sexta-feira, abril 09, 2010

A extinção

Há dias li um artigo científico, salvo erro no Público, de uma lucidez chocante. O txt versava sobre a extinção dos dinossauros, exercício do poder e organização social, isto é os dominantes e os dominados. As reflexões conduziam à seguinte problematização: a organização social tende a reproduzir-se de espécie dominante para espécie dominante, e apesar de o exercício de dominação ser exercido fundamentalmente por um ou mais actores, existem espécies dominantes e dominadas. Contudo, a ordem social é ciclicamente substituída, ou seja a espécie animal que domina numa determinada época é substituída por outra, noutra época. A natureza encarrega-se de extinguir a espécie dominadora (e dominados?) e a criar e a alavancar processos que possibilitam o surgimento de outras espécies (dominadoras e dominadas).
Convenhamos que tal visão do mundo é algo determinista e reproduz uma certa hermenêutica do desejo das classes dominantes: se isto sempre foi assim, porque há-de agora ser diferente?, apelando, por isso, a uma atitude conformista (e conveniente) por parte dos dominados.
Contudo, seria interessante analisarmos esta ideia numa outra perspectiva, questionando, por exemplo, a adopção de tal modelo. Se adoptarmos tal modelo ao presente quer isto dizer que o ser humano, como qualquer outro animal, exercita uma dominação circunscrita a uma determinada época histórica. Sendo assim, se a nossa visão de mundo se guiasse por este paradigma a vida seria melhor, pior, mais fácil, mais difícil, nim, …?

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1 Comments:

Blogger Luis said...

Eu diria que, atendendo ao tempo que a evolução das espécies costuma demorar, isto a mim não me aquece nem me arrefece ...

sexta-feira, abril 09, 2010 9:15:00 da tarde  

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