aulas???... para quê?!
Ouço na Antena1 que foi aprovado o novo Estatuto do Aluno e, para além das habituais desconfianças e reclamações dos sindicatos de professores, ouvi algo que me deixou a falar sozinha para o rádio como que o questionando de tamanha enormidade. Ouvi eu então que o aluno deixa de chumbar por faltas directamente, sendo garantida a hipóteses de passar à disciplina por exame final!!!
Gente! Estamos a falar do Básico e Secundário!!! E numa altura em que até o Ensino Superior está a procurar valorizar a avaliação contínua, vamos agora permitir que o aluno do Básico faça as disciplinas por exame final, sem ir às aulas, simplesmente porque não lhe apetece???!!! Vamos lá assentar umas ideias: o aluno já "tem direito" a faltar de forma injustificada três vezes o número de horas semanais da disciplina (e reforce-se que as faltas justificadas não entram nesta contabilização). Portanto, estamos a permitir a substituição da sala de aula por um exame final, simplesmente, porque sim!
As linhas orientadoras deste novo documento são:
- O aluno não sabe, nem quer saber - que me parece ser claramente o mais frequente em situações de reprovações por faltas. Não é um exame final sobre a aquilo que ele não sabe nem quer saber que o vai "salvar". Não se combate nem o insucesso, nem abandono, porque o aluno vai chumbar na mesma - desculpem-me a frontalidade...
- O aluno já sabe tanto que não precisa das aulas - no campo das hipóteses há que considerar todos os casos. Aqui, estamos a dispensar, descaradamente, a importância das aulas e do papel do professor, e a transformar a Escola num mero local de prestação de provas. Aqui, destrói-se toda e qualquer autoridade dos professores e da escola...
Alguém me explica qual é a ideia?... É que eu, não aplaudindo a postura da Ministra, tenho compreendido muitas das medidas que ela tem inventado, ou pelo menos tenho reconhecido os aspectos positivos as ideias no plano teórico. Mas aqui, nem isso... Alguém me explica?...
Gente! Estamos a falar do Básico e Secundário!!! E numa altura em que até o Ensino Superior está a procurar valorizar a avaliação contínua, vamos agora permitir que o aluno do Básico faça as disciplinas por exame final, sem ir às aulas, simplesmente porque não lhe apetece???!!! Vamos lá assentar umas ideias: o aluno já "tem direito" a faltar de forma injustificada três vezes o número de horas semanais da disciplina (e reforce-se que as faltas justificadas não entram nesta contabilização). Portanto, estamos a permitir a substituição da sala de aula por um exame final, simplesmente, porque sim!
As linhas orientadoras deste novo documento são:
combater o insucesso e o abandono
reforçando a autoridade dos professores e das escolas.
É bonito, lá isso é! Mas analisemos duas situações:reforçando a autoridade dos professores e das escolas.
- O aluno não sabe, nem quer saber - que me parece ser claramente o mais frequente em situações de reprovações por faltas. Não é um exame final sobre a aquilo que ele não sabe nem quer saber que o vai "salvar". Não se combate nem o insucesso, nem abandono, porque o aluno vai chumbar na mesma - desculpem-me a frontalidade...
- O aluno já sabe tanto que não precisa das aulas - no campo das hipóteses há que considerar todos os casos. Aqui, estamos a dispensar, descaradamente, a importância das aulas e do papel do professor, e a transformar a Escola num mero local de prestação de provas. Aqui, destrói-se toda e qualquer autoridade dos professores e da escola...
Alguém me explica qual é a ideia?... É que eu, não aplaudindo a postura da Ministra, tenho compreendido muitas das medidas que ela tem inventado, ou pelo menos tenho reconhecido os aspectos positivos as ideias no plano teórico. Mas aqui, nem isso... Alguém me explica?...
Etiquetas: Apostar na qualificação dos Portugueses, Atentado ao meu modo de vida, Ensino

11 Comments:
O importante não é que os alunos aprendam, que os professores sejam melhores professores, o objectivo deste Ministério é poupar dinheiro a todo o custo, subir as taxas de insucesso baixando o nível de exigência, deste e dos que o antecederam, e por isto é que o Básico é como é. Deixei de ligar a este Ministério quando no concurso para professor titular a única coisa que interessa são os cargos que foram desempenhados, mas não como foram desempenhados. Se isto é premiar os melhores... Para quem não está no ensino algumas medidas podem ter lógica. Quem lá está sabe que algumas são verdadeiras aberrações.
reacção de luís marques mendes à entrevista de josé sócrates (via público.pt):
« [...] utilizar um título que não se tem, fazer passar-se por aquilo que não se é revela uma falha de carácter, mina a credibilidade e afecta a sua autoridade [...] »
da biografia de luís marques mendes (via site do psd):
« [...] FORMAÇÃO ACADÉMICA
-Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra [...] »
mas não se costuma o mesmo apresentar como "doutor marques mendes", não sendo médico nem possuindo qualquer doutoramento? alguém alguma vez o ouviu corrigir para "senhor-licenciado-em-direito marques mendes"? em que ficamos?
leonor:
«Para quem não está no ensino algumas medidas podem ter lógica. Quem lá está sabe que algumas são verdadeiras aberrações.»
Sem querer desculpar ninguém... É também possível que: para quem está no ensino ALGUMAS medidas possam ter lógica; e quem está de fora perceba que ALGUMAS são verdadeiras aberrações. Certo? ;)
Note-se que isto foi apenas uma ressalva, que acho que muitas vezes passa despercebida. Mais uma vez: eu não estou a querer desculpar ninguém. E concordo inteiramente contigo, apesar de, talvez, numa postura mais moderada - sem esse exasperozinho (compreensível)... ;)
anónimo:
Presumo que isso seja assunto de uma outra caixa qualquer...
Eu não estou nem nunca estive exasperada, nem sequer desesperada. Se leres com atenção todos os posts que dediquei ao assunto, perceberias que esses são sentimentos ausentes na minha atitude relativamente ao ME. Talvez se frequentasses uma sala de professores percebesses o que é exaspero verdadeiro... Desde o início que disse que era necessária uma mudança, tive esperança que fosse para melhor, afinal vai tudo ficar mais ou menos na mesma. Aliás, digo-te que é desmotivante, queria que avaliassem a qualidade do trabalho que desempenhei ao longo dos meus quase vinte anos de carreira, não apenas sete, e nunca da quantidade de cargos que desempenhei.
leonor:
É precisamente por já ter lido posts teus sobre o assunto que me parece que estás um bocadinho mais irritada... Talvez porque a esperança que tinhas se esteja a desvanecer... Mas admito que possa estar a ler tudo mal... [Eu tenho de me deixar de interpretar textos!!! :)]
Quanto à sala de professores, não foram 20 anos, nem nada que se pareça, foi, até agora, apenas um, mas deu para ficar com uma ideia de um sentimento geral. E, claramente, há gente muito mais exasperada (e até desesperada) do que esta (psedo-)irritaçãozinha que te leio :)
Em termos de ensino este governo tem sido o desnorte total. Mas não é recente, há muitos anos que não há uma política educativa decente. Continuamos mancos, com um sistema que foi pensado para elites e que engloba agora toda a gente. Medo... temos ainda muito medo dos numeros, das reprovações, do ensino a sério, de forçar a disciplina. A ver vamos...
ora, ora...se os meninos têm autonomia para irem para o sul de espanha em viagens de finalistas à la morangos, também têm autonomia para fazerem exames ad hoc, viver sozinhos, votar...viva a liberdade juvenil!
e cenas e tal e legalize it...depois, quando chegarem aos 40, é tudo a transplantar fígados...
mariana, infelizmente a "autonomia" é dada pelos pais, as escolas são alheias às excursões de finalistas. Para sairem do país precisam de autorização dos pais, mas estes nem se informam se vão acompanhados de adultos... não vão e depois é o que se vê. Uma das coisas que mais me tem perturbado neste dois últimos anos é mesmo o abandono dos pais. É um chavão, eu sei, mas é verdade que os pais se demitem de educar, acompanhar, arriscar-me-ia a dizer a amar e compreender. Há excepções, claro.
Cristina, pela enésima vez não estou irritada, assertiva apenas.
mpr, concordo, não tenho memória de uma política educativa decente. O percurso do novo estauto da carreira docente desde a sua primeira versão até à última é hilariante e surreal.
leonor:
Peço, então, desculpa pela leitura incorrecta...
Quanto à inegável "demissão" de muitos pais, será que esses também poderiam também chumbar por faltas? Ou então, ainda serem submetidos a um exame final sobre o percurso escolar, em particular, e sobre o crescimento, em geral, do filho? :)
mpr:
«Medo... temos ainda muito medo dos numeros, das reprovações, do ensino a sério, de forçar a disciplina.» Será?... É capaz... Mas «ainda»?! «Ainda» desde quando? Eu diria, "agora, mais do que nunca"... Mas, antes eu estava do outro lado, o que condiciona sempre um bocado a visão :)
mariana:
:)
Este comentário foi removido pelo autor.
Sem problema, Cristina, quanto aos pais, já me coloquei essa questão. Que tal fazerem uma avaliação do seu próprio desempenho enquanto educadores? Pelo que li ontem no Público, os pais também vão ser responsabilizados pelo "desempenho" dos filhos na escola, o que acho muito bem. Professores há de todas as cores e feitios, é certo, mas se os pais colaborassem não precisaríamos de passar o tempo útil de aula a educá-los em detrimento de ensiná-los. Obviamente faz parte das funções do professor educar também, mas quando têm de substituir os pais nessa função, deixam de fazer o resto como gostariam.
Em relação aos exames acho que incidem apenas sobre a parte dos conteúdos a que faltaram. Teoricamente funcionam como inibidor do absentismo, acha a Ministra.
Bjs e bom fim-de-semana
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