estórias por detrás da tela: «Guernica» revisitada [1]
João Cutileiro: «Picasso foi um escultor que "vendeu a alma" à pintura»
No início de 1937, quando em Espanha se vivia intensamente uma devastadora guerra civil, o Arquitecto Catalão Josep Luís Sert visita Picasso em Paris com o intuito de o desafiar a pintar um grande mural para o pavilhão republicano espanhol na Feira Internacional de Paris – com inauguração prevista para o mês de Maio desse mesmo ano.
Apesar do apoio de Picasso à causa republicana espanhola, o artista mostrou alguma relutância em aceitar o convite. Em primeiro lugar porque, até à data, nunca se tinha dedicado a um trabalho específico de propaganda política; e também, porque a dimensão do projecto era algo que não era concebível aos seus próprios olhos.
No passado, ocasionalmente, Picasso já tinha dado mostras na sua obra das suas opções políticas, e contribuía monetariamente na ajuda aos refugiados políticos espanhóis, mas sempre de forma reservada e confidencial – apesar do seu núcleo de amigos estar indubitavelmente conotado com a causa republicana (esquerda antifascista e anarquistas).
Ainda no início do ano de 1937, Picasso escreve o texto «Sonho e Mentira de Franco», onde se refere pela primeira vez, de forma explícita, à Guerra Civil Espanhola:
«Gritos das crianças, gritos das mulheres, gritos dos pássaros, gritos da flores, gritos das árvores e das pedras, gritos dos tijolos, dos móveis, das camas, das cadeiras, dos cortinados, das panelas, dos gatos e do papel, gritos dos cheiros, que se propagam uns após outros, gritos do fumo, que pica nos ombros, gritos, que cozem na grande caldeira, e da chuva de pássaros que inundam o mar.»
Na mesma altura, Picasso compõe um trabalho gráfico satírico, tipo cartoon, com o intuito de ser reproduzido em formato postal. Estes postais são vendidos em conjunto com uma folha do texto «Sonho e Mentira de Franco», como forma de angariar fundos a favor da causa republicana. Tal como «Guernica», este postal satírico também de “lê” da direita para a esquerda.
[CLIQUE NA IMAGEM PARA OBSERVAR OS PORMENORES]
Não é difícil de vislumbrar neste postal imagens que nos remetem para «Guernica»: um cavalo tombado; uma mãe que chora a perda do filho: uma mulher de braços erguidos aos céus; o sofrimento; a crítica implícita a Franco; a "ausência" de cor...
[continua…]
No início de 1937, quando em Espanha se vivia intensamente uma devastadora guerra civil, o Arquitecto Catalão Josep Luís Sert visita Picasso em Paris com o intuito de o desafiar a pintar um grande mural para o pavilhão republicano espanhol na Feira Internacional de Paris – com inauguração prevista para o mês de Maio desse mesmo ano.
Apesar do apoio de Picasso à causa republicana espanhola, o artista mostrou alguma relutância em aceitar o convite. Em primeiro lugar porque, até à data, nunca se tinha dedicado a um trabalho específico de propaganda política; e também, porque a dimensão do projecto era algo que não era concebível aos seus próprios olhos.
No passado, ocasionalmente, Picasso já tinha dado mostras na sua obra das suas opções políticas, e contribuía monetariamente na ajuda aos refugiados políticos espanhóis, mas sempre de forma reservada e confidencial – apesar do seu núcleo de amigos estar indubitavelmente conotado com a causa republicana (esquerda antifascista e anarquistas).
Ainda no início do ano de 1937, Picasso escreve o texto «Sonho e Mentira de Franco», onde se refere pela primeira vez, de forma explícita, à Guerra Civil Espanhola:
«Gritos das crianças, gritos das mulheres, gritos dos pássaros, gritos da flores, gritos das árvores e das pedras, gritos dos tijolos, dos móveis, das camas, das cadeiras, dos cortinados, das panelas, dos gatos e do papel, gritos dos cheiros, que se propagam uns após outros, gritos do fumo, que pica nos ombros, gritos, que cozem na grande caldeira, e da chuva de pássaros que inundam o mar.»
Na mesma altura, Picasso compõe um trabalho gráfico satírico, tipo cartoon, com o intuito de ser reproduzido em formato postal. Estes postais são vendidos em conjunto com uma folha do texto «Sonho e Mentira de Franco», como forma de angariar fundos a favor da causa republicana. Tal como «Guernica», este postal satírico também de “lê” da direita para a esquerda.
[CLIQUE NA IMAGEM PARA OBSERVAR OS PORMENORES]Não é difícil de vislumbrar neste postal imagens que nos remetem para «Guernica»: um cavalo tombado; uma mãe que chora a perda do filho: uma mulher de braços erguidos aos céus; o sofrimento; a crítica implícita a Franco; a "ausência" de cor...
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Etiquetas: Guernica revisitada, Pablo Picasso

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