sábado, janeiro 28, 2006

A Hora da Literatura. Efeméride

«- Quem eram os filósofos que...
- Oh, o Zenão e o Diógenes... Tão velho o argumento.
- Talvez. Um dizia que era impossível andarmos. O outro, simplesmente, andava. Mas acabou-se, discutamos. Sei, realmente, que a minha acção é provisória. Sei que depois de um dia vem outro dia. E que esse dia é diferente. Mas esse dia não será melhor, se não fizermos do anterior um dia bom. Claro como a água, parece.Daqui a pouco, a sombra do castanheiro vai deixar-nos ao sol. Mas, por enquanto, faz o seu serviço e é o que se quer. Limitação? De acordo. Vocês que sabem palavras bonitas, podiam chamar-lhe outra coisa. Eu dou uma ajuda. Por exemplo: heroísmo, grandeza humana, na humildade cautelosa, no espírito de renúncia. Com os materiais de que dispomos num momento, lutamos. Lutamos como se a nossa acção fosse definitiva.Nisto, somos todos iguais. Simplesmente, eu penso no depois. Questão da previdência, pelo menos. Eis aí, pois, o problema: cada época tem um valor relativo em função de outras épocas; mas, fechada nos seus limites, considerada em si mesma, o seu valor é absoluto. Eu vejo isto claramente, toco-o com as mãos. Bom. Acho que falei demais. E vãmente, decerto. Por debaixo do nosso plavreado estão os motivos que o esclarecem.»
Vergílio Ferreira, Mudança


Eu tinha 17 anos quando li Aparição. Com 17 anos, é fácil levar murros no estômago, mas aquele foi forte. Seguiu-se Para Sempre, Mudança, outros.
A 28 de Janeiro de 1916, nascia Vergilio Ferreira.

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4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Confesso que não leio um livro há muito tempo - mais do que devia! Mas não arranjo tempo... - desculpa esfarrapada, mas é verdade!

De Vergílio Ferreira só conheço "Aparição", que foi o único livro que li duas vezes! Li, provalvelmente como tu, com 17 por obrigação para a escola, e tive a perfeita noção que me passou muita coisa ao lado... Depois de analisada a obra nas aulas fiquei com a sensação que até teria gostado da obra, se a tivesse percebido! Passados três ou quatro anos - quando ainda tinha tempo para ler!!! - decidi voltar a pegar no livro e, só aí, soube apreciar a obra! Fiquei com vontade de ler mais alguma coisa do senhor, mas...

Aceito sugestão do "mestre literário" da casa... Não prometo que vá a correr comprar o livro, mas fica registado!

segunda-feira, janeiro 30, 2006 12:10:00 da manhã  
Blogger Filipe Alves Moreira said...

Vale bem a pena lê-lo, Cristina!

segunda-feira, janeiro 30, 2006 10:14:00 da tarde  
Blogger Zozô said...

:) Os meus preferidos são Até Ao Fim, Para Sempre e Cartas a Sandra. Inexcedíveis.

terça-feira, janeiro 31, 2006 3:58:00 da tarde  
Blogger Filipe Alves Moreira said...

Sobretudo o "Para Sempre", Afrodite, sobretudo! Aliás, a Sandra das "Cartas..." já não tem a vitalidade da Sandra do "Para Sempre". Para mim, claro.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006 9:19:00 da tarde  

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