terça-feira, julho 31, 2007

Alice no país das maravilhas

Há um certo rapaz, não digo o nome, que me nomeia uma "espécie" de Alice no país das maravilhas.
Vai daí, lá vou eu a correr "desemprateleirar" a Alice p'ra desentender o remoque.
[A memória, infelizmente, não conserva todos os livros bons que já lemos.
Felizmente também não compota todos os maus.]
Não sei se se lembram, "Alice..." começa assim:

"Alice começava a sentir-se farta de estar sentada ao lado da irmã à beira do rio, e ainda para mais sem ter nada que fazer; por uma ou duas vezes dera uma espreitadela ao livro que a irmã estava a ler, mas não tinha bonecos nem diálogos. «E para que serve um livro», pensava Alice, «sem bonecos nem diálogos?»
Por isso dava voltas e voltas ao pensamento (o mais que podia, pois o dia estava tão quente que se sentia morta de sono e completamente estúpida), considerando se o prazer de fazer um colar de malmequeres compensaria a maçada de ter de se levantar e ir apanhá-los, quando de repente um Coelho Branco com olhos vermelhos passou por ela a correr.
Na verdade, não havia nisto nada de muito especial; e Alice nem sequer pensou que fosse muito fora de vulgar ouvir o Coelho dizer de si para consigo: «Ai, ai! Já vou chegar atrasado!» (Quando mais tarde pensou nisto melhor, veio-lhe à ideia que devia ter ficado espantada com semelhante coisa, mas na altura parecera-lhe perfeitamente natural); porém, quando naquela ocasião o Coelho tirou um relógio do bolso do colete, viu as horas e apressou o passo, Alice deu um salto e pôs-se de pé, pois de repente lhe acudiu ao pensamento que nunca vira um coelho usar colete nem relógio para tirar do bolso, e, morrendo de curiosidade, correu pelos campos fora atrás dele, e chegou mesmo a tempo de o ver esgueirar-se por uma toca debaixo de uma sebe.
Instintivamente, meteu-se Alice também por ali, atrás dele, sem ter pensado uma única vez como é que iria sair daquela toca."

CARROLL, Lewis, Alice no País das Maravilhas, Porto, Colecção Geração Público, 2004, p. 5-6

Já tinha poucos livros para levar para férias, mais um não faz mal.
Alice é das crianças literárias mais imaginativas e surpreendentes.
Comparar-me a uma criança literária é, para mim, um elogio do caraças!
Vou sair de fininho p'ra não "toparem" o "brilhozinho nos olhos".

Meu Deus, até o amor por "procriar" palavras existe em Alice.
"Mas que estranhidade!"

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2 Comments:

Blogger cristina said...

«o dia estava tão quente que se sentia morta de sono e completamente estúpida»

Muito adequado! :)

terça-feira, julho 31, 2007 2:09:00 da tarde  
Blogger Carlos Malmoro said...

O certo rapaz que eu também não vou dizer o nome, não porque não queira, mas porque já me esqueci dele, deseja-te boas leituras de Verão. ;)

terça-feira, agosto 07, 2007 12:27:00 da manhã  

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