terça-feira, dezembro 12, 2006

estórias por detrás da tela: «Guernica» revisitada [3]

Era previsível que a Exposição Internacional de Paris de 1937 iria arrastar milhares de visitantes ao Pavilhão da República Espanhola, e que estes não poderiam ser encarados como os habituais visitantes de museus. Desde logo, o Pavilhão não era um museu, e era esperado um público bastante diversificado. Estes elementos foram considerados por Picasso quando da criação do mural, e deve ser levado em conta na análise da obra.

«Guernica» foi criada com o intuito de ser contemplada, em simultâneo, por um vasto número de pessoas – daí a sua dimensão colossal, a redução das gamas de cores ao branco e preto, e as intencionais similitudes com um grande cartaz. A obra pretendia produzir efeito sobre as pessoas [muitas pessoas].

[clique na imagem para observar os pormenores]

«Guernica» a 11 de Maio de 1937

Com «Guernica» Picasso pretendia denunciar ao mundo a morte trágica de inocentes em resultado da guerra e da crueldade humana. Esta obra é um apelo do artista à acção dos homens - um alerta contra a passividade perante os problemas da humanidade.

No quadro, o espaço adquire características ambíguas de interior/exterior. Como se o artista cubista se movesse por entre exteriores e interiores, e voasse sobre os telhados, observando o nefasto acontecimento de todos os ângulos possíveis e imaginários.

[continua...]

estórias por detrás da tela: «Guernica» revisitada [1]
estórias por detrás da tela: «Guernica» revisitada [2]

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2 Comments:

Blogger BRUNO said...

"atacar" uma tela já é dificil o suficiente. consideramos não só o tamanho mas também diversos outros aspectos - à partida ridículos - tais como o branco raiado do canvas ou a irritante sensação que nos falta concerteza uma certa quantidade de uma qualquer cor, com que implicamos em particular.

gostava de poder imaginar aquele momento em que picasso olhou para a tela, com o pincel que mais lhe agradou na mão, mergulhado numa mistura de branco e negro que possa ter escolhido por impulso, olhou à procura de uma imagem e de um ponto de partida... e descaiu em carga para a tela.

3 ou 4 segundos de génio...humano!

terça-feira, dezembro 12, 2006 9:59:00 p.m.  
Blogger BRUNO said...

quando se acaba, a sensação eu não está acabada acompanha até um ponto que acaba por ser natural. mais uma pincelada? um esbatimento aqui ou acolá? pintar aquela bosta de novo até bostar a tela enquanto se repinta?

são os outros que devem vir depois de nós, contudo enquando pintamos para nós pensamos com os outros no que dali saírá.

o umbigo do pintor só é valido quando alguem lhe diz que é valida a sua visão na tela...

... mas começa sempre pelo pintor se aperceber que tem um umbigo e que pointa para ele mesmo, antes de outros!

terça-feira, dezembro 12, 2006 10:30:00 p.m.  

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