinzas da minha alma! |
[Se for caso disso, peço desculpa por remexer no baú...]
Etiquetas: Mês da Poesia, Post com dedicatória

15 Comments:
Se tivermos em conta que ela se suicidou aos 36 anos e que a obra espelha a vida (há quem não concorde) será difícil sentir algum apaziguamento ou menos negativismo.
Devo começar por referir ñ ter muitos mais conhecimentos literários (e menos ainda na especificidade da poesia) do q tu, posto isto refiro ainda q sempre achei a poesia assim um tanto ou quanto prá lamechice e a da FE pior ainda!, só que...a idade vai avançando e acabamos por olhar as coisas com olhos diferentes conforme as etapas da vida...
...foi assim q dei comigo a ler a FE, mais pela posição q teve como mulher no seu tempo do q propriamente pela qualidade da poesia...continuei a achar um pouco rebuscada demais, mas... precisamente por causa duma dessas etapas da vida comecei a ler com outros olhos e nos meus primordios de net desatei a criar um site sobre a vida e obra da FE q o Terravista fez o 'favor' de apagar qd decidiram q aquilo era pra dar lucro e não pra servir o público q aliciou no início...ainda hj tenho o site criado no Geocities na mesma altura sem q lhe toque há anos e ainda lá está!, enfim...
...por causa do tal site, acabei por fazer alguma pesquisa através de autores q escreveram sobre FE, uns mais a favor, outros nem tanto e, apesar de tb achar q uma Irene Lisboa talvez tivesse uma poesia mais 'trabalhada' q a FE sem ter chegado ao público a q esta chegou, o q marcou realmente a poesia de FE foi exactamente o tipo de mulher q ela era, q tentou deixar de ser e q acabou a deixar 'correr' até ao fim...até ao limite.
Tenho pena de ter perdido esses meus ficheiros, pois uma das suas cartas, em q falava sobre o suicídio (ainda longe do seu), explicitava bem o qt ela o entendia não como uma desistência, menos ainda como uma resignação... para lá disso sempre li nos seus poemas uma grande revolta - pelos espartilhos q a sociedade impunha a mulheres como ela: basta ver como tem sido referida como uma mulher de amores e desamores, até mesmo um suposto amor incestuoso; assim como se tem reforçado a vertente física da sua poesia, o q me parece mais uma questão de puritanismo da época q acaba por se ver reflectido nas leituras q sempre se fizeram e fazem - e, para lá da revolta, uma enorme solidão incapaz de ser ultrapassada por mais pessoas q a rodeassem e/ou amassem...esse tipo de solidão está 'cá dentro' e é feita de incapacidade para se enquadrar no mundo em q se vive...ñ há nada a fazer: há quem nasça fora do seu tempo!
É claro q existiram razões médicas - depressões - razões de infância - em especial a relação com o pai pouco (nada) presente nos seus primeiros anos - e que isso ajudou à formação dum 'estar' um tanto dado à melancolia... a 'doença' das meninas da época, mas...não é suposto ser a genialidade criativa um tanto resultado duma certa...loucura!?
Deve ser por isso q, hj em dia, existam tão poucos génios... vivemos numa época de grandes... racionalistas!, nem sempre com razão, mas...enfim, racionalizam tudo e sobre tudo, pelo q fica pouco espaço pra loucura...e mal ela ameace despontar...psiquiatra com o louco!;-)
Eu diria q este verso dum dos seus poemas - «E esta ânsia de viver, que nada acalma» - q talvez não seja em vão chamar-se 'EU', é o mote da vida e obra da Florbela Espanca...
Florbela Espanca, tal como Fernando Pessoa são poetas "modernistas" pelo que o egocentrismo é perfeitamente normal. Para o caso de Florbela Espanca, em termos de produção artística parece estar isolada (ou seja, não muito influenciada) pelos escritores da mesma "corrente". Já não é o caso de Fernando Pessoa, até pela sua vivencia metropolitana, mas pelo seu relacionamento pessoal (amizade quase familiar) com outros escritores, como é o caso de Mário de Sá Carneiro a quem escreve cartas e desabafos. As mortes trágicas destes poetas do modernismo são exemplares também.
E porque este seu artigo me motivou, escreverei oportunamente e com detalhe sobre o assunto no blogue "szerinting.blogspot.com"
leonor:
De facto «apaziguamento» é capaz de ter sido uma escolha de palavras infeliz, mas sem dúvida uma rezignação, um acalmar de uma luta contra tudo e contra todos, uma aceitação de um mundo onde ela não cabe... E não estou a pensar em particular no suicídio...
amok:
Estou a ver que me meti em algo maior que eu =) Mas vou tentar explicar-me mais um bocadinho...
Como já disse acima, não estou a falar directamente do suicídio! Não estou a dizer que isso foi uma desistência da vida... Pode ter sido o tal acto de coragem e de libertação - ultrapassa-me, mas admito que pudesse ser um passo em frente aos olhos dela... Seja! Não é disso que eu estou a falar! Estou a falar de toda uma fase final e não em concreto do culminar dessa fase. De qualquer forma, admitindo que o suicídio não foi uma desistência, ele tem de ser um reconhecimento de uma incompreensão como que inultrapassável da tal mulher que viveu fora do tempo... Este "depois" de que falo é um amadurecimento reflectido longe da irreverência, da incompreensão compulsiva do início...
Quanto à «ânsia de viver que nada acalma», há que esclarecer que neste ponto essa ânsia é uma chama que esbrasea em cinzas apagadas. É algo que teima em arder no queimado... Sendo o queimado a sua alma e a chama o que arde em volta... Eu diria que no «antes» seria ao contrário uma alma que arde sem saber por onde, pois por onde quer que passe tudo lhe aparece queimado...
Ainda que não seja nada disto que eu tenho dito, deu para perceber melhor?...
james:
Fico feliz por ter motivado algo e aguardo, então, o oportuno post.
Pois, apesar do q já adiantámos - e das n/s conversas - acho q continuamos em desacordo na tal questão do apaziguamento...tivesse ele existido, como tu o entendes, e talvez o suicídio ñ tivesse acontecido, o ter acontecido é sinal q esse apaziguamento, afinal, ñ exitiu...nc!, e é claro q ñ podemos desligar FE da ideia de suicído pq esta (ou a ideia de morte) sempre esteve presente ao longo de toda a obra...
«(...)essa ânsia é uma chama que esbrasea em cinzas apagadas. É algo que teima em arder no queimado... Sendo o queimado a sua alma e a chama o que arde em volta(...)»
...continuo a ñ concordar...acho q a 'chama q arde (a ânsia)' existia mt mais dentro dela q à volta dela...aliás, acho mesmo q aquilo q, talvez, mais a destroçava era, exactamente, a falta de 'chama q arde' fora dela...existisse essa chama (a paixão) em seu redor e talvez a sua ânsia tivesse sido um pouco aplacada...mas as mulheres (as 'senhoras') queriam-se recatadas, à época...prá galderice existiam 'as outras' nas quais ela não seria, de todo, enquadrável social e moralmente...:=>
amok:
Assuma-se, então, o suícídio como indissociável do que se lê na obra - que reflecte (ou não...) a vida. Assim, tenho uma questão: porquê o suícídio nessa altura? Se, como vocês dizem, continuava tudo exactamente na mesma, a mesma visão do mundo, a mesma indignação, o mesmo sentimento de incompreensão compulsivo... Não mudou nada?!
Quanto à «ânsia de viver», limitei-me a - tentar!!! - interpretar o terceto que a contem... Concordo com a análise que fazes, mas não neste terceto! Consegues ler nele isso que dizes???!!! Acho que ele mostra a tal diferença que eu ando - absurdamente! - a tentar explicar. E da minha concordância com a tua análise, desde que re-enquadrada noutro momento, repito aquilo que disse acima:
«Eu diria que no «antes» seria ao contrário: uma alma que arde sem saber por onde, pois por onde quer que passe tudo lhe aparece queimado...»
«porquê o suícídio nessa altura?»
...pois, essa é uma pergunta a q ninguém conseguiu responder, tal como ninguém consegue explicar pq razão outro alguém se suicida... acho q, isso, só os próprios suicidas poderiam fazer e, pelo menos até agora, ainda ñ se encontrou forma de nos virem explicar...
...tb perguntas se não mudou nada...aparentemente até parece q tinha mudado, ao q consta na altura do suicídio até parecia verificar-se esse tal apaziguamento- ai q raiva por ter perdido os meus apontamentos! - mas o certo é q ela se suicidou!, apesar dos projectos (aparentemente empolgantes tb para ela)...vá-se lá saber porquê, naquela fase precisamente!?!
...qt à leitura q queres fazer dum dado verso, ou mesmo dum dado poema, desculpa mas...isso é querer analisar a espuma do mar achando q a onda ñ tem importância nenhuma, ou q um existia sem uma e outra...;-)
amok:
Também não estava propriamente à espera que soubesses o porquê do acto, mas, talvez, que concordasses que alguma coisa havia de ter mudado...
«ao q consta na altura do suicídio até parecia verificar-se esse tal apaziguamento» - Agora baralhaste-me... Em que é que ficamos? Houve apaziguamento, mas não se manifestou na obra, é isso? Mas, então, o acto em si é indissociável da escrita e o que o motivou não?!
Quanto à leitura que eu "quero" fazer dum dado verso... Só estava a - tentar! - contextualizar o verso que tu seleccionaste de forma completamente isolada do resto do poema!!! Se me disseres que, de facto "leste" naquele terceto aquilo que descreveste, não tenho nada a acrescentar... Interpretações, são interpretações... Mas o que me pareceu foi que a análise da espuma sem olhar à onda, foi, precisamente, o que tu fizeste... ;)
ai meus deuses!, acho q nos estamos a enrolar...todinhas!grrrr
...vamos lá ver se fazemos um ponto da situação:
1) quem 'recortou' o verso, do poema e da obra, pra lhe atribuir um sinal de (possível, ok!) apaziguamento...foste tu e não eu!
2)qd concordo com o 'parecer ter havido um sinal de apaziguamento' digo-o, não em relação a sinais dados na obra, mas pelas cartas lidas e pelas referências do q estava a ser levado a cabo, precisamento, na altura em que se suicidou, no caso 'uma certa acalmia, emocional e afectiva, na sua vida' e um trabalho q estava a ser feito com um italiano q mt protegia a sua obra, nomeadamente com traduções e edições em Itália...estou a referir um bocado de cor pq, como já disse, perdi os meus apontamentos todos de...há pr'ai uns 8, 9 anos...
3) assim sendo, continuo a dizer q não me parece ter existido - mesmo! - esse apaziguamento uma vez q ela se suicidou!...é só isso q eu contraponho à tua ideia de ter existido, ideia q ilustras com um verso...
4) ora, tb dizia eu q um verso não diz nada, não reflecte nada...até pode dar-se o caso de ela ter escolhido aquelas palavras, naquele momento, por ser o q melhor 'caia' naquele poema...;-)
5) por fim - acho!?!;-) - qd concordo, de certo modo, contigo ao referir q parecia ter existido esse tal apaziguamento digo -exactamente! - q parecia(!), tal como muitos dos seus analistas referem esse facto, mas...se ela se suicidou é pq aquele parecer não correspondia à realidade...não achas?
Concluindo: se me quiseres dizer q 'naquele verso' parecia q ela estava mais madura e menos obsessiva com a morte eu até posso concordar, agora se com aquele verso queres 'provar' q ela tinha atingido uma maturidade psiquica que indiciava um abandonar daquela 'ansia de viver eternamente insatisfeita'...o suicídio desmente-te...e desmente-nos a ideia do q parecia...e afinal não era!, certo...?
«acho q nos estamos a enrolar...»
- Acho que sim. E o que eu não percebo é porque é que EU ainda não me calei... É que tu ainda tens a memória (perdida) de uns apontamentos, eu não tenho nada disso, portanto, em condições normais já me tinha calado... Aliás, em condições normais, acho que EU nem sequer teria começado... :)
1 - Nós não podemos estar a ler a mesma caixa de comentários!!! :) A minha pseudo-análise do verso, partiu do TEU comentário:
«Eu diria q este verso dum dos seus poemas - «E esta ânsia de viver, que nada acalma» - q talvez não seja em vão chamar-se 'EU', é o mote da vida e obra da Florbela Espanca...»
Portanto, o recorte é teu! Eu só lhe juntei mais dois versos!!!
2 - Lá está! É nestas alturas de ignorância que eu não percebo porque estou a ter este "debate"... :)
3 - Não acho que o suicídio seja uma prova de falta de apaziguamento! E, mais uma vez, não fui EU que fui buscar o verso!!! :) Só tentei mostrar que o verso que TU foste buscar para ilustrar a sua vida/obra pode ser interpretado, quando inserido no terceto (que ignoraste) como ilustração do que EU estava a tentar explicar.
4 - Certo! E "o poeta é um fingidor", e a interpretação de poemas não é uma ciência exacta... Concordo com tudo isso. Mas, tendo em conta que o sentimento de incompreensão que domina a sua obra é habitualmente tido como reflexo da sua alma, não me parece assim tão descabido achar que a rezignação / amadurecimento / desistência / apaziguamento - whatever! - final também o possa ser...
5 - Não, não acho! Para quem vive uma vida a lutar contra o mundo, o suicídio pode ser uma desitência da luta, o reconhecimento de um sentimento de inevitabilidade, digamos, um apaziguamento inevitável mas impossível de viver... Note-se que não estou a dizer que foi isto que aconteceu!!! Estou apenas a corroborar a possibilidade.
Concluindo: Antes de mais, e mais uma vez, EU quero tanto dizer que «naquele verso» ela estava mais rezignada como TU quiseste dizer o contrário ;)
Quanto ao suicídio ser a prova do que quer que seja, acho que dá para os dois lados... Eu nunca tive o suicído como justificação desta rezignação (que ando absurdamente a tentar explicar), mas se o formos buscar, não me parece assim tão claro que o não possa ser.
Bem...vou tentar responder-te ponto por ponto pra ver se nos entendemos...o q vale é q devemos ser só nós a (ainda) aqui vir...;-)
1)Estamos na mesma caixa de comentários sim!, qd eu cheguei aí - a esse verso q citei - nem estava a focar a questão do nosso desacordo: o tu achares q houve uma fase de apaziguamento e eu achar q não houve...
2)Não concordo com essa da tua suposta ignorância...e a haver terá de ser de nós duas...podes crer q ñ terei ,muitos mais conhecimentos q tu...talvez eu seja é mais teimosa na interpretação dos textos, e talvez me esteja a basear, também, nas cartas a que pelos vistos tu nc tiveste acesso...mas estão publicadas...
3- ah pois, aqui há logo um mal entendido...eu ñ estava a usar o verso - q citei - como 'prova' da minha 'tese' sobre a tal falta de apaziguamento...estava, apenas, a tentar andar pra frente...e a dizer-te, aí sim, q aquele verso reflecte uma ideia q está sempre presente na obra (contos e cartas incluidos) e q acaba por dar um certo sentido ao final da sua vida...no meu entender, claro!
4)Confesso q ñ entendi onde querias chegar neste ponto...
5)Pois, o problema é q FE não lutava contra o mundo!...a não ser q se considere 'o mundo' a sua alma, o seu sentir...pq a sua luta foi mais contra a incompreensão q sentia nos q a rodeavam e em relação aos seus 'estados d'alma'...
Concluindo, mais uma vez...é claro q, como tu mt bem dizes, o suicidio não é justificação para a rezignação...ou seja: achas q uma pessoa q se tenha resignado à sua sorte, uma pessoa q tenha acalmado (apaziaguado) a alma, os desejos, os sonhos impossiveis...sente o impulso da morte ao ponto de ir ao seu encontro?...pronto!,foi aqui q eu, sempre, quis chegar: no meu entender apaziguamento quer dizer acalmia e não desistência....quem se acalma aceita (e aceitando fica em paz consigo mesmo), mas aceitar não é o mesmo q desistir... suicidar-se é!
apaziguar
do Lat. a + pacificare
v. tr.,
pôr em paz;
pacificar;
sossegar;
aquietar.
É! :) Se, por acaso, alguém cá passar, assusta-se :)
1 - Posso ter sido demadiado defensiva, mas sem mais nada «E esta ânsia de viver, que nada acalma» como mote de vida, inviabiliza tudo o que eu havia dito. Por isso, para não entrar em contradição, achei por bem repor o verso no contexto de onde nasceu...
2 - Pronto, no fundo, no fundo, somos duas ignorantes teimosas :) Mas para que não te sintas enganada, tenho mesmo de frisar que eu não sei MESMO!!! :)
4 - Eu explico! Tu nesse ponto dizias em relação ao tal controverso verso (presumo) que «um verso não diz nada, não reflecte nada... até pode dar-se o caso de ela ter escolhido aquelas palavras, naquele momento, por ser o q melhor 'caia' naquele poema...». E eu, mais uma vez sendo demasiado defensiva, como tu achavas que eu estava a defender a minha "tese" com esse verso, achei por bem salvaguardar a hipótese. [Uiii, que isto ficou mais confuso...] Ou seja, eu achei que estarias a desvalorizar a análise que fizera do verso como "apoio" da minha "tese". O que eu quis dizer foi, então, que concordo que interpretações são interpretações, que não passam disso; mas se no resto da obra se pode "ler" a incompreensão porque é que no final não se há-de poder "ler" a reziganção?! Isto é, se a obra é (sem contestação) espelho da alma incompreedida, porque não pode também ser espelho da alma rezignada? [Mais baralhada ou deu para perceber?]
5 - O «mundo» é tudo! Nós e os outros! Ou seja, concordo perfeitamente com o que dizes! Luta «contra a incompreensão q sentia nos q a rodeavam» - os outros - «em relação aos seus 'estados d'alma'» - nós.
Concluindo:
- Primeiro, para o caso de não ter ficado claro, o que eu digo é que não é no suicídio que eu me estou a basear para a minha "tese". Mas que se o quisermos chamar ao campo da argumentação, ele tanto pode jogar a favor como contra.
- Esse «?» é uma pergunta mesmo?! É que se é, eu vou responder: não, não acho que "seja", mas acho que "pode ser".
- Quanto à acalmia... eu disse lá em cima [à leonor]:
«De facto «apaziguamento» é capaz de ter sido uma escolha de palavras infeliz, mas sem dúvida uma rezignação, um acalmar de uma luta contra tudo e contra todos, uma aceitação de um mundo onde ela não cabe...»
Ou seja, estamos quase a chegar a um acordo mínimo :) No fundo, no fundo, se calhar nós sempre estivemos de acordo... Não nos soubemos foi explicar :)
Pois, talvez...é capaz de ter sido isso...tu tens o copo meio cheio e eu meio vazio...seja lá como fôr quem é q pode dizer o q realmente se passou naquela cabeça para 'gerar' a obra, viver a (pouca) vida e optar por a finalizar de sua vontade?!?...só podemos mesmo interpretar, conjecturar...e se a tua fresca idade te permite dizer q o copo estava meio cheio e a minha gasta idade me leva a dizer q estava meio vazio q mais podemos fazer???...ninguém te irá dar uns quantos anos a mais q porventura nem queres, nem ninguém me vai tirar tb uns quantos q eu, de todo, não quero...
...fiquemos assim, capítulo FE encerrado já q a verdade, neste caso, nc será conhecida na sua real essência...atira mas é outro...!;-)))
Confirmo Cristina que quem chega aqui assusta-se pelo debate, não só pela essência, conteúdo, mas quantidade. Não confirmo subsequentemente Amok que só as duas estão interessados no debate.
james stuart (szerinting.blogspot)interessa-se por esta matéria quando é levada a sério mesmo por quem nem de todo a domina, mais se souber (e souberem) do que tratam.
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