Praia da Tocha
Lembro-me perfeitamente da primeira vez que fui à praia da Tocha, na altura tirei uma daquelas fotos que se costumavam tirar na praia, lembram-se? Normalmente sentados num cavalinho de pau. E num preto e branco muito cinzento.
É claro que tanto na praia da Tocha, como na Figueira, o cinzento de fundo coincidia com alguma ventania passageira.
Para estas bandas, praia e ventania são elementos absolutamente conciliáveis. Aliás, os dias que mais recordo da praia, seja ela qual for, ou é o sol escaldante ou a ventania cortante.
E até em paragens habitualmente consideradas idílicas o vento me acompanhou.
Deve ser companheiro de jornada, um amor indefectível.
Manifesto, aqui, o meu desinteresse por tal amor.
Se há coisa que eu não suporto, na praia, é não poder ler sossegadamente um dos livros que escolhi para aquele Verão.

A avenida principal da praia da Tocha está virada para o mar, como seria de se esperar, e torneada de um lado pelos limites indefinidos do Oceano Atlântico e pelos palheiros, alguns recuperados outros não, e por um ou outro café com esplanada, e um ou outro prédio/casa pouco respeitador da construção típica.
Quando entramos na vila, uma rotunda recebe-nos de braços abertos e oferecendo duas alas, aparentemente inconciliáveis: uma revelando uma construção atípica e pouco atenta à preservação de uma certa forma de estar; e outra recreando os palheiros dos pescadores e um cuidado extremo nos arranjos exteriores, verdes e arborizados.
A primeira vez que fui à praia da Tocha lembro-me do fotógrafo com o cavalo e aquela máquina mágica e, igualmente, dos bois puxando o pescado e a imensidão do mar e areal.
Essa imagem ainda perdura na minha memória e de tal maneira que sempre que chego à praia e em substituição dos bois, vejo os tractores, resisto à mudança. É uma forma, muito minha, de ter espaço para resistir a alguma coisa, nem que seja ao upgrade das memórias.
Fotos 1 e 2
Etiquetas: Pelos caminhos de Portugal, Praia da Tocha

1 Comments:
Ventania passageira? Na Figueira da Foz? Estás a falar daquela nortada permanente que nos acaba de congelar quando saímos das águas geladas?
(E não se iludam, gosto muito da Figueira...)
;-)
Beijos
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