segunda-feira, janeiro 23, 2006

Por detrás da tela: Guernica (2)

Segunda-feira, 26 de Abril de 1937. Em plena guerra civil espanhola, a Legião Condor da Luftwaffe (Força Aérea Alemã), ao serviço do General Franco, sobrevoa Guernica de forma a reconhecer os melhores alvos. Era dia de feira na cidade Santa Basca. Os sinos da Igreja de Santa Maria alertaram a população para o ataque iminente. O bombardeamento começou às l6:40 horas e continuou, ininterruptamente, durante três horas.

“Aviões de combate em voo rasante apareceram sobre o horizonte, vindo em ondas, despejando toneladas de bombas e projécteis incendiários. Os esquadrões alemães eram protegidos pelos aviões de combate italianos no ataque, o primeiro coordenado em comum pelas forças de Hitler e Mussolini. Então vieram os aviões de combate da Luftwaffe que metralharam tudo o que se movia. Guernica foi arrasada num dia; milhares de pessoas morreram ou ficaram feridas pelas bombas, granadas e chamas. Ninguém pôde avaliar o número exacto das vítimas, porque a população da cidade aumentara por ser dia de feira.”
Herbert Mitgang, New York Times, 24/07/2000: “Em Guernica, determinação para perdoar, mas nunca esquecer”

«Guernica, a mais antiga cidade das províncias bascas e centro da sua tradição cultural, foi ontem completamente destruída por um ataque aéreo dos rebeldes. O bombardeamento da cidade desprotegida, situada muito atrás da linha de combate, durou exactamente três quartos de hora. Durante esse tempo, uma forte esquadrilha de aparelhos de origem alemã – aviões de bombardeamento Junkers e Heinkel, assim como caças Heinkel – lançou ininterruptamente bombas, algumas com 500 quilogramas, sobre a cidade. Simultaneamente, aviões de caça em voo picado rasante atiravam com metralhadoras sobre a população que tinha fugido para os campos. Num curto espaço de tempo, toda a cidade estava em chamas.»
Times, Londres, 27 de Abril de 1937
[Clique aqui para ver o short movie, "Guernica", de Russel Bernice, 1'17"]

A 28 de Abril de 1937 surgem publicadas as primeiras fotografias do ataque, no jornal comunista L’Humanité. Picasso fica profundamente chocado com as imagens que são veiculadas pela imprensa, e a 1 de Maio de 1937, inicia no seu atelier em Paris os primeiros esboços do que viria a ser o seu quadro mais famoso: Guernica.

Nestes primeiros estudos, Picasso, inclui muitos temas e símbolos já familiares na sua obra: o cavalo, o touro e a mulher que segura o candeeiro com o perfil de Marie-Thérèse.



















Guernica (estudo), Paris, 7 de Maio de 1937
Lápis em madeira, 53,7x64,7 cm
Centro de Arte Reina Sófia, Madrid

Já se nota que o artista tem uma ideia bastante predefinida da obra, mas ainda está longe da obra-prima final, que terminaria em pouco mais de um mês e após 45 estudos preliminares.

«O que pensa que é um artista? Um idiota, que só tem olhos quando pintor, só ouvidos quando músico, ou apenas uma lira para todos os estados de alma, quando poeta, ou só músculos quando lavrador? Pelo contrário! Ele é simultaneamente um ente político que vive constantemente com a consciência dos acontecimentos mundiais destruidores, ardentes ou alegres, e que se forma completamente segundo a imagem destes. Como seria possível não ter interesse pelos outros homens e afastar-se numa indiferença de marfim de uma vida que se nos apresenta tão rica? Não, a pintura não foi inventada para decorar casas. Ela é uma arma de ataque e defesa contra o inimigo.»
Picasso

[continua...]
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4 Comments:

Blogger sabine said...

Que fixe! Onde foste buscar tanta informação? ;)

segunda-feira, janeiro 23, 2006 9:48:00 da tarde  
Blogger André Carvalho said...

Estou a basear-me num trabalho que fiz na faculdade e que encontrei recentemente nos meus arquivos. No último post, vou referenciar as fontes mais relevantes.

segunda-feira, janeiro 23, 2006 10:15:00 da tarde  
Blogger Sílvia said...

E eu a pensar que tinhas ido buscar a última citação ao meu blog! Ohhh :o( Mas estou a adorar. Bom trabalho.

terça-feira, janeiro 24, 2006 3:11:00 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Olá Sílvia,

A frase a que te referes, retirei-a do Picasso da Taschen. Não foi da edição do Público, porque na altura ainda não existia essa edição. Mas como o que estou a escrever já pouco tem a ver com o meu trabalho original, podes considerar que a retirei do teu post. :)

Ainda bem que estás a gostar. A parte mais interessante ainda vem aí… a análise ao Guernica.

terça-feira, janeiro 24, 2006 10:28:00 da manhã  

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