domingo, março 08, 2009

a cp deseja...

Chegada a Campanhã ainda em estado semi-sonolento (intepndentemente de serem já quase horas de almoço). O bilhete. Uma sande para forrar o estômago. Hummm... linha 8... Comboio já estacionado. Entro, sento-me, acomodo-me... Partimos.
Comboio Intercidades número não sei o quê com destino a Lisboa Santa Apolónia. Tem paragem em blá, blá, blá e hora de chegada prevista 16h. A CP deseja a todas as mulheres um dia feliz!
Ããããh????! Ahhhhhhhhh!!!! Hoje é Dia da Mulher!!! Que bonito! Tão atenciosos! E isto dito assim, com voz de intercomunicador entre duas estações, tem outro encanto!...

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sexta-feira, março 07, 2008

Coisas de época V

Vocês vão ser papadíssimos.

TVI, (07/03/2008), Morangos com Açúcar

A frase é dita em tom de desafio por uma jovem com olhar de matadoura de toiros que acabou de ser convidada por um rapazola para um confronto épico e sem quartel num jogo electrónico. Sintomático e educativo...

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quinta-feira, março 06, 2008

Coisas de época IV

Caminhámos juntos, perdidos nos nossos próprios pensamentos. Esqueço-me de onde estamos, ou de quando foi. Depois tu aproximaste-te, fizeste-me uma festa no cabelo e pegaste-me na mão; eu sei que me estavas a agarrar na mão e a falar comigo docemente. De súbito tive a sensação de que tudo estava como deveria e nada podia ser acrescentado a esta felicidade ou satisfação. Isto era tudo o que existia, e tudo o que poderia existir. O melhor de tudo tinha-se acumulado neste momento. Só podia ser amor.

Hanif Kureishi, (1998), Intimidade

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quarta-feira, março 05, 2008

Coisas de época III

É evidente que nunca nos apresentámos. Embora, na verdade, nas escadas, na rua, nos encontrássemos muitas vezes, mas parecia que ela não reparava em mim. Nunca a via sem os óculos escuros, sempre bem arranjada, a simplicidade das suas roupas exibia um bom gosto discreto, os azuis e cinzentos e a falta de brilho, que faziam com que ela, por si, irradiasse toda a luz. Era possível confundi-la com um modelo fotográfico, talvez uma jovem actriz, mas era óbvio, a julgar pelas horas a que entrava em casa, que não tinha tempo para ser nenhuma das duas coisas.

Truman Capote, (1958), Breakfast at Tiffany’s


P.S. - Traduzir o título deste livro para Boneca de Luxo é atroz. Tão atroz como ter o vinil dos U2 - The Joshua Tree, que na sua primeira edição portuguesa, em 1987, veio traduzido na nossa língua mãe, e de onde se podem retirar as pérolas que são de resto grandes êxitos destes senhores: Contigo ou sem ti, Ainda estou à procura do que não encontrei , Onde as ruas não têm nome.

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terça-feira, março 04, 2008

Coisas de época II

E afasta-se, sorrindo, enquanto o vento faz estremecer a sua écharpe clara e o reflexo da palha vermelha do chapéu lhe dá à pele crestada do rosto e do pescoço um tom luminoso e róseo de morango. Inclina-se, debruça-se sobre o parapeito da tolda para ver melhor. A aragem e o sol cingem-na numa onda de luz tão viva que seu vulto ligeiro, ondulando, quase confundindo-se com a cor das velas que sulcam o horizonte, dir-se-ia uma emanação da própria claridade matinal.

Augusto de Castro, (1928), As Mulheres e as Cidades

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segunda-feira, março 03, 2008

Coisas de época

As mulheres portuguezas são muitas vezes formosas e algumas vezes completamente bellas. Teem cabellos abundantes, o olhar meigo, suave e penetrante; os dentes são incomparáveis. Os pés são um pouco grandes, mas as mãos são encantadoras. Bem postas nas pernas, de talhe elegante, posto que um pouco nutridas, a cor da pelle pouco brilhante, ar ousado, a cabeça posta elegantemente, trazendo com um desembaraço mais modesto do que pretencioso a curta saia e o chapéo airoso.

Louis Figuier, ( 1873), As Raças Humanas.

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