Cecília Meireles
Assim que li este poema de Cecília Meireles, lembrei-me de alguém que me faz companhia num blogue e que diz aqui "não tenho qualquer livro de poesia comprado por mim".Como o Mês da Poesia, para mim, é uma nova oportunidade para ler, reler e folhear algumas dezenas de livros de poesia que reclamam visita rotineira numa certa estante; e como, por aqui, também se pretende prestar homenagem aos poetas que Universalmente "olharam" de forma diferente; e especialmente porque o olhar de um matemático necessita de poesia para poder "desvendar" o Universo; aqui estou eu a relembrar Cecília Meireles, 1901-1964, poetisa brasileira, cuja obra infanto-juvenil revisito amiúde por variadíssimos motivos.
Traça a reta e a curva
A quebrada e a sinuosa
Tudo é preciso
de tudo viverás.
Cuida com exatidão da perpendicular
E das paralelas perfeitas.
Com apurado rigor.
Sem esquadro, sem nível, sem fio de prumo,
Traçarás perspectivas, projetarás estruturas.
Número, ritmo, distância, dimensão.
Tens os teus olhos, o teu pulso, a tua memória.
Construirás os labirintos impermanentes
Que sucessivamente habitarás.
Todos os dias estarás refazendo o teu desenho.
Não te fadigues logo. Tens trabalho para toda a vida.
E nem para o teu sepulcro terás a medida certa.
Somos sempre um pouco menos do que pensávamos.
Raramente, um pouco mais.
google images
A quebrada e a sinuosa
Tudo é preciso
de tudo viverás.
Cuida com exatidão da perpendicular
E das paralelas perfeitas.
Com apurado rigor.
Sem esquadro, sem nível, sem fio de prumo,
Traçarás perspectivas, projetarás estruturas.
Número, ritmo, distância, dimensão.
Tens os teus olhos, o teu pulso, a tua memória.
Construirás os labirintos impermanentes
Que sucessivamente habitarás.
Todos os dias estarás refazendo o teu desenho.
Não te fadigues logo. Tens trabalho para toda a vida.
E nem para o teu sepulcro terás a medida certa.
Somos sempre um pouco menos do que pensávamos.
Raramente, um pouco mais.
google images
Etiquetas: Mês da Poesia, Um matemático também precisa de poesia

5 Comments:
:) Agradecida! Nem imaginas o quanto isto vem a propósito!!!... ;)
«o olhar de um matemático necessita de poesia para poder "desvendar" o Universo»
Eu ia dizer alguma coisa aqui... mas fiquei tão embevecida com a tua lembrança, que acho que vou deixar passar... ;)
hummm, Cris...mas, ñ 'se dizia' q a matemática é poesia...???;-)
amok:
Lá está! "É" não "necessita" ;) Mas isto são divagações - não liguem! :)
a matemática poesia?
ora bolas, agora percebo!
Brincadeirinha, sim? ;)
A divagação foi só para combater um bocadinho a ideia generalizada do matemático sorumbárito, exclusivamente racional e totalmente absorto no seu "mundinho".
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