quarta-feira, abril 30, 2008

Não há mal que não venha por bem

Há figuras políticas polémicas no mau sentido que têm o condão de transformar um "fazedor de opinião" brilhante num articulista de segunda classe. Não há escritores de crónicas que lhes resistam. Normalmente os argumentos giram à volta da falta de credibilidade, da inconstância e do "povo" que os acompanha ou então por teses de conspiração, entre argumentos mais ou menos variados, depende da imaginação criativa/conhecimento do escritor acerca do político em causa.
Há, no entanto, um exercício interessante de se fazer quando estamos perante bombos da festa: imagina-te no lugar dos seus filhos, dos seus pais, dos seus amigos, da sua namorada/companheira/mulher. Se estivesses nos seus lugares que tipo de conforto sentirias com escritos tão, profundamente, literários? Imagino que desse lado há quem pense: olha, olha, e achas que esses políticos perdem oportunidades para nos/te vilipendiar?
Sim, compreendo que tal argumento tem pouca validade, afinal se todos pensássemos assim há jornais/canais de televisão que pura e simplesmente se eclipsariam e jornalismo de investigação cujo conteúdo se resumiria a pouco.
Não me parece, no entanto, que estejamos a tomar consciência de questões importantes:
- de que forma o descrédito da política afecta a democracia?
- de que forma a manipulação jornalística, em prole de vendas/audiências, afecta a forma como observamos o mundo em que vivemos?
- de que forma a superficialidade, a generalização apoiada apenas numa experiência de senso comum, afecta a nossa vivência em sociedade?

Estes políticos são apenas um exemplo objectivo e figurativo de casos de indignidade e leviandade a todos os níveis. Não me interessam, minimamente, os ajustes de contas, as injustiças sofridas, as razões de queixas. Os jornais estão repletos de informações bombásticas sobre políticos da praça cuja investigação criminal tem milhares de páginas e cujo resultado é uma notícia de telejornal de alguns segundos, quando é. Esta forma de pressão do jornalismo sobre a investigação, tribunais, tem conduzido ao descrédito do funcionamento das instituições públicas. Compreendo que há interesses em determinados sectores na descredibilidade de certas instituições. Há, por exemplo, interesses privados na descredibilização da escola pública, há, por exemplo, interesses privados na descredibilização da saúde pública. Quanto maior for o desinvestimento dos estados nessas áreas, mais oportunidades de negócios globais elas proporcionam. O papel dos jornais, dos canais de televisão, não deve ser, por isso, exercido sem pensar nestas questões.
Quando surgem crónicas, notícias do género, lembro-me sempre da minha aldeia, onde toda a gente conhece os "podres" de toda a gente e onde um, de vez em quando, é o bombo da festa.
Oh, mas afinal para quê exagerar? Trata-se apenas de um exercício de catarse pública, traduzido no proverbial "não há mal que não venha por bem".

Agenda da semana:
Ir a correr ao clube de vídeo e rever o último filme de Robert Redford, Lions for Lambs, Meryl Streep num papel inesquecível. Um exercício excelente sobre a nossa responsabilidade na sociedade.
Partilhar

terça-feira, abril 29, 2008

Há dias assim [é pena é não serem mais]

Como recentemente [mera constatação de facto] venho demonstrando uma mais ou menos conveniente mas não menos surpreendente veia para assuntos do foro futebolístico, e como neste mês de Abril andamos a revisitar no GR os anos 80, não me perdoaria [ou como diria o outro: jamais!] se deixasse passar em claro um acontecimento que decorreu em meados dessa gloriosa [salvo seja] década, e que marcará, para todo o sempre, a História do Desporto Rei do nosso país.

Decorria o bem-aventurado ano de 1986 D.C., e faltavam apenas dez dias para a consoada [época do ano particularmente indigesta, recordarão alguns], vivia-se em Portugal o dealbar da já comummente designada “Era do Futebol Moderno” – quiçá, porque umas quantas equipas começaram a utilizar o sistema 4-4-2, abandonando a [até então] famosa táctica do pontapé para a frente e fé em Deus. E por falar em Deuses [é espantoso como estas coisas, mesmo que parecendo que não, acabam por andar sempre indubitavelmente interrelacionadas]: Salazar já nos tinha abandonado há quase duas décadas; consequentemente, Eusébio tinha começado a frequentar assiduamente o bar do restaurante Tia Matilde há cerca de uma década; e Pinto da Costa, só andava ainda há pouco mais de meia década em périplo pelo país, “alegadamente”, em mera missão de confraternização com os senhores árbitros.

Apesar de em 1986 os portugueses já poderem visionar, ao vivo e a cores, e com recursos a sucessivos Replays, aqueles lances mais ambíguos que ainda hoje continuam a decidir [pre]determinados jogos, os Bordeis ainda não tinham sido rebaptizados de Bares de Alterne, mas, curiosamente [ou talvez não], as mães do senhores árbitros, tal como na actualidade, já eram acusadas das piores veleidades.

Seja como for [e a verdade em caso algum deve ser dissimulada], ninguém estava à espera que aquele aparentemente vulgar Sábado de Dezembro acabasse por se transformar num dia tão memorável. Eu estive lá, e escusado será dizer que foi um dos dias mais felizes de toda a minha existência.

Etiquetas: , , , ,

Partilhar

Shall we dance?



No Dia Mundial da Dança a minha homenagem a um dos mais emocionantes momentos de dança do cinema, com o tango, naturalmente.

Etiquetas:

Partilhar

Já dá para fazer uma fila

Coisas que, hoje em dia, podem ser ditas por quem quer que seja que ninguém vai estranhar – e muito dificilmente duvidar:

Eu também sou candidato à liderança do PPD/PSD!

Etiquetas: ,

Partilhar

Nem o Torneio de Sueca escapou


Parte de um anúncio da Associação Cultural e Desportiva do Bocal, concelho de Mafra, colado num qualquer café da região. A equipa do Bocal está a realizar um campeonato fantástico na 2ª Divisão Distrital da Associação de Futebol de Lisboa, o que diz muito da forma como Sporting e Benfica andam a jogar.

Etiquetas:

Partilhar

Símbolos dos anos 80 (15)




O primeiro de uma felizmente longa série dos mais divertidos programas de sempre, da autoria do obrigada-por-teres-nascido Herman José.

Personagens como a Filipa Vacondeus com a sua Emilia, a Jaquina, o Nelito, o José Esteves (que era o de que menos gostava, já se adivinhava porquê), o Carlos Filinto Botelho e o Tony Silva, eram imperdíveis. Tal como o eram os anúncios e, claro está, o Diário de Marilu. E o que eu gostava da Marilu. Se calhar por causa de cenas como esta.
Partilhar

Eu cá não sou de intrigas mas...

... já desconfiava que este caso aqui colocado no dia 22, e que relatava uma multa aplicada à Junta de Freguesia de Ericeira, iria ainda fazer correr alguma tinta. Se um organismo do Estado multa uma autarquia local por produzir umas centenas de litros de biocombustível, esta notícia da isenção de sete empresas do pagamento de Imposto sobre Produtos Petrolíferos para a produção de milhões de litros do mesmo produto, dá que pensar. Mais injusto parece quando é com base no produto a fabricar por essas empresas privadas (biocombustível), que o ministro do Ambiente, Nunes Correia, mostra todo o empenho do Estado na matéria.
Neste Portugal dos pequeninos não me admiraria que alguém tivesse até feito queixa da Junta de Freguesia da Ericeira para aniquilar aquele nicho de concorrência.
Partilhar

o Dia Mundial da Dança...

... no mês dos anos oitenta!...


The Time of My Life - Dirty Dancing (1987)

Etiquetas: , ,

Partilhar

segunda-feira, abril 28, 2008

O Campeonato da Segunda Circular [3/5]


Subsistindo “apenas” duas jornadas para o angustiado final da penosa época futebolística de 2007-2008, e considerando a constante inconstância das exibições e dos resultados dos dois arqui-rivais da Segunda Circular, [quase] tudo pode ainda acontecer.

Apesar das já usuais patacoadas do Cajuda, justiça lhe seja feita, o Vitória de Guimarães até tem feito de tudo um pouco para ajudar os dois “grandes” de Lisboa e, ironia das ironias, até o Fê Quê Pê vai dando uma mãozinha misericordiosa. Mas quem estiver com alguma [não é necessário muita] atenção à “coisa”, chega mesmo a parecer que o Sporting e o Benfica ao invés de andarem a competir pelo lugar que dá acesso directo à Champions League, andam os dois entretidos a disputar a vaga em aberto na Taça UEFA.

Como se diz por aí que a equipa que conseguir o acesso directo à liga milionária tem a época meio salva, espero que o meu Sporting [agora] consiga aproveitar a oportunidade, pois está única e exclusivamente dependente de si próprio: o que não é pouco, nem muito, nem garantia de coisa alguma – bem pelo contrário.

Resta-me dizer que a minha confiança no Sporting é tão grande… que a minha esperança passa [mais] pelo que o Estrela e o Belenenses podem fazer na próxima jornada para roubar uns quantos pontos [somente os necessário] aos nossos infelizes adversários directos.

Mas com rivalidade é rivalidade, e o campeonato da Segunda Circular vale o que vale, tudo o que desejo é que no final o Sporting consiga manter o segundo lugar e o Benfica acabe desterrado [como merece] na Taça UEFA.

Etiquetas: , ,

Partilhar

Símbolos dos anos 80 (14)


Imagem daqui.
Partilhar

domingo, abril 27, 2008

dois anos...

Partilhar

sábado, abril 26, 2008

Sugestões de Leitura

E porque aqui no GR celebramos os «Anos 80», ficam três sugestões de blogues temáticos:

Etiquetas: ,

Partilhar

o meu abril...

Este ano, pela primeira vez, andei de cravo na mão!

Podem dizer o que o verdadeiro espírito se perdeu, que o 25 de Abril é apenas mais um feriado festivo, que já não se sabe dar valor ao que se conquistou, que comemorar Abril nos dias de hoje não faz sentido... Podem dizer muita coisa... Mas eu não tenho de ter vivido 74 para poder apreciar Abril. Não tenho de ter sido perseguida pela PIDE nem ter tido família na guerra para saber dar valor a Abril. Não tenho de ser comunista para poder cantar Abril de cravo na mão. Acredito que, para todos esses, Abril tenha um gosto diferente, mas Abril já ultrapassou, ou vai ultrapassando aos poucos, os limites da revolução - e isso não tem de ser mau! É isso que me permite também ter Abril... o "meu" Abril...

Muita coisa se perdeu... muita coisa ainda falta conquistar, mas - e peço que não me levem a mal - com isso posso preocupar-me durante o resto do ano... - é bem melhor do que preocupar-me apenas um dia... E este ano, pela primeira vez, andei de cravo na mão!... - gosto da oportunidade que Abril me dá de o fazer uma vez por ano e... sentir-me feliz!...


NOTA: Numa alusão àquilo que Abril já perdeu ou não chegou a conquistar, trincaram e cuspiram um cravo há pouco na televisão... Custa-me... Eu percebo o simbolismo, mas custa-me que simbolicamente se desdenhe o que se conquistou só porque alegadamente não é suficiente... Se não chega, regue-se, cuide-se do cravo para que medre (novamente?) viçoso...

imagem

Etiquetas: ,

Partilhar

Marketing

Foi nos anos oitenta, como por aqui já se disse, que a música, e podemos mesmo dizer a arte em geral, começou a viver muito da imagem. Mas não foi só o meio artístico que começou a olhar para a imagem como uma necessidade. Se é certo que os videoclips eram obrigatórios, as capas dos livros e dos discos eram cada vez mais pensadas para serem apresentadas como obras de arte, também os políticos perceberam que para além da ideologia fazia falta uma imagem e um conceito que passasse bem nos media (a eleição de um actor de Hollywood para presidente dos EUA é um bom exemplo). Ou seja, o marketing entrou nas mais diversas áreas da vida pública.
Não se pense, porém, que associar marketing a livros, discos, candidaturas ou eventos desportivos é um mal em si mesmo. Para os puristas que vêem no marketing uma deturpação da verdade que eles e só eles conhecem talvez seja. Mas é bom não esquecer que até os críticos da economia de mercado rendem-se a ele - um conceito do marketing puro e duro (a diferenciação do produto) está presente em todas as obras saramaguianas: a capa é sempre amarela e o título vai buscar a inspiração aos diversos tipos de documentos escritos (manual, ensaio, memorial, história, etc). Na política, penso que Portugal teria perdido um bom primeiro-ministro como Cavaco, se este não tivesse uma boa máquina de marketing por trás. Digo isto porque considero que enquanto pessoa, Cavaco Silva é reservado demais para o tipo de político que os cidadãos da altura exigiam. E, em meu entender, isso ter-lhe-ia sido fatal.
Em suma, a utilização do marketing para melhorar e apresentar como mais apelativa uma ideia ou produto é sempre vantajosa para estes. O que realmente é preocupante é quando o marketing tenta obviar a má qualidade do produto ou ocultar a inexistência da ideia. Mas isso nem o melhor marketing do mundo o consegue.

Etiquetas: , ,

Partilhar

sexta-feira, abril 25, 2008

25 de Abril de 2008

Partilhar

Símbolos dos anos 80 (13)


Madonna

Imagem daqui.
Partilhar

quinta-feira, abril 24, 2008

O Infant Terrible da democracia [à] portuguesa volta a atacar

Partilhar

O Good Father da democracia [à] portuguesa voltou a atacar

Imagem via: msnbc

«Rui Rio e Manuela Ferreira Leite ficam na reserva, muito provavelmente para não se queimarem antes de tempo...»

Mário Soares, DN, terça-feira, 22 de Abril de 2008

Curioso é este título, do mesmo DN, na mesmíssima terça-feira, 22 de Abril de 2008.

Etiquetas: , ,

Partilhar

Fim-de-semana à vista

E este, ainda por cima, é prolongado. Que sorte!

Foto daqui
Partilhar

Símbolos dos anos 80 (12)



Aeróbica

Imagem daqui.
Partilhar

uma casa portuguesa: ao vivo no coliseu...

Zeca! Em vésperas da revolução (do seu aniversário, entenda-se), achei o pretexto - como se dele precisasse - para trazer Zeca à casa mais uma vez. Recordando os anos oitenta em Abril, a morte de Zeca é uma referência importante. Mas a morte de Zeca é um marco não pelo momento em si, mas sim pela sua vida anterior, pela sua obra... A minha consciência musical é bastante tardia e, portanto, Zeca sempre me foi (apenas?) obra, a obra para lá do músico...

Dando um pouco a volta à motivação inicial, venho recordar o seu último grande concerto: 29 de Janeiro de 1983 no Coliseu dos Recreios. Zeca já em dificuldades partilhou o palco com uma dúzia de amigos num Coliseu repleto de outros tantos e muitos mais. Memorável diz que se lembra - que não é o meu caso... A minha referência a este concerto é o LP duplo que mora cá em casa lançado na altura e, ocasionalmente, os vídeos posteriores que passam na televisão.


Uma reunião de canções variadas, com diferentes contextos, abordagens, melodias e poemas. O Zeca da Grândola, da luta e da mensagem, mas também o Zeca de Coimbra, o Zeca do povo, o Zeca dos simples, o Zeca da tradição. E atrás de uma voz já cansada está todo um precurso que a sustenta.

Deixo-vos com "Era um redondo vocábulo" - canção que aprecio bastante -, acompanhado à guitarra por Fausto. A música não faz parte da primeira edição (ainda em LP), mas esteve lá no Coliseu e consta de edições posteriores editadas já em CD. Só depois de ter escolhido a música é que fui ver o vídeo disponibilizado... Apreciei também os "discursos" de apresentação e de fecho: os amigos, o PREC, as partilhas musicais, a criatividade... - a criatividade é, sem dúvida, um bom alibi!... para muitas (demasiadas?) coisas...




mais informação: http://www.aja.pt/
várias músicas para ouvir: http://delta02.blog.simplesnet.pt/

imagem: capa do LP

Etiquetas: , , , ,

Partilhar

quarta-feira, abril 23, 2008

Uma questão de gratidão

Sobre o corpo apenas o necessário. Nos pés a liberdade imensa que as sandálias estivais permitem. Do corpo o aroma do protector solar mesclado com o banho de mar, água fria estava naquele dia de Julho menino. O dia que se aconchega no regaço da tarde, a praia lentamente para trás, o mar mais distante, a areia que sem sucesso se sacode e uma nova etapa do dia que se inicia com o périplo necessário para as mais comezinhas tarefas algures na cidade a Sul. Os olhos focam com mais acuidade e, de entre as lojas em fila, salienta-se aquela. Uma livraria? Uma livraria. Entro ávida, não sem antes de espreitar a montra. Os livros podem ser um vício incurável, uma fome súbita de saciedade difícil.
A livraria era, na verdade, uma livraria. De corredores estreitos, quase a lembrar uma biblioteca, com estantes recheadas até ao tecto, um pequeno labirinto, onde quase se podia jogar às escondidas entre Hemingway e Saramago, Teolinda Gersão e Philip Roth, os olhos a encontrarem-se de permeio pelas lombadas ordeiras. Não fora o espaço tão exíguo e assim poderia ser. Ao que ia, perguntaram-me. A resposta saiu desajeitada, apenas o vício me levara ao lugar, que de livros para a semana a Sul estava bem servida. E porque de uma livraria se tratava, não uma loja de livros, a empregada solícita não desistiu em mostrar as últimas novidades, o que haviam recebido bem visível nos caixotes abertos pela livraria, uma deferência esquecida para quem frequenta espaços onde os livros são apenas deixados à mercê do leitor sem a menor dedicação dos empregados desse ofício moribundo de bem vender livros e bem os tratar. Apareceu o dono, entretanto. A conversa estendeu-se a outros autores, ao que bem se vendia, ao que recomendava, ao que acabara de sair e que me foi obrigando a passeios sucessivos entre as estantes e caixotes, o perfume que se soltava dos livros acabados de chegar. Lá fora a tarde descia serena, não há como os fins de tarde estivais para harmonizar corpo e espírito. E mesmo com a mesa-de-cabeceira suficientemente preenchida para a semana de remanso, ainda antes da enxurrada de turistas atabalhoados, a dedicação aos livros, a conversa conhecedora e a deferência com que fui recebida entraram-me certeiros no coração. Não é assim nas lojas de livros. Um livro seria, claro. Com o coração atingido seria incapaz de abandonar o local apenas com uma despedida de circunstância. Percorro o expositor da entrada com o olhar e decido-me: Kafka à beira-mar. A ingratidão é das mais execráveis faltas, um risco impensável perante tão enternecedor acolhimento.


No Dia do Livro

Esta crónica foi escrita para a PNetMulher a convite da Teresa C. a quem agradeço o convite e esta referência elogiosa.

Partilhar

Dia Mundial do Livro... essa arma

Partilhar

Bom dia começa com alegria



Bom dia ao mar, bom dia às flores, bom dia, bom dia, bom dia.
Um determinado estabelecimento de ensino pré-escolar canta a presente canção, regularmente, ao início do dia.
Começar o dia com tal canção produz, provavelmente, mais auto-estima que uma dezena de livros de auto-ajuda.
Ao invés do indivíduo estar, desesperadamente, à procura de um rumo para a tristeza, um colectivo está, alegremente, à procura de um rumo para a vivacidade.

Imagem:
As rubras papoilas, de Maria Isabel Batista

Agenda do dia:
Educação de Qualidade para Erradicar a Exclusão
Semana de Acção Global pela Educação



Etiquetas: , ,

Partilhar

Símbolos dos anos 80 (11)

A Leste.


Imagens daqui e daqui
Partilhar

leituras atrasadas...

Hoje, Dia Mundial do Livro, pareceu-me um dia apropriado para cumprir algumas tarefas em atraso...

Reza assim a quinta frase completa da página 161 do livro que mora na minha cabeceira (há demasiado tempo...):
Aos dezanove anos tinha feito dois retratos num estúdio fotográfico de Genebra, um deles vestida como um jovem árabe, outro de marinheiro, com uma boina que ostentava, como nome do hipotético barco, a palvra «Vingança».
O livro chama-se «Histórias de Mulheres» e é uma compilação de biografias de mulheres [Agatha Christie, Simonde de Beauvoir, Alma Mahler, George Sand, Isabelle Eberhardt, Frida Kahlo,...] que Rosa Montero apresenta de foma muito pessoal.

A frase acima refere-se a Isabelle Eberhardt - que eu desconhecia completamente... - uma escritora suíça de vinte e sete anos [idade da morte em 1904] que se fazia passar por um rapaz muçulmano. O sub-título que lhe cabe no livro é «Fome de Martírio». E em todo o parágrafo onde está integrada a frase esta é a única que não explicita tudo isso... Deixo, então, aqui também as frases contíguas:
A infelicidade fazia parte essencial da sua personalidade, era uma definição (talvez a única) do seu ser ela.
...
Por essa altura escreveu no seu diário: «Quero ser alguém, e dessa forma cumprir o fim sagrado da minha vida: a vingança».

Agora vou fechar isto e ler um bocadinho... até porque continuo a ter na prateleira, em fila de espera, alguns destes...


É suposto eu passar a alguém isto da quinta frase completa da página 161 do livro que está mais à mão... Ora fica, mais uma vez, se lhe quiserem pegar, para as meninas do FarpasXXI.

Etiquetas: , , , , ,

Partilhar

terça-feira, abril 22, 2008

Dia da Terra (3)

Não é preciso recuar muito para recordar a ida de José Sócrates ao Parlamento para falar sobre os avanços conseguidos pelo seu Governo em matéria de energias renováveis. Tudo muito bonito já se vê, tudo muito cor-de-rosa. Hoje, um presidente de Junta de Freguesia queixou-se aos microfones de várias rádios de ter sido multado em oito mil euros por produzir biodiesel. O autarca da Ericeira tem sido pioneiro nestas matérias: primeiro montou um esquema (no bom sentido) de recolha de óleos usados nos restaurantes daquela vila piscatória evitando assim o habitual recurso de serem atirados para uma qualquer sanita, depois começou a produzir o seu próprio biodiesel, poupando assim dinheiro que o próprio afirma ter sido aplicado na compra de fotocopiadoras para as escolas de 1º ciclo da freguesia. Quatro anos passados sobre o início da experiência são 14 os carros daquela junta de freguesia que se movem com recurso a biodiesel, mais um, movido a energia solar, que é único em Portugal. Joaquim Casado afirma que o Ministério da Economia lhe terá levantado 'um auto porque eles foram fazer as contas e dizem que, num trimestre lesámos o Estado em oito mil euros, foi esse o valor que encontraram por usarmos biodiesel ao invés de comprarmos combustíveis fósseis que pagam o imposto sobre produtos petrolíferos'.
Se isto se confirmar, alguém terá de explicar afinal qual é a verdadeira política do Governo nesta matéria.
Partilhar

Dia da Terra (2)



Imagem daqui
Partilhar

Manuela, a desejada

Ontem na RTP, António Vitorino (AV) apontava Manuela Ferreira Leite como uma má opção para a liderança do PSD, a razão é, aparentemente, simples: Manuela Ferreira Leite está demasiado próxima de Cavaco Silva. AV se fosse do PSD optaria por Marcelo Rebelo de Sousa. Efectivamente, a razão de AV tem emoções que só o seu coração desconhece.

Manuela Ferreira Leite tem virtudes capitais para as elites do PSD: autoridade, seriedade e cinzentismo. As elites do PSD não se revêem na imagem copy/paste Sarkozy, de Luís Filipe Menezes. Quem pretender aceder a líder do PSD há, pelo menos, dois pecados mortais que não deve cometer: - ser uma "picareta" falante; - andar acompanhado de gente ostensivamente 'sedenta' de poder.

O PSD (como qualquer outro partido) é, de uma forma geral, constituído por gente ligeiramente e/ou ostensivamente sedenta de poder.

E Portugal é conhecido pela qualidade das suas águas minerais.

Manuela Ferreira Leite tem um pequeno problema: transmite uma imagem de mulher que não é consonante com os tempos, Thatcher já foi. A governante europeia actual é a Chanceler Merkel, ou as ministras de Espanha, mulheres com imagens bastante mais vivas.

Não me parece que a adequação da imagem de um líder aos tempos, seja algo com o qual as elites do PSD pactuem.

As elites do PSD, não cultivam, por acaso, o seu senso comum. Pois é algo que lhes permite a "eternização" na liderança. Ao longo dos tempos, o discurso das elites do PSD é sempre o de "minar" a credibilidade dos que não têm as três virtudes capitais. Apesar da palavra "minar" ser apenas um eufemismo, a comunicação social apenas fornece pistas.

Ironicamente, minando a credibilidade dos líderes passageiros, o PSD ajuda a minar a democracia e é este o sistema político que lhe garante a alternância no poder.

As elites pressionam MFL a candidatar-se, o raciocínio é, aparentemente, simples: a única pessoa que travará Menezes é a ex-ministra de educação.

Mas MFL, a esta hora, debate-se com perguntas algo traumáticas.

Etiquetas: , , , , ,

Partilhar

Dia da Terra

O que fiz recentemente por ela?

Bem, deixei de comprar água engarrafada para beber. Substituí as garrafas de Spa pela Brita (na imagem), o que diminuiu significativamente o volume semanal do meu caixote de plástico para reciclar. E ainda teve a vantagem de me proporcionar menos peso para carregar do super-mercado para casa.






Que mais?


Deixei de comprar garrafões de água destilada e substituí-os pela garrafa de AQua+ (na imagem), que tem uma duração média de quatro anos. Basta atestar com água da torneira, esperar quinze minutos e já se pode encher o ferro de engomar. Ainda menos volume para o caixote do plástico!




Agora quanto às garrafas do leite, só se puser uma vaca no jardim... Tem a vantagem acrescida de poupar a electricidade do cortador de relva e de diminuir as quantidades de lixo verde. Mas a ideia do outro lixo, que vem por acréscimo, faz-me seriamente hesitar quanto à aquisição do animal...
Partilhar

Para maiores de 18


Andava eu a pensar em mais coisas que mexeram com a opinião pública nos anos 80 quando a Carlota se lembrou de José Sócrates e a defesa do nudismo. Fez-se luz na hora. Nunca este mês dos anos oitenta, aqui no Geração Rasca, poderia acabar sem que a memória nos levasse ao grande escândalo da década. Em Novembro de 1987, Ilona Staller a.k.a. Cicciolina incendiou o palco do Coliseu dos Recreios com um espectáculo único, nunca antes visto, e que levou ao divórcio de alguns homens de família. As imagens e relatos da altura fazem jus a toda a história que rodeava a então rainha dos filmes pornográficos. Diz quem viu que, em comparação com esse espectáculo de 1987, os que são servidos no Salão Erótico de Lisboa, nos dias de hoje, são apenas efeitos especiais.

Etiquetas:

Partilhar

Máquina do tempo



Esta semana, também o DN nos leva aos anos 80, lembrando um episódio sobre o nudismo, lá para os lados de São Bento, cujo protagonista foi o então jovem deputado José Sócrates.

Via.

Imagem daqui.

Etiquetas:

Partilhar

Símbolos dos anos 80 (10)




Imagem daqui.
Partilhar

segunda-feira, abril 21, 2008

Chiado 88

25 de Agosto de 1988

A sensação que tive ao ver estas imagens na televisão, do outro lado do Mundo, foi a mesma que tive nas primeiras imagens do 11 de Setembro: a de pensar que estava a ver um qualquer filme que nada tinha a ver com a realidade. O engano durou pouco. Deste dia guardo as imagens da televisão e uma extraordinária reportagem, feita em directo, para a rádio TSF, por um jornalista de nome Nuno Roby que eu viria a ouvir poucos anos depois.
Vinte anos passados continuo a olhar para o Chiado e a pensar no horror daquelas horas.

Etiquetas:

Partilhar

A República das bananas

De leitura obrigatória: Cavaco no estrangeiro
Partilhar

Símbolos dos anos 80 (9)



Karol Wojtyla a.k.a. João Paulo II

Imagem daqui.
Partilhar

domingo, abril 20, 2008

Previsões Meteorológicas Devidamente Localizadas

Esta semana prevê-se azia generalizada, que poderá ir de forte a muito forte, nos dois lados da Segunda Circular. Este estado de coisas deverá ser acompanhado por trovoadas e insultos... venha o Diabo e escolha o lado.

Etiquetas:

Partilhar

a corrida da mulher....

Hoje lá fui eu, mais uma vez, de t-shirt cor-de-rosa [e casaco e impermeável!!!] correr para as ruas do Porto. Correr por uma causa... Eu ia devagar, devagarinho, quase parada, mas terminei os 5km. Não foram os guarda-chuvas, os carrinhos de bebé, os cães pela trela e eu tinha terminado quase assim...


... ou talvez não!
=)

Etiquetas: , ,

Partilhar

Subscrevo naturalmente

Eu faço parte de um grupo, só aparentemente minoritário, dos que não acham o dr. Alberto João Jardim, "engraçadíssimo". Não lhe acho mesmo piada nenhuma. (...) E também não sou sensível àqueles supostos esgares de humor de Cavaco Silva, debitando banalidades grandiloquentes, quando desce ao 'povo', protegido por um eterno esquadrão de gorilas que jamais dispensa. Acho tudo aquilo uma fantochada, o Américo Tomás revisitado num país que eu desejo para sempre defunto e sepultado. (...)


Miguel Sousa Tavares, "Expresso", 19 de Abril de 2008

Etiquetas:

Partilhar

As férias do Sr. Silva

Foto inicial: daqui

Etiquetas:

Partilhar

Columbine

20 Abril 1999

Imagem daqui
Partilhar

sábado, abril 19, 2008

A ética é pau para toda a colher

O mundo é, para a maioria das pessoas, entre as quais me incluo, a preto e branco.
A bússola poderá ser a religião, o partido, a seita, a empresa, a profissão, entre outras, mas há uma espécie de vaga de fundo no que diz respeito a determinados argumentos, por exemplo:
- se sou político(a) de direita e o partido que está no governo é de esquerda, a ética é o seta teórica do meu argumentário;
- se sou político(a) de esquerda e o partido que está no governo é de direita, então a ética é a rosa teórica do meu argumentário;
- se sou político(a) de esquerda e o partido que está no governo é de direita ou centro, a ética é a foice/complemento solidário teórico do meu argumentário;
- se sou jornalista de direita e o partido que está no governo é de esquerda, a ética é a prova da imparcialidade do meu argumentário;
- se sou jornalista de esquerda e o partido que está no governo é de direita, então a ética é o testemunho da imparcialidade do meu argumentário;
...
Exemplos recentes:
- Fernanda Câncio, Santana Lopes, Rui Gomes da Silva, Jorge Coelho, Miguel Sousa Tavares, Marques Mendes, Paulo Portas, Francisco Louçã, ...

Etiquetas: , ,

Partilhar

As certezas da Presidenta

Três dias na Madeira foram o suficiente para que Maria Cavaco Silva desvalorizasse a pobreza no território e o relatório do ISCTE. Ao que parece a observação desses três dias e a conversa com a Segurança Social local chegam para que conclua que a pobreza "não tem significado". O ISCTE que vá dar uma volta, portanto.

Etiquetas:

Partilhar

sexta-feira, abril 18, 2008

Déjà Vu

Foto: Manuel de Almeida/LUSA in Correio da Manhã, 18 Abril 2008

Esta fotografia trouxe-me à memória aquele que para mim terá sido o grande barrete televisivo dos anos 80. A promessa de visionamento em três dimensões do filme O Monstro do Pântano no final da década levou muita gente (eu por exemplo) à compra dos maravilhosos óculos especiais que, se a memória não me atraiçoa, foram vendidos em conjunto com uma ou duas revistas da época. O filme revelou-se, com ou sem óculos especiais, um nojo.
Espero sinceramente que o exemplo aí em cima, dado pelo Presidente da República e a mulher na visita à ilha da Madeira, tenha tido melhores resultados. A julgar pelo estilo dos óculos, confesso que fico com algumas dúvidas...

Etiquetas:

Partilhar

Trouxestes guarda-chuba?

Sou avessa a doenças, maleitas e enfermidades. Fujo delas como o diabo da cruz e só recorro aos clínicos quando os pés já se estão a juntar e os braços perigosamente a cruzar-se sobre o peito. Abri, contudo, uma excepção para a Sinusite Crónica que descobri por mão amiga e talentosa.

Partilhar

António Variações (1944-1984)


Jamais esquecerei um homem vestido de verde alface, bebericando um café ao balcão de um snack bar.
Novidade, excentricidade e diferença são palavras cujo um dos sinónimos possíveis é, para mim, António Variações.
Quanto à música?
Odiava a batida techno, adorava as letras...

Sempre Ausente

diz-me que solidão é essa
que te põe a falar sozinho
diz-me que conversa
estás a ter contigo

diz-me que desprezo é esse
que não olhas p'ra quem quer que seja
ou pensas que não existe
ninguém que te veja

que viagem é essa
que te diriges em todos os sentidos
andas em busca dos sonhos perdidos

lá vai o maluco
lá vai o demente
lá vai ele a passar
assim te chama toda essa gente

mas tu estás sempre ausente e não te conseguem alcançar
mas tu estás sempre ausente e não te conseguem alcançar
mas tu estás sempre ausente e não te conseguem alcançar

diz-me que loucura é essa
que te veste de fantasia
diz-me que te liberta
de vida vazia

diz-me que distância é essa
que levas no teu olhar
que ânsia e que pressa
que queres alcançar

que viagem é essa
que te diriges em todos os sentidos
andas em busca dos sonhos perdidos

lá vai o maluco
lá vai o demente
lá vai ele a passar
assim te chama toda essa gente

mas tu estás sempre ausente e não te conseguem alcançar
mas tu estás sempre ausente e não te conseguem alcançar
mas eu estou sempre ausente e não me conseguem alcançar

não me conseguem alcançar
não me conseguem alcançar
não me conseguem alcançar

Letra
Imagem

Etiquetas: ,

Partilhar

Símbolos dos anos 80 (8)


Breakdance

Imagem daqui.
Partilhar

Fim-de-semana à vista

Partilhar

quinta-feira, abril 17, 2008

A caixinha dos horrores

Agora a sério... as Doce foram sex symbols em Portugal. Spice Girls? Autênticas bébés à data. Assim a modos que falando de indumentárias, ele era as Doce de um lado e os Heróis do Mar do outro. Doce é que era, Bem Bom por sinal... ou BimBo(m) como lhe chama esse senhor aí em baixo, e assim se explica o aparecimento do género na música portuguesa que isto do BimBo(m) ao PimBa é só trocar qualquer coisita que vai dar ao mesmo.



P.S. - O Reinaldo não aparece no vídeoclip.

Etiquetas:

Partilhar

Coisas irritantes e colecções

Não havia nada mais irritante do que fazer colecção de cromos da bola nos anos 80. Mendigar uns escudos para ir a correr à papelaria comprar as saquetas mágicas de onde apareciam os ases da bola da altura. Sofrer durante semanas a fio por já ter seis cromos repetidos do Jordão e nunca mais aparecer o Humberto Coelho. Os dedos de duas mãos não chegam para contar a irritante quantidade de cadernetas de cromos que nunca cheguei a concluir.


Escolhi aqui o grande Reinaldo para ilustrar o post por várias razões. A principal prende-se com uma velha história da altura que misturava o jogador com aquelas tais de Doce, grupo feminino de música ligeira que alcançou um êxito razoável nos anos 80. O seu declínio teve início depois de vir a público a história do Reinaldo.

P.S. - Porque este é um blogue aberto a toda a gente a história do Reinaldo com as Doce fica ao sabor da imaginação de cada um. Quem se lembrar da história não precisará de usar a imaginação obviamente.

Etiquetas:

Partilhar

Canal Memória

Nos anos oitenta assisti, serenamente, à morte de um dos maiores sportinguistas que eu conheci.
Lembro-me de assistir a provocações intermináveis entre ele e um benfiquista, também falecido na década de 80.
O fanatismo de um e de outro era tão agressivo que, sem nunca se terem agredido fisicamente, experimentaram longos períodos de arrelia e acabrunhamento.
Eram duas velhas raposas matreiras e arranjavam sempre uma desculpa inefável para regressarem à sua actividade preferida: provocação mútua.
Como as querelas tinham sempre como pano de fundo o resultado desportivo do benfica ou do sporting, as segundas-feiras e/ou quintas-feiras eram sempre bastante animadas.
Anos a fio os ouvi: resmungando, vociferando, agredindo-se verbalmente e ameaçando nunca mais falar com um pérfido indivíduo, um fulano que não sabe ver o óbvio, a cegueira, compra ou mal das vísceras, de um certo árbitro.
Jamais ousei rir perante tais diálogos, umas vezes mais criativos que outros, mas sorri demasiadas vezes.
Hoje, se fossem vivos, estaria um extremamente contente e outro a espumar de raiva.
Dedico-lhes esta mensagem, não sem uma ligeira dúvida, se por algum motivo existe vida para além da morte, talvez eles estejam, neste preciso momento, a rirem-se à gargalhada, mas de mim.


Etiquetas: , ,

Partilhar

A minha colecção de coisas irritantes


Os estudos. Os estudos em geral. E as notícias feitas com base neles. Sobretudo naquela parte em que depois de nos dizerem uma enormidade qualquer, frisam bem que a conclusão foi retirada de um estudo, o que significa, tão-só, isto é estúpido, bem sabemos, mas não fomos nós que inventámos.

Exemplos? Muitos. Demais. Entre outros, de gosto mais ou menos duvidoso, há aquele em que concluiram que as mulheres são mais sensíveis à dor do que os homens, o que diz que os homens são menos sensíveis à piada e o que afirma que os homens baixos são mais ciumentos do que os homens altos. Há ainda o caso da notícia avançada pelo Expresso online dizendo que, lá está, segundo um estudo, a selecção portuguesa não passará a fase de grupos no Euro-2008, competição que, por seu turno, será ganha pela República Checa(*).

Apesar de apenas servirem para encher chouriços, as notícias sobre estudos são muito frequentes hoje em dia. Haja sabedoria para não perder tempo com elas.

(*) Tenho de confessar que apesar de esta notícia ter sido a gota de água que me levou a escrever este texto, estou-me consideravelmente nas tintas para o desempenho da selecção portuguesa de futebol ou para quem quer que seja próximo campeão da Europa.


Imagem: daqui.
Partilhar

Símbolos dos anos 80 (7)


Primeiros-ministros da década


Imagens daqui.
Partilhar

Tóinning

Ele falava. Ele saltava. Ele voava. Ele atirava piropos a viaturas mais bonitas. Ele tinha "emoções". Ele tinha um inimigo de estimação. Ele deitava lume. Ele era "o homem que não existia". Ele podia deslocar-se sem fazer ruído. Ele espalhava óleo na estrada. E eu, na minha inocência, esperava pelas 19 horas de domingo para ver na RTP 1 um carro com estas características, que servia de parceiro a um tipo que dizia estar numa cruzada para proteger os oprimidos e os indefesos dos criminosos que actuam à margem da lei.
Mesmo para quem tinha doze anos, há coisas embaraçosas de se confessar.



PS: parece que ele vai voltar

Etiquetas: , , ,

Partilhar

quarta-feira, abril 16, 2008

Prognósticos [só depois do jogo]

Partilhar

Pós-prognósticos

Parabéns ao Sporting pela vitória.

Etiquetas:

Partilhar

Prognósticos [ao intervalo]

Estamos a dar dois de avanço ao Benfica só para acrescentar mais algum interesse à segunda parte do jogo.

Etiquetas: , ,

Partilhar

Frases que dão jeito recordar e adaptar

O meu prognóstico fica reservado para depois do jogo.*

*Texto honestamente plagiado e adaptado a partir de um original do grande defesa do FC Porto e da Selecção Nacional de Futebol, João Pinto.

Etiquetas:

Partilhar

Símbolos dos anos 80 (6)


(Filme ao qual este tema ficou associado ad eternum)
Imagem daqui.
Partilhar

Sou velho demais para trabalhar

Francisco José Viegas fala da actual apologia da juventude, gostaria de mudar ligeiramente a frequência hertziana e continuar a esmiuçar o tema.
Com licença.
Um dia destes um conhecido colocou um anúncio num jornal nacional a solicitar um determinado profissional.
Para além das centenas de qualificados, [dá licença Eng.º Sócrates?], alguns com quase trinta anos sem nunca terem trabalhado, o tal conhecido recebeu algumas dezenas de profissionais com um Curricula invejável, mas alvos da reengenharia operacional, esse termo que alguns gestores consideram uma genialidade da pós-modernidade, mas que a malta que não percebe nada do assunto traduz como um processo novo para despedir pessoal.
[É pá, isso é um problema para o estado resolver!]
Quando a pós-modernidade fala em estado o sinal que o acompanha é necessariamente menos; quando a mesma desempoeirada pós-modernidade fala em desemprego o sinal que acrescenta é mais. O que não deixa de ser uma ideia inovadora.
Os tais determinados profissionais já demasiado velhos para trabalhar, alguns a rondar os cinquenta, mas outros ainda nos quarenta, são, para os gestores actuais, case study.
[Alguns não souberam expandir a carreira, outros não conseguíram alargar competências, ainda outros não souberam criar uma rede de contactos, termos que os ditos gestores utilizam mas que traduzido em miúdos quer dizer mais ou menos o inefável: é pá, deixaram-se ficar à sombra da bananeira.]
O que os gestores da nova era não revelam é que é mais barato um júnior do que um sénior; é mais barato e menos pesado. E quando esses mesmos gestores se transformarem, eles próprios em vítimas da sua genialidade, teremos oportunidades interessantes de debater temas prementes da pós-modernidade, que entretanto se terá tornado numa outra coisa qualquer.
Entretanto também os desempregados desqualificados vão engrossando as fileiras do desemprego, apesar de o Eng.º Sócrates também perceber de uma reengenharia de processos especial: colocá-los nos cursos subsidiados para baixar a taxa de desemprego. O que traduzido em miúdos é qualquer coisa como desqualificados de parafusos passarem a qualificados de porcas.
Para terminar esta mensagem perigosamente esquerdista, resta-me só dizer-vos que um desses determinados profissionais, altamente qualificado, mendigou uma oportunidade de emprego a esse meu tal conhecido. Ele não se importa de ganhar por projecto o que ele quer mesmo é sentir-se útil, isto é trabalhar.

Etiquetas: ,

Partilhar

terça-feira, abril 15, 2008

O FCP, o oculto e outras bananidades

Partilhar

Futurologia

Pinto da Costa admitirá ter estado no Hospital da Luz, se lhe mudarem o nome.

Etiquetas:

Partilhar

Na Luz nem morto

Partilhar

Ironias

Partilhar

Dia Mundial da Voz à porta

Partilhar

lugares assim...

Diz assim no Dias com árvores, a propósito dos novos bancos em Serralves:

regresse a Serralves e eleja o seu banco favorito;

depois fique sentado sem fazer nada,

pois é para isso que existem lugares assim.


Dá-me vontade de largar tudo e ir a correr a Serralves fazer... coisa nenhuma!...

Etiquetas: ,

Partilhar

Símbolos dos anos 80 (5)



Cassete audio


Imagem daqui.

Partilhar

segunda-feira, abril 14, 2008

Computer says no

Depois de ter ido todos os dias ou quase à Waterstone´s durante a semana em Terras de Sua Majestade, a Fnac pareceu-me a mercearia da esquina. Obviamente trago a alma cheia de livros: dos que comprei, dos que folheei tranquilamente, dos que queria ter comprado mas que os vinte quilos de bagagem não permitiram e dos que anotei mentalmente para uma outra oportunidade. Tudo isto não foi impeditivo de ir dar uma espreitadela à Fnac à procura de novidades. O passeio foi rápido, nada de novo, nada de muito novo, até porque, desde que o filho do filho do exmo. senhor doutor conselheiro inspector publica livros apenas com o eco do apelido ou com o mediatismo da caixinha mágica, tornei-me muito selectiva relativamente a novos autores portugueses e prefiro jogar pelo seguro. Geralmente ouço o conselho de alguém que considero em matéria de bibliofilia ou gosto pela leitura. Esbarrei, então, no último da Paulina Chiziane, ponderei muito no último publicado em Portugal de Rubem Fonseca e, não fosse a minha pilha de livros a ler parecer a Torre de Babel, tê-lo ia agora lá pelo meio, naturalmente, e estaria a ler uma por uma as mulheres que habitam no livro. Mais irresistível pareceu-me A Mulher que escreveu a Bíblia de Moacyr Scliar, Prémio Jabuti para o melhor romance, e com quem me cruzo nos meus passeios virtuais à Livraria Cultura. Pego no livro, leio a contra-capa, abro-o e deparo-me com um palavreado estranho, uma patranha de que aquela era uma editora para mulheres, uma verborreia que, sendo mulher, não me serve nem me assenta. Para mulheres? Larguei o livro, o Moacyr que me perdoe, esperarei por uma edição brasileira. Senti-me a fazer parte de um grupo oculto e o único grupo a que não me importaria de pertencer e que nem sequer é oculto seria ao FatFighters da série Little Britain. Larguei o livro e vim-me embora, até porque naquele momento o meu sistema operativo respondeu como Carol Beer Computer says no. Deixem lá os livros de seda.

Partilhar

Adeodada

Adeodada é uma boa menina, dessas boa menina que não merece açoite.

Toda boa menina deveria ser como Adeodada, sabendo sempre onde está, para onde vai.

Papai protegendo sua menina de maus tactos; e de sujeitos de carácter pobre, essa pobreza de carácter que acentua fraca debilidade, financeira.

Papai confiando em seu Francisco, digno representante de classe baita especial; em familiares; e em amigo endinheirado.

Papai defendendo essa subtil diferença de carácter que permite conhecer alguém por sua bolsa; e sempre com justificação.

Sempre desconfiei de pobre, pobre só pode mesmo ser pobre, também de carácter.

Daí que Adeodada seja dessas menina que dá pouco valor a opinião de pobre, casa de pobre e carro de pobre.

É tudo tão necessitado!

Etiquetas: ,

Partilhar

Dia Mundial da Voz I

Faltam dois dias para que se comemore um dia que me é particularmente querido, o Dia Mundial da Voz. Este ano, o Prémio Voz 2008 vai ser – muito bem – entregue a Eunice Muñoz. Assim como já o foi a Ruy de Carvalho. Lembrei-me disto depois de ter hoje uma conversa com o grande Fernando Correia, outra das vozes inesquecíveis da rádio portuguesa. Gente como ele e o Jorge Perestrelo – infelizmente já falecido – encheram gente da minha geração com imagens ditas, faladas, gritadas e até inventadas nos tempos em que futebol era “visto” no rádio. Humilde como sempre me lembro dele, Fernando Correia é uma das últimas grandes vozes do jornalismo radiofónico desportivo. Espero sinceramente que alguém se lembre, no próximo ano, de o colocar entre os premiados com este magnífico galardão, que faz todo o sentido para quem se lembrar como era aquele tempo em que os ouvidos, e não os olhos, eram a alma do povo.

P.S. – Pensei sinceramente em fazer acompanhar este post de uma fotografia do Fernando Correia mas depois lembrei-me de algo que ele me disse sobre o Dia Mundial da Voz: sinto-me lisonjeado que as pessoas me reconheçam só de me ouvirem no rádio. Lugar Cativo vai para o ar no Rádio Clube Português, às 20 horas, todos os dias. Goste-se ou não de futebol, a voz do Fernando Correia é única.

Etiquetas:

Partilhar

Símbolos dos anos 80 (4)

Partilhar

a preparar a reforma...

Está uma senhora na televisão a dizer vezes sem conta que é preciso prepararmo-nos para a reforma... Que quando o idoso deixa de trabalhar fica sem saber o que fazer ao tempo e que isso não pode acontecer...

Acho muito bem! Aliás eu acho que já entrei nessa fase e, modéstia à parte, tenho muito jeito para isso... O meu problema não é o que fazer na reforma... o meu problema é o que tenho de fazer até chegar lá!

Etiquetas: ,

Partilhar

sábado, abril 12, 2008

o vitinho

Anos 80! Ah, agora já posso falar da minha boca! Então cá vai:

Está na hooora da camiiinha
Vamos lá dormiiir!...

Lembram-se?... O Vitinho é o expoente máximo dos vídeos de Boa Noite da televisão. O boneco é da Milupa mas como que ganhou vida própria com o sucesso televisivo. [Aliás, a Milupa já lhe deu uma nova imagem e eu senti-me completamente ultrajada - aquele não é o "meu" Vitinho!!!]

É certo que não vivemos todos no mesmo tempo, mas só no ano passado, em conversa de grupo, tomei consciência de que o Vitinho não é universal!!! - já há quem não faça ideia do que era o Vitinho... E, num misto de saudosismo, tristeza e autoridade informativa, lá tive eu de esclarecer a audiência... ignorante!

Eu sei que houve muitos bonecos de boas noites, mas o Vitinho é o Vitinho! Como é possível não saberem o que isso é?! Que pais desnaturados não apresentam o Vitinho às suas crianças?!


E, estava eu à procura de umas imagens para este texto, quando descobri que há uma «Comunidade Vitinho» empenhada em trazer o menino de volta para o pequeno ecrã. Assim, e ao encontro de toda esta minha indignação, corre uma petição (no meio de "milhentas") que me fez sorrir:


Apelo da "Comunidade": [vídeo 1] [vídeo 2] [vídeo 3]



E agora vou dormir, porque já deu o Vitinho... há muito tempo!

Sonhos liiindooos!
Adeeeus e até amanhããã...




[Quantas e quantas vezes eu desliguei o meu candeeiro passeando os dedos devagarinho até ao interruptor...]

imagens: retiradas do vídeo do Vitinho I

Etiquetas: , ,

Partilhar

sexta-feira, abril 11, 2008

Chamem a pulissia

Partilhar

Masoquismo é...

... ver o Benfica levar três (3) da Académica no Estádio da Luz.
... ver o Benfica levar três (3) da Académica no Estádio da Luz e ser tão, mas tão masoquista que não desiste de ver a desgraça até ao fim.
... ver o Benfica levar três (3) da Académica no Estádio da Luz e ser tão, mas tão masoquista que não desiste de ver a desgraça até ao fim, e ainda ver o Chalana dizer Ah e tal até tivemos oportunidades de golo.
... ver o Benfica levar três (3) da Académica no Estádio da Luz e ser tão, mas tão masoquista que não desiste de ver a desgraça até ao fim, e ainda ver o Chalana dizer Ah e tal até tivemos oportunidades de golo, estar lixado com a péssima prestação da equipa e nem conseguir colocar aqui uma imagem porque o Blogger says Noooo (homenagem à série Pequena Grã-Bretanha).
... ver o Benfica levar três (3) da Académica no Estádio da Luz e ser tão, mas tão masoquista que não desiste de ver a desgraça até ao fim, e ainda ver o Chalana dizer Ah e tal até tivemos oportunidades de golo, estar lixado com a péssima prestação da equipa e nem conseguir colocar aqui uma imagem porque o Blogger says Noooo (homenagem à série Pequena Grã-Bretanha) durante cinco tentativas e depois disto tudo, e meia hora depois, diz Ok já carreguei essa coisa.



Moral da História: Ele há noites em que o chefe deste blogue se ri e com razão.

Etiquetas: , ,

Partilhar

O Campeonato da Segunda Circular [2]

Partilhar

Parabéns, Mayra!

Partilhar

Moonbase Alpha

Ora aqui está uma daquelas coisas que foram feitas nos 70 e duraram. Nos anos 80 ainda tinha a sua piada, tanta que só na década seguinte percebi que dava para ver os fios que faziam voar os Eagles.

Etiquetas:

Partilhar

Símbolos dos anos 80 (3)



Grandes chumaços nos ombros dos casacos, mini-saias de ganga, rimel verde ou azul, brincos enormes, óculos Ray-ban com armações de massa e lentes pretas, perneiras, luvas sem dedos, sapatos bicudos, calças muito justas, camisolas enormes e sobrepostas e sabrinas de borracha.


Partilhar

quinta-feira, abril 10, 2008

Fim-de-semana à vista (lions cut)

Partilhar

Os Jogos da Limpeza

Enquanto no mundo ocidental continua a triste história da atribulada viagem da Tocha Olímpica… A China diz ter desmantelado uma rede terrorista que pretendia raptar atletas durante os Jogos Olímpicos de Pequim. A notícia está a ser veiculada pela Associated Press.
Trinta e cinco alegados terroristas terão sido presos na zona de Xinjiang e, embora as embaixadas ocidentais já tenham pedido esclarecimentos, nada mais foi dito até ao momento pelas autoridades chinesas, a não ser que os detidos fariam, alegadamente, parte de um grupo islâmico independentista daquela região.
Curiosamente em Xinjiang a etnia dominante é Uyghur com 45 por cento da população contra 41 por cento de etnia Han que é, de resto, dominante na China.
Os Jogos Olímpicos de Pequim, está mais que visto, vão permitir ao regime chinês fazer mais algumas limpezas no seu território. Pena é o Comité Olímpico Internacional continuar alegremente a assobiar e a acreditar, convenientemente, que desporto e política não têm nada a ver.

Etiquetas:

Partilhar

Símbolos dos anos 80 (2)






Partilhar

quarta-feira, abril 09, 2008

No smoking

He causeth the grass to grow for the cattle, and the herb for the service of man.
Psalms 104:14


O Joseph, por exemplo, o Joseph era rapaz apara concordar com a lei n.º 37/2007 de 14 de Agosto. Fumar? Que é lá isso? Chega para lá, ó malcheiroso. Nine Miles, umas dez da manhã. Sabe-se lá, em tempo de férias, que horas são, que dia é, a única referência temporal é a proximidade do dia de partida, o afastamento do dia de chegada e o sol nascente e poente. Tudo o resto são momentos de indizível prazer e evasão. Sabe-se apenas, dizia então, que o dia começara cedo, com um céu absurdamente azul e límpido, uma acalmia retemperadora no Caribe, sem turistas, veraneantes, animadores de hotel, apenas as gadanhas do limpa-areias desenhadas em arabescos no areal minúsculo, o murmúrio suave do mar na areia e o mar espelhado reflectindo as linhas de ouro que o beijavam ao de leve.
Pela quantidade de caminho trilhado da costa oeste da Jamaica até St. Anne e Nine Miles, teriam passado umas boas horas, sono pelo meio, muitas ravinas, muitos quilómetros percorridos nas estradas estreitas e esburacadas, muita vegetação e pequenos-almoços inevitavelmente regurgitados em virtude do caminho sinuoso, e quando nos aproximámos finalmente do local de descanso final do grande rei do reggae, Robert Nesta Marley, e também local de inspiração de temas que me acompanham desde a adolescência, o sol estava alto e impiedoso, no zénite muito provavelmente, o calor húmido como uma película invisível entre o corpo e a roupa. Primeiro à direita, a escola fundada por Cedella Marley, depois o estacionamento num local preservado da curiosidade local e por fim, o momento que terei esperado toda a minha vida, mesmo sem o saber. A casa onde Bob Marley viveu, onde nasceu e onde descansa encontrava-se à minha frente.
À nossa espera estava Joseph, jamaicano, rastafari. Seria o nosso guia por aqueles momentos que afinal me pareceram tão fugazes. E assim continuámos. Após o cumprimento respeitoso Respect, de punho fechado com os nós dos dedos a tocarem-se e os sapatos tirados, chinelas neste caso, as solas dos pés bem assentes no solo, surgiu-nos a casa, a cama que partilhou com Rita cantada no imorredoiro Is this love, a almofada em Mount Zion, onde a inspiração surgiu, local eleito para a meditação do profeta do reggae, e, por fim, o local do descanso final. Dizia Joseph que lá dentro repousa Bob Marley com a cabeça virada para o sol nascente, iluminado aos primeiros raios de luz que atravessam o mausoléu pela estrela de David, a sua guitarra e o charro. A canícula chegava ao auge apenas atenuada pelo canto das crianças do lado de fora da cerca, o coro perfeito para a banda sonora que Joseph ia trauteando à medida que passávamos pelos locais imortalizados nas letras e músicas de Bob Marley. A visita chegava ao fim, tão breve, afinal e, para a finalizar, que tal um cigarrinho? Vou fumar um cigarro Enquanto se tomava o espaço de descontracção longe dos restantes visitantes, Joseph desabafou peremptório e sem cerimónia I don´t smoke! Tendo em conta que faz parte da religião rastafari fumar marijuana e não fumar tabaco nem beber álcool ou comer carne, saiu-me sem querer You don´t smoke cigarettes then… ele replicou que não, não fumava tabaco, que era veneno, fazia mal, e que não gostava do cheiro mas adiantou sem reservas But I smoke ganja for 31 years now, ufano e triunfante. O Joseph, dizia eu, era rapaz para concordar a lei n.º 37/2007 de 14 de Agosto.

Nine Miles, Jamaica
foto: minha

Etiquetas:

Partilhar

Compreensível

Partilhar

Cinemas com filmes dentro

Sabem aquela mania que muita gente tem para ligar determinadas músicas a outras tantas situações ou pessoas? Lembrei-me hoje que também faço isso por causa de filmes (quem inventou esta coisa dos anos 80 aqui no GR está tramado comigo). Melhor dito, associo filmes a salas de cinema (podem chamar os senhores dos coletes de força, se fazem o obséquio).
Convém dizer que isto funciona nos anos 80, porque a massificação do VHS acontece precisamente no caminho para o final da década (em Mafra pelo menos) e os anos 90 marcam o declínio das grandes salas lisboetas e o início da mundialização da pirataria em larga escala.

Mafra, sede de concelho e vila pertencente ao Distrito de Lisboa, tinha nesses anos particularidades estranhíssimas. O termo “vou a Lisboa” indicava que a pessoa em questão iria estar todo o dia fora, logo uma ida ao cinema a Lisboa era uma festarola à moda antiga. Mas esta festa começa mesmo em Mafra. Se alguém passar por aqui, e vir o Auditório Municipal Beatriz Costa, faça o favor de se lembrar que ali existiu em tempos idos o Cine Teatro de Mafra onde se viram filmes famosíssimos como “Trinitá – O Cowboy Insolente” ou “Firefox”, um filme péssimo com o homem que se tornou famoso a dizer “Make my day” e “Do you feel lucky punk?”. Ele mesmo, Clint Eastwood, a fazer as delícias de um jovem provinciano sentado no primeiro balcão de uma sala que deixa boas recordações a duas gerações de mafrenses, pelo menos.
Nesse mesmo ano 1985, vi Nicole Kidman (juro que não tinha qualquer memória desta presença se não tivesse ido procurar esta sinopse na Internet) nas fabulosas cadeiras do cinema Londres, olhando para uma coisa chamada “BMX Bandits”, uma produção muito adequada a malta da minha idade (à data). Mais grave que isto, com vergonha vos digo que fui um dos imbecis que, quando o bom do Silvester Stallone, depois de levar um monumental enxerto de porrada, se vai ao mauzão Drago em Rocky IV, me levantei da cadeira histericamente num aplauso que nunca mais vi numa sala de cinema, eu e o resto da sala, porque isto de bater nos maus dava uma adrenalina dos diabos, especialmente se visto na tela do São Jorge e aos 16 anos de idade.
Para fechar este ciclo de cinemas que me marcaram nos anos 80 fica “Tron”, uma produção da Walt Disney que sempre recordei por várias razões: Jeff Bridges como actor principal num filme que pela primeira vez coloca o homem dentro da máquina e usa animação computorizada; o filme é execrável mas a animação é um marco na história do cinema; em 1983 ganhou um Óscar por causa disso mesmo; visto no ecrã panorâmico do velho Monumental foi, naquele momento, o melhor filme do Mundo.

P.S. – Nos anos 80 era muito, mas mesmo muito frequente, os filmes chegarem a Portugal com uns anos de atraso, destes quatro penso que "Tron" foi o mais célere, demorando apenas dois anos entre a estreia nos EUA (1982) e a chegada a este cantinho (1984/85).

Nota de Redactor: Sites americanos dizem que, em 2011, a Walt Disney vai estrear a sequela, talvez remake, de Tron. Jeff Bridges, numa entrevista já veio dizer que talvez participe… Deus nos livre e guarde…

Etiquetas:

Partilhar