sexta-feira, dezembro 21, 2007

Novembro

A característica mais difícil de conseguir quando se compõe música de fusão é a coerência. Não se pode estar a ouvir uma canção neste estilo e ouvir distintamente cada um dos géneros: tem de ter um só corpo - por isso se chama de fusão. Estas composições têm o cariz de aproximar os modernos da música tradicional e os conservadores da música liberal (não, não estamos a falar de política). Quando a coerência não se alcança, parece que estamos a ouvir uma banda com graves problemas psicológicos ao nível da dupla personalidade ou, eufemisticamente, os instrumentos parecem estar colados com cuspo à canção.

Os «Novembro» são um novo grupo de fusão de música portuguesa com a pop/rock. Apadrinhados por Rodrigo Leão, vão lançar o seu álbum de estreia em Janeiro e, pelo single que se vai ouvindo aí pelas rádios, Solidão a Dois, parecem ser um dos projectos mais arrojados, bem feitos e prometedores para 2008. O cantar cheio de melancolia, os trinados da guitarra portuguesa e a bateria que vai buscar o ritmo à percussão lusa, formam um magnífico par com as guitarras acústicas em distorção, os samples e a estrutura pop do tema. E, claro, como acima disse, neste género musical, a coerência e a consistência do som é a prova da qualidade ou não do trabalho. E, em relação aos «Novembro», só posso dizer que tudo aquilo faz sentido.

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