terça-feira, maio 08, 2007

Os pontos

Nem sempre me é claro de onde vieram algumas das alterações em curso no Estatuto da Carreira Docente e no próprio sistema educativo. Pode parecer à partida que esta é uma preocupação própria de quem é professor mas, na verdade, as alterações dizem respeito a todos nós, pais, filhos, educadores e obviamente ao país todo, é sabido que a educação deve fornecer os alicerces sólidos sobre os quais se construirá um país mais competente e competitivo, sabe-se porém, como está a construção neste país, portanto, a comparação não será das mais felizes, até porque a engenharia é outra das áreas que está como se ouve e vê.
Dou por mim a pensar mas onde foram buscar esta ideia, aquelas ilustres cabeças? Isto quando já percorri todas as outras hipóteses: as directrizes da Europa, travar a progressão para acabar com o défice, extenuar os professores para os obrigar a aposentarem-se com prejuízo da sua reforma, um caso mal resolvido com algum professor/professora, o professor do filho/filha/irmã/irmão/sobrinho/sobrinha/filho da vizinha/filha do vizinho é gordo, parvo, usa brinco, tem cabelo comprido, tem uma maneira esquisita de falar, é pobrezinho, usa a mesma mala o ano inteiro, só tem um par de botas, e isto porque o que aí vem deve ter muito mais razões do que o bom-senso e a qualidade do ensino. A ideia surgiu-me quando vi passar em rodapé num canal de televisão algo sobre o festival da canção. Certamente a titular da pasta da Educação terá assistido a muitos festivais da canção e aquela coisa dos pontos meteu-se-lhe no âmago: Portugal, three points, trois points, três pontos, e por aí fora… e vá de implementar este sistema ao que diz ser a avaliação dos professores. Resta saber se o Eládio Clímaco vai estar presente. Outra das hipóteses serão os pontos que se juntam em cadernetas nas grandes superfícies para se comprar o faqueiro de sonho, o trolley ou o trem de cozinha, ou os pontos das operadoras de telemóvel. Neste momento tenho cerca de 2000 pontos no telemóvel. Acham que isto diz alguma coisa sobre quem sou? Certamente que falo muito, mas jamais se falo bem. Assim é com os pontos da minha carreira profissional. Pouco dirão sobre a qualidade do trabalho desempenhado e isso seria aquilo que interessaria avaliar a bem do ensino.
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4 Comments:

Blogger cristina said...

Gostei do professor da filha do vizinho ser gordo, parvo e usar a mesma mala o ano inteiro! :)

Explica lá melhor essa história dos pontos!... [ Eu tenho 1300 pontos no cartão da gasolina... dá para converter? :D ]

terça-feira, maio 08, 2007 10:28:00 da tarde  
Blogger Leonor Barros said...

Acho que esses não dá ;-)

Para os professores poderem ser/concorrer a professores titulares têm de ter x pontos. Quanto mais pontos tiveres, mais possibilidades tens de ter um lugar, uma vez que só um terço será titular e se não fores titular passas o resto da vida no mesminho escalão. Os pontos contabilizam-se mediante o número de cargos que ocupaste ao longo dos últimos sete anos de carreira. Existe uma tabela/formulário em que estão especificados quantos pontos vale cada cargo. É a loucura, como diz o outro ;-)

terça-feira, maio 08, 2007 11:20:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Também já me indaguei se poderia converter os pontos do meu cartão BP em pontos para titular. Ou se os pontos que levamos depois de uma cirurgia contam ;-)... mas já percebi que a única coisa que conta é ser professor e ensinar. Cada vez mais aprecio a sua atitude interventiva neste marasmo educacional. Por favor continue! É um prazer ler o que escreve!

Professora (des)encantada

quinta-feira, maio 10, 2007 10:16:00 da tarde  
Blogger Leonor Barros said...

Muito obrigada pelas suas palavras.
Com os da cirurgia não me "safava", já com os do telemóvel e os do cartão Fnac não me sairia mal... ;-)

quinta-feira, maio 10, 2007 10:32:00 da tarde  

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