domingo, setembro 30, 2007

As novas regras nacionais para o futebol
[de aplicação discricionária]

1. Alguns guarda-redes nunca devem tocar a bola com as mãos caso pressintam que esta tenha tocado por último num local que não seja [até ao dia] a cabeça de um colega de equipa.

2. Se for efectuado um corte de cabeça dentro da grande área por um jogador da equipa que defende, os árbitros podem assinalar grande penalidade se um dos seus assistentes considerar que viu um corte efectuado com o braço.

3. Se for efectuado um corte com o braço dentro da grande área por um jogador da equipa que defende, os árbitros podem assinalar bola ao ar fora da grande área se um dos seus assistentes considerar que viu um corte efectuado com o braço.

4. Quando a decisão errada de um árbitro tem influência no resultado final de jogos onde participam certas equipas, este deve pedir desculpas no final da partida.

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Ser político hoje...

É arriscado ser político nos dias de hoje.

Se se mantém uma postura demasiado rígida, é porque não se tem em atenção a comunicação social, ou não se ouvem as bases, ou porque se é autoritário (Mendes, Cavaco).
Se mantém uma postura demasiado "comunicativa", é porque não se age em função das necessidades do país, mas sim pelos "desgostos" da comunicação social, é-se o "bonzinho" da paróquia e, ao mesmo tempo, o "mole" que não age (Guterres).
Se se é determinado e teimoso é porque não se ouve ninguém, sofre-se de um autismo perigoso e as ideias que se tem para o país poderão não ser as mais viáveis (Sócrates).
...

Na leitura de fim-de-semana dos jornais/televisão achei piada à opinião, de alguns comentadores políticos, sobre o acto eleitoral no PSD. O desgaste da novela "paga quotas/não paga quotas", foi interpretado, por alguns comentadores, como o princípio do fim de um dos partidos responsáveis pela governação do país. Vaticinar o fim de um dos dois grandes partidos de Portugal, devido a querelas de disputa do poder, é analisar com profundidade e imparcialidade a actividade política do país.

Mendes era mau: não se soube impor, porque, parece-me, não sabe bem o que quer ou tem dúvidas. Mas há uma pergunta que não me sai da cabeça: gostaria Mendes do cargo? O seu estilo comunicativo é um desastre, resvala para o género "mau declamador de poesia", drama/tragédia, algo um pouco "sinistro" e passivo para um bom líder da oposição.

Se fosse do PSD também teria votado Menezes, pois o autarca do Norte é muito melhor a comunicar, pretende ansiosamente chegar a líder do partido e sabe comunicar emocionalmente, por muito que isso desiluda os intelectuais do regime, que confundem saber comunicar emocionalmente com falta de princípios. Uma coisa poderá querer dizer a outra, mas nem sempre.

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o flautista de Hamelin do século XXI...

Omiri é um projecto (português!) a solo do verdadeiro homem dos sete instrumentos: nyckelharpa, bouzouki, flauta, guitarra, gaitas-de-foles (galega e transmontana) e manipulação sonora. Vasco Ribeiro Casais cruza a música de baile tradicional com a electrónica e o resultado está à vista! Ainda não assisti ao vivo, mas dancei num workshop na semana pasada e ainda não me cansei de ouvir este «Dentro da Matriz» – um andro com uma sonoridade muito, muito particular...


Um andro é uma dança tradicional da Bretanha, que se dança em cadeia, numa repetição contínua de meia dúzia de passos – [aprendi que] seria dançada por uma aldeia para aplanar o chão de terra batida das novas casas. Pode ser mais lento e introspectivo, dançado até de olhos fechados, num quase estado de transe colectivo. Pode também ser mais rápido e animado, quase corrido. Diz assim no Mosca Tosca: «Arrastar as pessoas, conduzi-las com música. Afinal o flautista de Hamelin tem fundamento, a música atrai, desperta, apaixona, seduz, liberta, encarcera, faz sonhar... neste caso apenas excluimos os ratos...» – é isso mesmo!

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sábado, setembro 29, 2007

Diz o roto ao nu

Mário Bettencourt Resendes, com aquele ar de pessoa que quer parecer muito séria e muito independente que caracteriza todos os soaristas “encapotados” na comunicação social, “alertava” na SIC para a possibilidade de Menezes ter alguns pontos fracos que podem ser explorados com bastante facilidade por Sócrates. Enquanto se referia aos ditos [pontos fracos], deixou escapar uns sorrisinhos de satisfação – é compreensível, é mais forte do que ele. E eu não consegui evitar de dar umas boas gargalhadas enquanto ele os referia – igualmente compreensível, também é mais forte do que eu.

Comecei logo a imaginar um debate, em 2009, entre o actual primeiro-ministro e Menezes, em directo num canal aberto, com Sócrates cheio de confiança e com os olhos semicerrados [problemas com as lentes] a questionar Menezes: «Mas afinal qual é a sua posição sobre a Ota Dr. Menezes? É que eu, assim como os portugueses que nos estão a ver neste momento, ainda não a conseguimos entender. Tal como ninguém entende se é a favor ou contra a baixa de impostos anunciada este ano pelo meu governo. Provavelmente mudou mais uma vez de opinião». E o "pobre" Menezes, muito atrapalhado, envergonhado e acabrunhado a responder: «Provavelmente o Sr. Primeiro-ministro deve pensar que é a única pessoa neste país com direito a mudar de opinião e, mais grave, que pode prometer uma coisa hoje e fazer exactamente o contrário amanhã…»

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sabores...

No café, ao meu lado pedem uma garrafa de água com gás de sabores...

- Mas qual sabor?...
- O que é que há?
- Manga, morango, limão, pêssego, maça,...
- Ui... Bem, qual foi o primeiro que disse?...
- ...
- Pode ser esse!

Comenta a amiga...

- Eu prefiro sem sabores...
- Pois, eu também!...

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Surpresas...


Desde que me lembro voto. Votar é um dever para quem acredita na democracia. Acredito na democracia enquanto forma de organização de um estado (?). Um dos problemas da democracia é a ideologia, compreendo, contudo, a razão da sua existência, precisamos de saber em que é que "acreditam" as pessoas que nos vão governar.

A ideologia viu-se na contingência de criar a sua própria hierarquia: uma bíblia, crentes, paróquias, bispos, seminários e os malfadados seminaristas, e o seu próprio papa, um nadinha mais papista. Os novos crentes também não vivem sem rituais e é essa necessidade de iniciação que alimenta a ânsia dos outros seres humanos, os futuramente "ideológicos".

A única diferença entre o papa do Vaticano e o papa "ideológico" é a sua longevidade e a do seu cargo. Há, no entanto, em ambos uma dúvida séria e espiritual: a qualidade de vida no "Além".

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Contravapor [1]

Isto, para além de mau perder, é também um acto de contrição. Se não o é... deveria ser.

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Olha, é a «nossa» Leonor

E eu não sei se lhe dê parabéns pela iniciativa ou se lhe agradeça o esforço de difundir o gosto pela leitura à rapaziada. Provavelmente, as duas.
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E agora espero que cumpra a promessa...

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Eleições PSD: Última hora

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sexta-feira, setembro 28, 2007

Já não falta tudo

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Quem não se sente...

Gosto de ouvir, de vez em quando, o "Contraditório" da Antena 1. E fiquei satisfeita por tão dignos comentadores dizerem aquilo que eu pensei acerca da reacção de Santana Lopes à "telenovela futebolística" da SICN. Afinal PSL é um ser humano como qualquer outro e como se diz na "província": "quem não se sente não é filho de boa gente".

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Pig-headed politicians

John Lennon Airport, Liverpool.
foto: minha
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Tolstoi

Pratico, há alguns anos, com um amigo, um exercício literariamente interessante e mentalmente saudável. Trata-se de fazer chegar um ao outro, pelo menos uma vez por ano, "impressões" sobre determinado livro. O que potencia, por vezes, "discussões" agradáveis.

O nosso único "amor de perdição" é Camilo. O meu "Camilo" preferido, até agora, é, sem dúvida, "A Queda de Um Anjo" (cuja leitura me parece aconselhável a qualquer político activo "no actualmente").

Neste momento estou a braços com um livro gigantesco. Este "calhamaço" foi sugerido pela Nel de Agustina. Como a personagem principal de "Dias Felizes" dialoga, com alguma frequência, com Anna Karénina de Tolstoi, resolvi mergulhar naquele volume assustador de páginas. Penso que o exercício me permitirá compreender Nel de uma outra forma e mergulhar noutro Universo literário feminino. Ana difere de Elizabeth Bennet (cuja inteligência em demanda da inteligência da alma gémea, coloca a questão "casal" num Universo totalmente novo), e de Madame Bovary (a heroína de Flaubert não questiona a "fidelidade" em termos morais), mas é uma personagem igualmente canónica.

Tolstoi é um gigante moralista, mas um gigante moralista maravilhoso.

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dança desopilada...

Paulo Ribeiro está no TNSJ (Teatro Nacional de S. João – Porto) e, aproveitando o desconto das 5as feiras, fui nesta noite ver Masculine... Quatro homens (três bailarinos e um actor) em palco num encontro de amigos partilham pequenas estórias contadas oral e fisicamente, entremeadas com poemas de Pessoa. A dança é muito física e as movimentações conjuntas são quase acrobáticas. A expressividade corporal é imensa e a naturalidade das reacções quebra a barreira invisível entre o público e o palco... Foi muito bom! Foi... divertido!!!

O humor na dança não algo naturalmente aceite... Mas quem disse que a dança contemporânea tem de ser uma coisa séria e elitista?... Na entrevista ao TNSJ, diz Paulo Ribeiro, em relação às suas peças:

«Talvez o humor nas minhas peças não tenha que ver com uma vontade de fazer rir, mas com o gosto de desconstruir as coisas, de as desmembrar, e é isso que as torna desopilantes.»

A peça traça uma tangente ao universo de Pessoa, à pessoa de Pessoa e não ao seu génio... «Interessaram-nos sobretudo apontamentos, desabafos, pequenas coisas do Livro do Desassossego» – explica o autor. Confesso que, à parte dos poemas explicitamente ditos, não vi Pessoa em mais lado algum... No entanto, como o que me atraiu no coreógrafo foi a possibilidade de me libertar da obcessão da procura de uma narrativa na coreografia – que ele refere a propósito de outra peça –, acho que nem me dei ao trabalho...


Masculine está no TNSJ até sábado e segue nos próximos meses para Lisboa, Guimarães e Évora. Entretanto, para a semana, há, ainda no TNSJ, um dueto (do próprio Paulo Ribeiro com a sua mulher), Malgré Nous, Nous Étions Là.

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Sinto-me estranho

Estou de acordo com o comentário* e achei acertada e extremamente corajosa uma medida de Santana Lopes.

Via Corta-Fitas

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quinta-feira, setembro 27, 2007

Um duelo contra o tempo*


Tenho uma amiga que diz que os blogues são um exercício de vaidade, voyeurismo e uma forma de fomentar intrigas. Já não me lembro o que lhe respondi, provavelmente qualquer coisa banal, enfim, nem sempre conseguimos responder sabiamente e de forma inteligente.

Eu gosto deste exercício diário de pensar sobre o quotidiano. É uma forma de fazer uma análise "científica" sobre o que se passa à minha volta e perceber o quanto, por vezes, a interpreto de forma "profunda" e "inventiva".

Um confronto, diário, com a inteligência ou falta dela. O que poderá provocar "leves" sobressaltos, mas que, decididamente, me ajuda a regredir. É uma forma, muito própria, de lutar, de luvas, contra o tempo.

Compreendo, da sua parte, um "certo" franzir de sobrolho, um "leve" encolher de ombros e uma "fugaz" expressão incrédula, há, nestas palavras, laivos de uma certa ingenuidade. Que argumento poderei utilizar? talvez um benemérito: vá lá, não esqueça o seu lado naïf, pois é essa criança espantada com comportamentos/acções/pensamentos de si própria que não deverá deixar morrer.


*de luva branca, é sempre bom manter a classe.
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quarta-feira, setembro 26, 2007

Ah pois está

Pedro Santana Lopes abandonou o Jornal da Noite da SicNotícias em protesto à interrupção para a transmissão em directo da chegada de José Mourinho ao aeroporto da Portela. Visivelmente indignado, chegou à brilhante conclusão de que O país está louco! Está pois e não é de agora.

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Sem Milagres

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O Milagre das arbitragens

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Ou vai, ou racha

Se porventura tivesse voto na matéria, não teria qualquer dúvida:

Mendes é um cinzentão pardacento, super enfadonho, hiper melancólico e mega monocórdico – entre muitas outras coisas que não são, por ora, para aqui chamadas. Menezes… bem, Menezes não sei exactamente bem o que é, porém, seja lá o que o homem for, agrada-me desde já o alvoroço provocado pela sua mera candidatura à liderança do partido social democrata; e, mesmo sabendo que até se pode estar a correr o risco daquilo ruir de vez, a verdade é que o PSD está mesmo a precisar dum abanão, e dos fortes – nunca inferior a 8,9 [na escala de Richter].

A minha última esperança é que Menezes consiga ultrapassar todos os obstáculos fomentados atempadamente pelos apoiantes da candidatura de Marques Mendes e consiga convencer a maioria das hostes “sociais-democratas” que [para além de visivelmente maior] é melhor que Marques Mendes. Não vai ser nada fácil [a parte de ser melhor], mas caso venha a ser bem sucedido basta-me que Menezes consiga transpor uma agitação similar para a vida política nacional.

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Fátima acabou de ganhar mais um crente

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O mundo da ciência é composto por seres "relativamente" humanos

Ontem ouvi apenas os minutos finais de uma entrevista a "João Magueijo", físico teórico português que se doutorou em Inglaterra e cuja obra "Mais Rápido do que a Luz" foi o motivo da conversa com Carlos Vaz Marques.

Uma entrevista muito polémica.

Principalmente porque o mundo da ciência era, para mim, criativo, inventivo, aventureiro, inquiridor.

Como deveria ser o mundo extra: pessoas que debatem, argumentam e discutem ideias.

Contudo, ao que parece, o ambiente da ciência também possui as suas "brigadas dos costumes".

O que afinal não é de estranhar.

Enfim, o mundo da ciência também é composto por seres "relativamente" humanos.

Ideias, pertinentes, veiculadas por Magueijo:

os cientistas portugueses que estão no estrangeiro a investigar, estão a ser aliciados para trabalharem em Portugal. É ingenuidade da parte deles. Chegam cá e deixam de fazer ciência.

Motivos:
- carga horária das aulas, afinal em Portugal as Universidades pensam que os alunos saem mais inteligentes da faculdade se forem "massacrados" com um vasto currículo disciplinar.
- falta de grupos de discussão. Fazer ciência pressupõe discussão de ideias.
- burocratas da ciência, "cientistas" que por falta de grupos de discussão, ambiente científico, etc, deixaram de fazer ciência.
- fazer ciência é, acima de tudo, discutir/dialogar sobre teorias.

Segundo o físico teórico português,

e de uma forma geral, há censura no meio científico . 10.000(?) exemplares da sua obra foram retirados do mercado, em Inglaterra, e "queimados". A nova versão foi reescrita por juristas (?). A versão inglesa é diferente da americana;

há demasiados burocratas/políticos na ciência, estes sobrevivem à custa de assistentes. Contudo, o nome do burocrata, devido à sua movimentação política, é sinónimo de aprovação de projectos. O problema é que os burocratas da ciência são uma força de bloqueio;

hoje em dia a discussão relevante da ciência acontece na Internet. A publicação de artigos nas revistas científicas é apenas uma garantia de prestígio "curricular" e, mais uma vez, para aprovação de projectos.

Traduzindo:
Quem pretenda saber novidades acerca da ciência e, para não andar apenas a debitar lugares comuns, o melhor que tem a fazer é pesquisar na Internet.

Fotografia

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Uxu Kalhus x2

Nos últimos tempos assisti a dois concertos dos Uxu Kalhus fora do ambiente específico das danças tradicionais. Na Carregosa integrado nas festas da aldeia e em Aveiro integrado na Semana da Juventude. O impacto do grupo nas populações é interessante...


Na Carregosa (uma aldeiazinha de Oliveira de Azeméis), havia uma plateia de cadeiras, repleta de espectadores atentos, mas apenas contempladores. Observava-se, num misto de desconfiança e divertimento, aqueles sons de uma tradição atrevida e as movimentações de uma dúzia de bailadores animados. No fundo, no fundo, muito deles até queriam bailar e depois de alguns convites, ainda consegui convencer dois autóctones a juntarem-se ao baile. «Ó menina, mas eu não sei!...» Isso não é problema! A dança é de roda com algumas trocas de lugar com o par; os passos não são complicados e as gentes da aldeia até os conhecem. E, com um ar bem-disposto, após alguma falta de confiança inicial... «Estou a ir bem, pois estou, menina?...»

Em Aveiro, o grupo acomodou-se no coreto da Praça do Peixe, ladeado por algumas esplanadas de bares. O som forte e rejuvenescido, que deixou a Carregosa desconfiada, trouxe Aveiro para a Praça e não foi preciso muito para que toda aquela plateia apeada se deixasse contagiar. Durante todo o concerto, dançou-se, pulou-se, bateu-se o pé,... Alguma dificuldade para cada par ganhar o seu espaço, mas, no meio da confusão, toda a gente se divertiu. Todos curtiram o som e muitos foram entrando nas rodas ou fazendo crescer as filas e se mais espaço houvera, mais gente entrara! A música tradicional não tem de ser uma coisa passada e cheia de pó! E quem disse que o malhão é para ser dançado só pelos ranchos ou que a Saia da Carolina é coisa dos nossos avós?!...

imagem adaptada

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terça-feira, setembro 25, 2007

English as she is spoke

In the country of blinds, the one eyed men are kings.
Na terra dos cegos o que tem um olho é rei.


José da Fonseca & Pedro Carolino, English as she is spoke.

Contrariamente ao que possa indicar um título tão sugestivo, desta feita não está em causa a fluência do primeiro-ministro português e que tem divido as opiniões entre defensores e carrascos.
English as she is spoke, The new Guide of the Conversation, in Portuguese and English, in Two Parts, da autoria de José da Fonseca e Pedro Carolino é uma obra que não deixa ninguém indiferente. O guia de conversação inglesa para estudantes portugueses data de 1855, foi elaborado a partir de um dicionário de Inglês/Francês e um de Francês/Português e, ao que parece, a total ausência de auxiliares de língua inglesa, inclusivamente de conhecimentos basilares da língua de Shakespeare por parte dos autores, não constituiu qualquer óbice, obstáculo ou impedimento. Para memória futura, o livro perdura com pérolas de incontida comicidade. Certamente se os autores tivessem intencionalmente escrito um livro humorístico, não obteriam o efeito deliciosamente hilariante contido nestas páginas.
O livro divide-se em duas partes. A primeira versa sobre o vocabulário português e inglês e a segunda sobre diálogos familiares na qual se incluem anedotas, idiotismos -expressões idiomáticas- e provérbios. Recomendo, pois, aos caros leitores para a próxima vez que quiserem saber novidades, arrisquem What news is there? ou qual é o assunto do momento Which they speack?, se estiveram com pressa digam-no no inglês fonsequiano I am pressed myself, se tiverem uma pergunta dirigida ao mercado editorial nada como But why, you and another book seller, you does not to imprint some good works? E, mesmo tendo acabado o tempo dos pêssegos, recomenda-se These apricots and these peaches make me and to come water in my mouth. Acredito que estejam incrédulos por esta altura mas se me disserem I believe not it, respondo-vos Nor I either.
Outras pérolas imprescindíveis na comunicação do quotidiano incluem I have put my stockings outward ou seja, calcei as meias do avesso ou às avessas. Sem esta, quem conseguiria sobreviver? ou He is drowned of debts, muito útil, tendo em conta o contexto socio-económico do momento presente ou ainda para os amantes fervorosos I dead myself envy to see her, bem melhor do que a versão portuguesa Ardo em desejo de a ver. Caso tenham filhos ou seja necessário um conselho paternal nada como Apply you at the study during that you are young. Uma coisa vos digo: that may dead if I lie to you que é como quem diz, morra eu se vos minto mas não será demais pedir-vos Put your confidence at my, confiem em mim, claro.
E foi tudo isto no século XIX, imaginem se José da Fonseca e Pedro Carolino presenciassem os discursos com que José Sócrates nos tem brindado. Escreveriam tomos inteiros, uma enciclopédia, certamente.


Todas as expressões em inglês retiradas na íntegra de José da Fonseca & Pedro Carolino, (s.d.), English as she is spoke, McSweeney´s Books.
Imagem: minha
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Inglês Técnico reloaded

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Aprender línguas


A aprendizagem de línguas é, para mim, uma tarefa ingrata, mas tenho sempre em excelente conta a capacidade, acima do comum, dos portugueses.

Mas eu sou uma habitante incomum.

A aprendizagem de uma língua estrangeira é, para mim, uma tarefa hercúlea.

Falta-me a paciência e a motivação.

E sinto-me, vagamente, afectada por me aperceber que qualquer português, desde que se esforce, é extraordinariamente versado.

Conheço uma portuguesa que fala e escreve correctamente: português, inglês, francês e neerlandês. É admirável. E já a vi conversar, quase simultaneamente, nas quatro línguas. A minha alma pasma-se e espanta-se, mas nada mais...

Este "poliglotismo" não acontece, por exemplo, com os nossos vizinhos espanhóis.

Ouvir um espanhol falar sem sotaque, qualquer outra língua, é relativamente raro.

E falarem sem sotaque impossibilita-os, muitas vezes, de falarem bem.

A fonética torna-os, em casos agudos, quase incompreensíveis.

Nas minhas deambulações pelos nossos vizinhos, já me deparei com algumas traduções cómicas: "pedritas rolantes".

Mas, para nós, falar bem uma língua estrangeira exclui: falar com sotaque e não confundir pontos "cordiais", por exemplo.

Durante anos e anos, ouvi, quem não tivesse movido uma palha para melhorar de vida e lamentar-se por isso, gozar, menosprezar, humilhar e ridicularizar os nossos "pacientes" emigrantes em França.

Eu cá sempre achei bastante piada ao aglomerado de tão rica miscelânea.

E sempre fiquei bastante envergonhada com o comportamento dos nativos.

Já ouviram algum estrangeiro falar correctamente português e sem sotaque?

Eu já, apenas um. Um tradutor Holandês que adorava Portugal e falava correctamente a nossa língua.

Aquele português, com sotaque Holandês, era perceptível, calmo e doce.

Por mim, penso que qualquer idioma ganha riqueza e comicidade com "apetrechos".

Imagem

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Notas de Inglês Técnico (7)

Carapau com molho de escabeche = Wood face with squabble sauce
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Notas de Inglês Técnico (6)

Mão de Vaca com grão = Cow hand with grain
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segunda-feira, setembro 24, 2007

Notas de Inglês Técnico (5)

Arroz de Cabidela = Her Coat hanger Rice dish
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Notas de Inglês Técnico (4)

Bacalhau à Zé do Pipo = Cod to Jose of the Keg
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Notas de Inglês Técnico (3)

Cataplana = Plainsearch
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Notas de Inglês Técnico (2)

Amêijoas à Bulhão Pato = Cockles to the Big racket Duck
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Notas de Inglês Técnico (1)

Bitoque com ovo a cavalo = Double touch with egg on horse
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É impressão minha...

… ou Sócrates aprendeu o tal de "inglês técnico" na mesma escola do Zezeca Marinha?



Bem que a Leonor dizia...

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Só eu sei porque fiquei em casa

Imagem via: jupiterimages

Este fim-de-semana mais um “azar”: já não bastava termos sido derrotados no [já famoso] batatal de Alvalade por um Manchester United nitidamente abaixo da sua forma habitual, e Paulo Bento ainda tinha de voltar a inventar com o Vitória de Setúbal. Bem sei que o Setúbal acabou por ter bastante sorte [tanta quanto a do Sporting], mas não lembraria a ninguém que se viessem a repetir os mesmos erros da época passada e, por exemplo, voltar a utilizar um tal de Farnerud – que é o mesmo que dizer que o Sporting só teve em campo 10 agricultores jogadores na primeira parte.

Apesar de ser um adepto [fervoroso] da estabilidade da equipa técnica do Sporting, e de continuar a acreditar que Paulo Bento [apesar daquele cabelinho] é para manter, custa-me ver o treinador a cometer os mesmos erros da época passada. É por demais evidente que a equipa do Sporting não tem jogadores de qualidade em número suficiente para Paulo Bento andar a inventar equipas - na suposição que desta forma consegue gerir melhor o desgaste físico dos atletas. Perante estas evidentes limitações quantitativas/qualitativas da equipa do Sporting, os melhores jogadores devem ser aproveitados até à exaustão, sem poupanças, caso contrário, antevejo que a equipa do Sporting vai continuar na senda dos azares.

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Do tamanho do que vejo

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos.
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Teme-se o pior

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Relax



Ao que parece, Sting foi visto a sair de um conhecido bordel em Hamburgo, depois de ter dado um concerto naquela cidade alemã. A mulher, Trudie Styler, achou normal que assim fosse. Depois das apregoadas e já míticas sete horas de sexo tântrico -sete- compreende-se que o desejo se lhe resvale para algo mais fugaz.







Foto.
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kids

Nancy tentando desencardir uns chinelos, outrora brancos - chuac, chuac, chuac.
Criança de 5 anos - Nancy, faz menos barulho, 'tou a tentar concentrar-me neste jogo.
Nancy continuando, descaradamente absorta, na sua tarefa intelectual - chuac, chuac, chuac.
Criança de 5 anos completamente irritada - Tu não percebes que eu preciso de me concentrar para resolver isto?

Nancy - tu gostas de fazer imensa coisa: pescar, jogar, ler, correr. Quando fores grande queres ser o quê?
Criança de 5 anos - Quando for grande quero ser imensa coisa.
Nancy admirada - Imensa coisa?
Criança de 5 anos - Podes crer que sim! Quando for grande vou fazer imensa coisa.

Nancy falando com várias pessoas à mesa de almoço.
Criança de oito anos - Nancy, sabes...
Nancy continuando a responder a várias pessoas...
Criança de oito anos - Nancy, é muito importante saberes...
Nancy prosseguindo na actividade criativa de um almoço ultra-familiar.
Criança de oito anos levantando "ligeiramente" a voz - Nancy, permites interromper-te?

Criança de 11 anos - Nancy, sabes que o novo aluno da turma tem uma forma engraçada de falar.
Nancy - Forma engraçada de falar?
Criança de 11 anos - Imagina que sempre que ele começa a falar usa palavras do género: efectivamente, realmente, verdadeiramente.
Nancy - E?
Criança de 11 anos - Achas isso normal? A minha alma e a da Mariana encheram-se de espanto.

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domingo, setembro 23, 2007

Dez textos sobre Economia(s) (I)

O lema deste blogue é «estórias do quotidiano político, social e cultural». No entanto, tanto a política, como a sociedade ou a cultura são interdependentes da Economia.

Na política é bastante óbvio o que afirmo: as promessas mais marcantes de qualquer campanha estão sempre situados no âmbito económico. A diminuição dos impostos, o aumento do poder de compra, a travagem da inflação e do desemprego, entre outras, são promessas de todos os candidatos a primeiro ministro e estão devidamente inscritas nos respectivos programas de Governo. Além disso, um político que consiga ter uma boa performance nestas matérias tem, excluindo casos pontuais como o de Aznar, uma reeleição garantida ou uma promoção assegurada.

A sociedade move-se hoje pela economia e a economia é movida pela sociedade: as Empresas, as Famílias, o Estado todos eles são agentes económicos e uma boa coordenação entre eles tem efeitos positivos recíprocos: uma sociedade bem organizada, sem burocracias em excesso ou com infra-estruturas decentes permite uma Economia mais saudável que consequentemente retribuirá dando melhor nível de vida às famílias, mais lucros às empresas e uma maior receita fiscal ao Estado. No entanto, a premissa atrás aduzida também funciona em sentido contrário. E penso que é o que se passa actualmente no país.

Finalmente, a Cultura. Há em Portugal uma certa ideia de que a cultura é independente da economia. Mais, não é raro os senhores da cultura olharem com altivez para os senhores "maníacos do números" da economia, assim como com altivez olham os senhores da Economia para os "improdutivos" senhores da cultura. Um exemplo pessoal: um escritor português de renome tinha acabado de ganhar um prémio de vida literária. Entrou no meu escritório, dedicado às contas e, no fim da conversa, eu pedi-lhe para autografar uns livros que tinha dele. Pergunta dele: «o senhor também lê?»
Embora se queira estabelecer uma separação entre Cultura e Economia, elas estão intimamente relacionadas: que explicação pode existir para se visitar um museu em Munique com quadros de Turner, Van Gogh e outros mestres por um euro e ter pago dois euros em Viana do Castelo para ver esboços (nem desenhos chegavam a ser) de Júlio Pomar? E no centro dessa mesmo Munique ter encontrado um livro, com excelente acabamento, numa das melhores livrarias da cidade, de Lobo Antunes por seis euros e meio?
A Economia deveria olhar com mais respeito para a Cultura e esta deveria fazer o mesmo pelas "contas". Porque tanto a Economia, no campo material, como Cultura, a nível espiritual, procuram o mesmo: tirar um pouco da angústia à Condição Humana.

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Lá dentro as cidades

Se o amor acabasse, pensaram saindo do táxi com as malas e partilhando ainda o mesmo guarda-chuva antes de partirem para destinos diferentes,
se o amor acabasse,
todas as cidades se tornariam ilegíveis.

Teolinda Gersão,(2007), A Mulher que prendeu a chuva, Lisboa, Sudoeste Editora.

Um homem solitário em Lisboa ouve a conversa de duas mulheres africanas, enquanto arrumam um quarto de hotel. Dois amantes com o corpo como ponto de partida deambulam por várias cidades europeias. Uma mulher tem um encontro imediato com um assassino em série nos transportes públicos em Berlim. São Francisco e Lisboa unidas pela similitude da ponte e uma família a braços com a crueldade de um cão descartável. Um viúvo reparte os seus dias rotineiros pela cidade de Lisboa. Um homem e uma mulher encontram refúgio em Roma. E, no entanto, A Mulher que prendeu a chuva, o mais recente livro de contos de Teolinda Gersão, não é um livro sobre cidades ou uma colectânea de contos de viagens. Crepuscular e sombrio, a única luz presente é a que ilumina o leitor pelas páginas do livro até ao fim, A mulher que prendeu a chuva move-se entre a morte, a partida literal e metafórica, a viagem pendular entre o eu e o(s) outro(s), a inquietude e a insatisfação, o desencanto do que ficou algures e ter-se-á perdido no labirinto de um tempo irrecuperável. Tudo isto em cidades. Cidades físicas, precisas, específicas, aquelas cidades e não outras. E as cidades, não determinando a acção, emprestam-lhe o carácter de cada uma delas. Um livro de partida para muitas viagens. Tantas quantas quisermos.

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Amigos sportinguistas


espreitem aqui.
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Blogos

1 - Também considero a quantia imoral, perguntarão: mas a imoralidade da quantia consiste em quê?
A imoralidade consiste na falta de escrúpulos, daqueles zeros.

2 - É precisamente isto que eu penso sobre a autoridade literária e/ou o profundo conhecimento de Vasco Pulido Valente sobre Aquilino.

3 - Os Pink Floyd, para mim, também são daquelas bandas que ouço com um entusiasmo neutral. Neutral com o seu quê de neutro é, efectivamente, a palavra ideal.

4 - Há alguns anos que não vejo nenhum noticiário quando, pelo meu vastíssimo horizonte, pululam crianças. A profundidade, inteligência e vigilância da comunicação oral fazem-me imensa comichão. Trata-se, portanto, de um problema de pele.

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sábado, setembro 22, 2007

aviso à navegação...


Hoje, 22 de Setembro, é Dia Europeu Sem Carros. Por isso, vamos todos andar um bocadinho a pé ou de bicicleta ou de transportes públicos... Diz-se que é apenas uma questão de simbolismo... Diz-se até que há muita hipocrisia pelo meio... Pois o ano tem mais uma montanha de dias em que ninguém faz o que quer que seja!!!... Não acho que a pretensa hipocrisia de ser apenas um Dia deva ser razão para nos recusarmos a fazer alguma coisa de positivo. E, mesmo que seja por uma questão simbólica, não custa muito. Hoje até é sábado, fica tudo mais fácil.

Agora vou ali limpar o pó à bicicleta para o dia que há-de amanhecer. Por isso, escuso-me de vos ir procurar no google as iniciativas que vão decorrer um pouco por todo o país... Mas, independentemente de iniciativas organizadas, esqueçamos, por um dia, a chave do carro, calcemos umas sapatilhas confortáveis e ponhamos pés ao caminho!

Passam carros, passa gente
vão para algum lugar é certo
vão para trás ou vão para a frente
vão para longe ou vão para perto
vão para algum lugar é certo, vão

Sérgio Godinho, "As dúvidas do Gaspar" (in "Os Amigos do Gaspar" 1988)
[rasurado meu!]

imagem adaptada do site do ano passado

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sexta-feira, setembro 21, 2007

E o dia que finda

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Sinopses

Continuando o post anterior cujo ponto de partida é este.

Nem sempre a inteligência de uma pessoa poderá ser sinónimo de boas opções de vida, e, consequentemente, de uma vida "feliz".

Concordo, contudo, que existem milhões de exemplos que se encaminham tanto numa direcção como noutra.

Isto é, pessoas que sendo inteligentes optaram pelo caminho certo, daí uma vida tendencialmente feliz; e outras, inteligentes, com opções erradas e uma vida "parcial" ou "totalmente" infeliz.

Contudo, não concordo com a consequência:

inteligência = felicidade

falta de inteligência = infelicidade

A capacidade de saber "gerar" uma vida feliz é muito complexa e, quer se queira quer não, o factor sorte é, frequentemente, singular (o tal "estar no sítio certo à hora certa).

Por exemplo, no mundo das estrelas (rock, pop, cinema, desporto, etc) a ascensão meteórica produz, nalguns casos, vidas verdadeiramente infelizes.

Não vale a pena citar outros casos, Britney Spears é um excelente exemplo.

Parece-me importante que, para além da inteligência, o sujeito meteoricamente milionário deva possuir uma grande capacidade de "recauchutagem" interior.

A "recheado" interior deverá possuir respostas bastante claras às seguintes reflexões:

- o presente adequa-se às minhas "pretensões" de futuro?
- o meu perfil adequa-se a que tipo de "estrela"? (vítima, fatal, depressiva, sanguessuga, objectiva, oportunista, realista, etc)
- como lidar com o staff de apoio? (de forma ingénua, profissional, emocional, ...)
- e as estrelas da órbita, como lidar com elas? (idem)
- e os milhões de amigos rapidamente disponíveis? (idem)
- e os fãs? (idem)
- e a comunicação social? (idem)
- e a vida pessoal? (idem)
- o meu talento está atento à minha evolução pessoal?
- de que forma acompanho a evolução dos tempos?

Poderão acrescentar: mas a condição "milionário meteórico" invalida a impossibilidade de reflexão, pois estamos perante uma espécie de fama passageira.

Sim, nalguns milhares de casos, mas também há exemplos de quem o soube fazer.

Madonna, é um excelente exemplo, tal como muitos outros ídolos rock, pop, cinema, desporto, etc.

A estrutura pessoal, aliada à capacidade de relacionamento com a vasta multidão de indivíduos que se cruzam pela sua esfera, parecem-me condições essenciais para a sobrevivência.

Normalmente o guião é previsível:

O cónego chega à cidade, a cidade possui uma grande necessidade de alimento espiritual, e o futuro líder espiritual é megalómano, enfim pretende espiritualizá-los. Depois de resolver uns quantos mal-entendidos e outras tantas oposições, a "capela/igreja" (depende da dimensão da freguesia) enche-se, meteoricamente, de fiéis. E o padre repleto de auto-estima e capacidade de espiritualizar. Mas o bispo está atento ao excesso de público e, consequentemente, de trabalho do seu novo delfim. Para o "ajudar" recruta um novo cónego, tem a sorte de ser igualmente talentoso, na sua especificidade, e coloca-o numa paróquia limítrofe. A proximidade de um exemplo de sucesso alimentará, certamente, o calcanhar de Aquiles do novo talento. Depois de perceber, rapidamente, o que poderá oferecer de acrescento à capacidade de espiritualização do colega de profissão, vê os seus esforços recompensados, a sua igreja/capela está agora repleta "existencialistas", cidadãos com uma espiritualidade um nadinha mais existencial. O cónego anterior, de espiritualidade nada existencial, ou se "existencializa" ou corre o risco de se "espiritualizar" definitivamente. As razões que potenciaram a sua decadência são tão exemplares, quanto específicas, falta de fiéis, excesso de zelo, ingenuidade perante a espiritualidade/existencialidade alheia, relacionamentos "complicados" com staff de apoio, e um aglomerado de diversos tipos de autismo, quanto ao staff, à mobilidade do tipo de fé dos fãs, "amigos" e "amigas", agentes de representação, e, principalmente, ao excesso/ou míngua de estrutura do núcleo familiar. Classificação? Tragédia. As estrelas dependerão do tipo de desenlace e, obviamente, do desempenho.

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Ultra glossy

E eis que aparece Scolari meio balbuciante, claramente com o pragmatismo linguístico que lhe é característico engasgado na garganta. As desculpas esfarrapadas, uma vitimização comedida. E a seguir Gilberto Madail, que me fez tão ininteligente como o Aquilino faz João Villalobos no dizer do próprio e que, por conseguinte, me desviou a atenção para a nova coloração de cabelo do presidente da bola do (des)contentamento do país. Seria castanho claro acobreado? Louro claro cendré? Louro muito claro natural? Canelle? Castanho acetinado? Louro claro muito natural ficou eliminado. Louro claro cendré idem. Há que ter calma, o caminho até aos tons louros será longo por ora. O castanho acetinado é certamente demasiado escuro e, por outro lado, o tom levemente acobreado apelava a tons outonais. E sendo este reparo puramente baseado na mais empírica observação, cruzada com os périplos pelas secções de perfumaria das grandes superfícies comerciais, o sinal de alerta soou perante o acajou, o vermelho profundo, o cassis, o creoule, e isto porque Madail é um rapaz que gosta de mudar a coloração da parca pilosidade no cocuruto do órgão pensante, portanto, preparemo-nos que algum dia ainda seremos surpreendidos com uma coloração ultra glossy ónix castanho escuro.

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quinta-feira, setembro 20, 2007

Milhões de coincidências

1 - Há aqui uma questão muito pertinente.
Por acaso hoje também não posso desenvolvê-la muito mais.
Se Britney Spears revela, ou não, falta de inteligência no seu suicídio público não sei.
Parece-me é óbvio que poucos seres humanos resistem, psicologicamente, à abundância de milhões.

2 - Há coincidências extraordinárias. O caso mais recente é a disponibilidade de Mourinho e a "aparente" futura disponibilidade da selecção.






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FIMP

Está a decorrer mais uma edição do FIMP – Festival Internacional de Marionetas do Porto. Este ano, integralmente, na Praça D. João I, pois o Rivoli é exclusividade do Sr. La Féria... É triste... Entrei hoje no teatro em busca das habituais informações culturais da cidade... Já não há mesinha na entrada com agendas e folhetos... Pois claro que não... Tinha-me esquecido... Adiante! Dizia eu que (para o bem e para o mal) o FIMP está na Praça, com andaimes, plataformas, estrados e uma horta de couves por trás da paragem de autocarros! É o FIMP < en >construção, que permanecerá até domingo em construção e desconstrução com marionetas, artes plásticas, música, teatro, dança, circo e conversa. Entrada livre! – até porque não se entra em lado algum...

[ver programa no site da PortoTurismo,
porque no site oficial é deveras complexo...]

imagem retirada do spot do festival (encontrado aqui)

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quarta-feira, setembro 19, 2007

Frio? Não, eu uso uma termotebe

Das muitas graçolas, piadolas e incongruências com que este governo e o Ministério da Educação nos tem brindado, esta é particularmente - ora, deixa-me cá ver um adjectivo- hilariante, curiosa, espirituosa, divertida, disparatada. Conheço algumas escolas e nenhuma tem aquecimento central, nem sequer aquecimento. Provavelmente quando Maria de Lurdes Rodrigues se desloca às escolas de olhar cândido e condescendente, afagando a cabeça das crianças e quando José Sócrates, de ar generoso, caridoso, benemérito -igual a ele só São Nicolau- distribui portáteis pelo país fora, as escolas estão aquecidinhas, os meninos perfumadinhos e lavados e os professores de farpela domingueira igualmente perfumados e lavados, tudo para o efeito claro. O paraíso, portanto.

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Consultório

Segundo a Antena 1, o bastonário da Ordem dos Médicos disse ontem que a nova medida do governo, picar o ponto, poderá afectar a produtividade da classe médica.
Concordo plenamente.
Efectivamente quando trabalhamos mais do que as horas consideradas saudáveis, qualquer coisa como 8 horas por dia, perdemos capacidade de trabalho.
Mas há alguns profissionais da saúde que consideram saudável "matarem-se" a trabalhar, daí o problema sério da falta de produtividade e das listas de espera nos nossos hospitais.
Um doente com problemas oftalmológicos, por exemplo, e com uma reforma extravagante de cento e poucos euros é um avarento e não está para pagar 75 eur por uma consulta privada, daí que opte (é um grandessíssimo fuinha, lá isso é) descaradamente pela consulta no hospital.
Se tem sorte consegue ser chamado antes de morrer.
Mas, também, não é a falta de vista a causa da morte, sejamos frontais.
Resta-me dar um conselho, saudável, a alguns profissionais da classe médica, mas apenas aos que são verdadeiramente esforçados: vá lá, não se esforcem tanto nas actividades extra hospitais e centros de saúde, os consultórios/clínicas privadas onde Vossas Excelências tratam tão "desumanamente" os doentes, poderão, facilmente, contratar novos "voluntários".
Tal solução, face à "improdutividade" da nova lei, até me parece bastante razoável.

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Tranças... e mais danças...

E tivemos a primeira edição do TRANÇAS - Festival de Danças Tradicionais! Em Estarreja, junto às piscinas municipais, num espaço muito agradável para se estar. Nos relvados, workshops de danças, música, malabarismo e actividades infantis, ainda um bocado perdidos nos horários e nos "clientes", mas nada de comprometedor... – há-de vingar! Ladeando o caminho, bancas de artesanato. Junto ao estacionamento, uma mega-tenda para os espectáculos nocturnos:

- Monte Lunai – infelizmente não pude estar presente, mas as opiniões de quem esteve foram bastante positivas.

- Festival de samba – tenda a abarrotar de público... de braços cruzados... a apreciar as meninas no palco...

- Tricaninhas do Antuã – um grupo de folclore com um público "especial" que, na espera do concerto final, foi acompanhando e imitando, divertida e espontaneamente, as movimentações dos bailadores no palco.

- Elsa Sham's – uma curta demonstração de danças orientais, a solo, terminando também com a colaboração, muito menos atinada – diga-se! –, do público.

- Mosca Tosca – já noite dentro, em véspera de um dia de trabalho... a cidade foi recolhendo e restou o tal público "especial" que lá foi especialmente para bailar. Do palco soa uma concertina, guitarra, precursão e sopros. Divertidos, animados e até emocionados, tocaram um pouco de tudo: portuguesas e europeias, de pares e de roda, rápidas e lentas... E é sempre uma boa oportunidade para aprender mais uns passos que se vão bailando de acordo com as indicações avisadas do palco. Foi um bom fim de fim-de-semana.




Próxima paragem: dia 22 (sábado), integrado na Semana da Juventude de Aveiro, há workshops de danças portuguesas (manhã) e europeias (tarde) e concerto à noite com os UxuKalhus (estes, lembram-se?...). Gratuito, também.


imagens (1) (2)

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terça-feira, setembro 18, 2007

Um doente ligeiramente stressado

Também me manifestei contra o encerramento das urgências no Centro de Saúde.

Os Centros de Saúde são um exemplo notável do bom funcionamento do nosso Sistema Nacional de Saúde.

O meu foi construído há cerca de 20 anos, rodeiam-no árvores lindíssimas e está no centro da vila, mas, acima de tudo, é um lugar bastante agradável para se estar quando gozamos de saúde.

A classe médica é profissional e atenciosa, não nos trata como se fossemos ET's acabadinhos de aterrar numa coisa moderna chamada, sim o meu centro de saúde também é tecnologicamente inovador, consulta alargada, as ex-urgências.

Graças a Deus, as ex-urgências levaram consigo todos os funcionários incompetentes, deformados profissionalmente e cuja simpatia era um exemplo extraordinário de como desenferrujar ferraduras.

Reciclar designações também tem, pelos vistos, as suas vantagens.

Então o doente acabadinho de chegar à consulta alargada regista-se e paga ou não paga, aguarda algum tempo pelo outro doente alargado e entra finalmente no gabinete de atendimento do médico em alargamento.

É verdade, antes passou por um enfermeiro excelentíssimo que perante uma picada de abelha, um atropelamento ou uma gripe, nos trata da mesma maneira, afinal todos temos direito ao termómetro.

Consulta no gabinete do Sr. Enfermeiro:

Enfermeiro - Ó pá, senta-te!
O doente obedece
Enfermeiro preenchendo o papel - Qu'é que tu tens?
O doente - Acabei de ser atropelado pela burra da Fernanda.
Enfermeiro - Ó senhores, e com tanta gente doente lá fora! - estende o termómetro e exclama - toma lá!
O doente - Ó Senhor Enfermeiro, mas eu fui atropelado.
Enfermeiro - E depois? Pensas qu'a febre não é importante? Olha qu'eu já vi morrer muita gente de febre, ignorante!
O doente encolhe o termómetro nos ombros e ali fica até ao final da triagem.

Após tão aprofundada triagem lá entra no gabinete de atendimento do médico.

Doente - Boa tarde, senhora doutora.
Doutora com ar carrancudo mas simpático - Qual boa tarde qual carapuça, s'a tarde 'tivesse boa eu não estava aqui. Qu'é que tu tens?
Doente - Tenho aqui estas borbulhas, fazem-me imensa comichão.
Doutora preenchendo os dados no computador - Borbulhas? Mostra lá! - continuando a preencher os dados no computador - isso tá mau! - os olhos saltam do rato para o teclado - pois é, isso tá mau! - ajeitando o papel na impressora - vais tomar isto e aquilo da seguinte maneira.
Doente - Doutora, afinal o que são estas borbulhas?
Doutora observando o teclado esbugalhado - Ó homem eu sei lá o que são as borbulhas. Toma lá Daflon e toma duas vitaminas por dia: de manhã e de noite. Para a semana vai ao teu médico de família p'ra ver como isso está.

Doente chega à farmácia para aviar a receita.

Farmacêutico observando a receita - Isto é uma pouca vergonha.
Doente admirado - O quê?
Farmacêutico ligeiramente irritado - Então não está a ver? O código de barras do remédio está cortado. Aquela gente 'tá lá a fazer o quê? Incompetentes, nem sabem pôr um papel na impressora.
Um outro cliente, por acaso o enfermeiro do Centro de Saúde - Agora não havia de aviar a receita e obrigá-lo a lá ir. 'Tou farto de dizer àquela gente como se colocam as folhas na impressora, mas só assim é que resultava. Obrigar o utente a ir ao Centro de Saúde e reclamar com a médica de serviço.
Doente de repente exalta-se, mas ligeiramente - Senhor farmacêutico ora dê lá ouvidos ao competente aqui do lado. Ora dê!

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até parece mal...

Estou a precisar de ser colocada!!! Acho que estou a simpatizar demais com a ministra - não pode ser! Ah, e continuo a ter cada vez menos paciência para ouvir os sindicatos...


Nota para o Espumante: Só agora, que fui à procura do link ali para o «continuo», é que dei conta que acabaste de dizer o mesmo que eu! Confirma-se: concordamos mesmo! :) Mas um "civil" simpatizar com a Ministra é natural - então os professores até são uns mandriões que querem trabalhar cada vez menos... Por outro lado, um professor simpatizar com a Sra... até parece mal!... ;)

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segunda-feira, setembro 17, 2007

Recados

Alguém que diga ao Primeiro-ministro português para falar antes Inglês Técnico, pode ser que faça melhor figura além fronteiras e sempre que abre a boca para falar na língua de Shakespeare.

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Avulsos

  • Está ainda o mês muito longe do seu término e já nada pode destronar esta frase como a melhor de Setembro na blogosfera: «Aliás é muito fácil comer poucas bolachas quando estas sabem a casca de árvore.» João Távora, no Corta-Fitas;

  • Independentemente do resultado das eleições no PSD, ter de escolher entre Sócrates, Menezes ou Mendes para governar o país a partir de 2009 é um pouco confrangedor;

  • O Dalai Lama lá se foi embora sem ser recebido oficialmente por ninguém. Creio que se fosse feito uma sondagem, cerca de noventa por cento dos portugueses apoiaria que uma recepção fosse feita. Segue-se Mugabe;

  • A propósito do descrédito da política, ler este post do Pedro Correia. Na mouche;

  • Vai finalmente ser editado em Portugal «Descascando a cebola», de Günter Grass. Gosto da escrita dele e como sempre vou lê-lo. Mas fica a sensação de que estamos no fim do mundo em matéria literária - um ano para traduzir e editar um livro. Só o brilhantismo do autor pode evitar que se sinta o cheiro a cebola requentada.
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Os direitos inalienáveis do leitor

1. O direito de não ler.
2. O direito de saltar páginas.
3. O direito de não acabar um livro.
4. O direito de reler.
5. O direito de ler não importa o quê.
6. O direito de amar os “heróis” dos romances.
7. O direito de ler não importa onde.
8. O direito de saltar de livro em livro.
9. O direito de ler em voz alta.
10. O direito de não falar do que se leu.

Daniel Pennac, (2002), Como um romance, Asa
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Bush amigo, o Sócrates está contigo

Diz José Sócrates que Bush é sempre bem-vindo a Portugal. Pena é que tanta hospitalidade não tenha sido extensiva a Dalai Lama.
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Agustina

Tinha intenção de escrever uma mensagem em louvor de Agustina, mas não ouso quebrar um código de etiqueta, são raros os escritores canónicos verdadeiramente considerados no seu tempo.

Agustina será, no futuro, considerada a maior escritora portuguesa do século XX, e, para tal, pouco acrescentarão um Nobel curricular ou uma mensagem perspicaz escrita num blogue.

Como todos sabemos a obra de um escritor canónico sobrevive à crítica literária e ao "menosprezo" do seu tempo.

Estou prestes a terminar "As Pessoas Felizes", foi o primeiro livro que li de Agustina, seguir-se-ão outros, mas nenhum terá o impacto deste.

Agustina é uma escritora forte e extraordinariamente ousada, atreve-se a dialogar com "certas" personagens da história da literatura e da cultura.

Em "As Pessoas Felizes" o diálogo entre Nel, personagem principal, e Karenina, e entre outras personagens e outros nomes culturais famosos, são constantes.

Mas desconfio que, bem no íntimo, Nel pretenda dizer-nos, antecipando toda uma época obcecada pelo seu reverso, que a felicidade é inatingível para quem ouse investir, apenas e só, numa vida interior.

Quem envolva a sua vida apenas em vida interior sujeita a realidade ao pensamento, e, sabemos, o quanto o pensamento precisa de se adaptar à vertente prática da existência.

A ironia dos tempos modernos é meia dúzia de seres humanos recolherem ao seu quefazer e construírem os alicerces de uma sociedade que pouco penitenciaram.

Para o apreço dos seus pares apenas necessitaram do domínio técnico/teórico de um determinado assunto.

O conhecimento técnico/teórico suplantou o prático, nos mais diversos domínios, daí termos ajudado, sorridentemente, a criar uma sociedade de faz de conta.

Vivemos na época do direito, economia, civismo, o socialmente correcto, obcecados pelos direitos, como garantias inalienáveis do bem-estar e felicidade individuais.

Nel surge como um exemplo insolvente do nosso presente e, por isso, prega aos peixes.

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domingo, setembro 16, 2007

Odores que o olfacto desconhece

Num almoço, Luís Filipe Menezes afirmou que «hoje já cheira a PPD/PSD». Gostaria de saber se isso se deveu a alguma comida estragada ou a algum manjar requintado (se for esse o caso, é favor informar qual). Porque penso que a maioria dos portugueses, como eu, não sabe a que cheiram os partidos e, por isso, não fazem a mais pequena ideia se tal odor representa uma coisa boa ou má.

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sábado, setembro 15, 2007

Contra os canhões

Imagem via: BBC Sport
O “massacre” previsto acabou por acontecer: os All Blacks da Nova Zelândia suplantaram a barreira dos 100 pontos e infligiram-nos a maior goleada do mundial (13-108).

Mas nem tudo foi mau, os Lobos acabaram por mostrar bastante atitude [apesar de pouco ter servido] e conseguiram resistir à Haka sem deixar o relvado alagado. Tenho de confessar que eu andava algo preocupado; sempre considerei que a fase da Haka seria o momento-chave da partida: para além do inestético da questão, não teria conseguido suportar a vergonha de ver a equipa nacional a jogar com os calções todos ensopados.

E aquela cena memorável, logo no início, com a nossa rapaziada a cantar A Portuguesa e a encher toda aquela zona do terreno de lágrimas; quase que pareciam adivinhar o resultado final. Mas não, afinal era tudo uma inteligente estratégia: transformar aquele flanco num pequeno pântano; uma armadilha letal para o aguardado ataque continuado da equipa nacional neozelandesa. Não fosse tanta lágrima e o resultado final teria sido, com toda a certeza, ainda mais dilatado.
Mas não nos podemos queixar muito, os neozelandeses tinham prometido que seriam mais softs do que é usual, e cumpriram: no final do jogo todos os Lobos saíram pelo seu pé e, aparentemente, com os membros todos no lugar. Acabámos por ter a “sorte” dos All Blacks terem engraçado com a rapaziada amadora cá da terra e aproveitado para poupar algumas das suas Superstars – bisontes de 2 metros de altura por 120 kg de peso bruto.

O nosso herói acabou por ser o Rui Cordeiro que conseguiu marcar o único ensaio da nossa selecção. Foi verdadeiramente e-m-o-c-i-o-n-a-n-t-e. E no final foi bonito de ver toda aquela malta, ainda inteira [até parecia mentira], a felicitar-se e a abraçar-se.

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PRÓXIMA ESTAÇÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Ora, bem... linha vermelha... ding dong
PRÓXIMA ESTAÇÃO...
Cruzes credo! Ó senhora, fale baixinho!!! Onde é que eu ia?... Ah... linha vermelha até ao fim e depois tenho... ding dong
PRÓXIMA ESTAÇÃO...
Ai!!! Então?! Não dá para dizer isso mais baixinho?!... Pronto, linha vermelha até ao fim, depois linha verde. Ah, a Alameda é aquela em que se tem de caminhar... ding dong...
PRÓXIMA ESTAÇÃO...
Ó senhora!!! Pronto, na Alameda, mudar de linha... para que lado é mesmo?... Humm... ding dong...
PRÓXIMA ESTAÇÃO...
Eu vou ficar surda!!!... Ora, a Cidade Universitária é para o lado... ding dong...
PRÓXIMA ESTAÇÃO...
Será que eu posso cobrar ao Metro a consulta no otorrino???... Bem... Telheiras, pois... Ah e parece que há obras ou outra coisa qualquer na linha amarela... ding dong...
PRÓXIMA ESTAÇÃO: ALAMEDA.
ESTAÇÃO TERMINAL. HÁ CORRESPONDÊNCIA COM A LINHA VERDE

Pois, já sei, agradecida, mas não era preciso gritar... Pronto, agora um bocadinho de descanso auditivo... O que era?... Ah, Telheiras, Telheiras, Telheiras... E cá vamos nós, mais uma vez... ding dong...
PRÓXIMA ESTAÇÃO...
Esta gente tem de ouvir isto todos os dias nestas alturas???!!!... Voltemos às linhas... Campo Grande... O melhor é ir a pé... Não sei bem por onde, mas não... ding dong...
PRÓXIMA ESTAÇÃO...
Aaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh... Concentra-te, sair no Campo Grande e ir a pé... ding dong...
PRÓXIMA ESTAÇÃO...
Definitivamente, vou ficar com problemas auditivos... A pé do Campo Grande, não há-de ser difícil... ding dong...
PRÓXIMA ESTAÇÃO: CAMPO GRANDE.
HÁ CORRESPONDÊNCIA COM A LINHA AMARELA

... Ãh?! O quê?! Disse alguma coisa?!...



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Obviamente repudio

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Obviamente aplaudo

O DN de hoje dá conta de um grupo de portugueses que se deslocou a Cuba para ser submetido a tratamentos do foro oftalmológico. No âmbito do acordo de geminação entre Vila Real de Santo António e uma cidade satélite de Havana, Playa, o autarca algarvio envidou esforços para colmatar as carências da sua população e prestar os cuidados de saúde que o serviço nacional de saúde português foi incapaz de prestar. Daqui aplaudo, obviamente. Numa altura em que os tiques autoritários se instalaram e saltam a qualquer momento, não só a nível político mas também na esfera profissional, é de louvar que o autarca social-democrata tenha tido como objectivo o bem-estar de quem o elegeu e não a cegueira ideológica que leva muitas vezes a que se esteja de costas voltadas, apenas porque existe uma divergência política e/ou ideológica - não creio que o autarca e o regime de Cuba leiam pela mesma cartilha. E assim devia ser sempre. Independentemente da autarquia ser de direita, de centro, de esquerda, amarela às pintinhas ou azul aos quadrados, é dever dos autarcas e governantes, num sentido mais lato, zelar pelo bem estar das populações além dos espartilhos ideológicos e ter a destreza mental e flexibilidade democrática, rara eu sei, para conviver saudavelmente com a pluralidade e arrumar na prateleira do passado os rótulos que saltam no momento em que o Outro não pensa como o Eu.

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sexta-feira, setembro 14, 2007

Geração Dread

Criança de 5 anos numa loja de artigos desportivos:

Mas eu não quero estes ténis Pai. São ténis de bebé. Eu quero uns ténis dreads.


Imagem: Cookie

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A chapadita de Scolari

Sou o género de rapariga socialmente correcta.

Socialmente ouço as maiores barbaridades e mantenho-me neutra.

Não sei o que acontece comigo quando estou a socializar, torno-me verdadeiramente sociável e nada dessa história assertiva que nos vendem os técnicos da psicologia comportamental.

Tenho uma paciência de Jó.

Por vezes, sinto que a maior parte das pessoas precisa da vida social para despejar um pouco de vida, há nelas vida a mais.

Como sou muito tímida limito-me a fazer o meu melhor: ouvir.

E faço um sucesso.

Apesar de, no dia seguinte, a senhora Y, dificilmente se lembrar de mim, pois tratou de despejar a sua vida e seguiu viagem.

Enfim, é algo que precisamos de fazer, de vez em quando, quando a vida se enche de nós.

Eu gosto imenso de ouvir as pessoas.

E ouço história engraçadíssimas de agricultores, produtores, trabalhadores fabris, etc, pessoas comuns, com vidas comuns, verdadeiramente submersas na realidade.

A última que ouvi, e com a qual concordo plenamente, é a seguinte:

Manel da Azenha - Vossemecês já viram estes gajos? Ganham uns tostões e empatam um jogo de m* com estas pilecas?
João da Pipa - É verdade!, c*, fdp*, precisavam era d'uma cavadela, dava-lhes cá um portento ao corpanzil, aprendiam a jogar num instantâneo.
Fausto do Acordeão - Vocês viram a lambada qu'o Scolari pregou ao gajo?
Manel da Azenha - Lambada? Atão o homem deu-lhe uma chapadita, c'um raio. Qual é o problema? Cambada de mariconços! e um homem é de ferro?

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O rapaz do meu clube de vídeo

Na província também há clubes de vídeo.

O dono do meu clube de vídeo é um rapaz de 19 anos tardios.

Gosto imenso de conversar com ele.

Sobre cinema, claro.

É um relações públicas perfeito e recomenda as novidades consoante as simpatias cinéfilas dos seus clientes.

Há filmes que eu nunca veria se ele não os sugerisse, tenho a mania de os escolher ou por terem ganho a estatueta de Hollywood, pouco de Cannes ou Veneza, pela crítica de cinema, por conhecer o actor, actriz ou por um amigo o ter recomendado.

Não sou assim tão cinéfila.

E detesto filmes com argumentos sem pés nem cabeça, mau som, péssima imagem e que os críticos de cinema nos vendem como se se tratasse da 8.ª maravilha do Universo.

No outro dia assisti a uns minutos de um filme de João César Monteiro, num dos canais televisivos, e questiono-me, ainda hoje, porque será considerado uma obra prima.

Mas gosto de cineastas queridos pela crítica.

Se me obrigassem a escolher elegeria Almodóvar.

Sim, Almodóvar e os seus pós mágicos de:

- lamechismo
- vida quotidiana
- pessoas reais
- situações surrealistas
- actores bonitos e feios
- emoção
- música audível e decente
- violência trágica

Tarantino poderá ser o segundo, pois às características anteriores poderemos substituir só o tipo de violência, a do cineasta americano é gratuita.

Para além de ter alimentado a sua adolescência com filmes de categoria B, Tarantino deve ter lido exaustivamente Flannery O'Connor.

O rapaz do meu clube de vídeo gosta de bom cinema, como eu.

Contudo, no outro dia, cometeu a imprudência de me dizer que tinha ido ao cinema ver o Mr. Bean.

Os meus olhos arregalaram-se, mas compreendi-o:

- é a minha Joana, sabe, eu gostava de ter ido ver o "X", mas ela só gosta deste tipo de filmes ou de comédias românticas.

Ouvi semelhante frase e cheguei a uma conclusão brilhante:

a maior parte das pessoas casadas, juntas - ou qualquer outro tipo de relacionamento que vos arrefeça o pensamento - são muito mais tolerantes do que as celibatárias.

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quinta-feira, setembro 13, 2007

Razão e emoção

Um grupo de cidadãos em fúria procura os assassinos de César.
Deparam-se com um indivíduo furtivo.
Primeiro Cidadão: «Qual é o seu verdadeiro nome senhor?»
Cina: «O meu verdadeiro nome é Cina»
Segundo Cidadão: «Matem-no; ele é o conspirador»
Cina: «Eu sou Cina o poeta, eu sou Cina o poeta»
Terceiro Cidadão: «Então matem-no pelos maus versos, matem-no pelos maus versos»
Cina: «Eu não sou Cina o conspirador»
Terceiro Cidadão: «Não interessa; tem o nome de Cina. Retiremos-lhe do coração apenas o nome e deixemo-lo ir»
Primeiro Cidadão: «Despedacemo-lo! Despedacemo-lo! Fogo! Tições! À casa de Bruto. De Cássio. Queimemos tudo! Sigam alguns para a casa de Décio, outros para a de Casca, outros para a de Ligário. Vamos! Vamos!»


Adaptação livre de Cena de Júlio César, de W. Shakespeare

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Fresquinhas

Eu sei que Marte está em Gémeos e que esta pobre alma que vos escreve sofre desses insondáveis trânsitos, mas depois de ver censura escrito com um s inicial nas notícias em rodapé da Sic, mesmo que Marte estivesse em Sagitário, continuaria a ficar com o ritmo cardíaco acelerado e uns quantos vitupérios prontinhos a sair.

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saudades do Filipe...

No sentido de... digamos, de me "cultivar politicamente", sempre li atentamente a opinião do Filipe, pois, sem qualquer pretensiosismo, ele falava de uma mudança pessoal de estádios, referindo claramente uma posição inicial - primária e natural - que eu sempre achei inevitável... Isto porque eu não acho natural nascer-se de direita! Numa inocente, ingénua ou mesmo ignorante teoria, tenho para mim que, em condições normais - seja lá o que isso for! -, todos somos inicial e naturalmente de esquerda... A força das circunstâncias - seja também o que isso for! - é que nos traz novas ideologias...

Mas dizia eu que tenho saudades do Filipe...

«Na adolescência, não tinha dúvidas: não só a Esquerda era a melhor solução possível, como a existência de uma coisa chamada Direita me era inexplicável. Não era a Esquerda pela igualdade, pela liberdade, pelo fim da pobreza, pelo fim das desigualdades sociais? E não eram esses objectivos os mais nobres dos objectivos? [...] o meu mundo era claro como a água. De um lado, os bons: a Esquerda. Do outro, os maus: a Direita. O único senão deste esquema eram os regimes comunistas [...] Via-os como uma degenerescência dos ideais da Esquerda, mas, por qualquer razão obscura, não os ligava às ideias em si, mas aos homens que as levaram à prática. [...] E acabava por refugiar-me no subconsiente: se determinada ideia era boa, é porque era de Esquerda. Douta ignorância! Até que encontrei a minha estrada de Damasco. Não propriamente a que me converteu, mas a que me educou. A que me ensinou que Esquerda e Direita eram só diferentes, sem que o Senhor Deus se tivesse alguma vez pronunciado sobre a validade absoluta de ambas.»
Filipe Alves Moreira, Dez/2005
Esquerda / Direita: um depoimento pessoal

«a maior parte das pessoas, pura e simplesmente, está-se nas tintas para saber se tal ou tal política é mais de Lenine, Burke, Reagan ou nórdica. Havendo sol no Verão e chuva no Inverno, 60 e muito % da população mundial passa bem sem discussões intelectuias sobre o neo-liberalismo ou o socialismo democrático. E, vejamos: o comunismo ruiu, as teocracias ruiram (vão ruindo...), o capitalismo, provavelmente, vai ruir. Quem nos pode garantir o que quer que seja? Em muito que pese aos velhos profetas de Esquerda, ou aos novos profetas de Direita, a humanidade patenteia uma imprevisibilidade desconcertante, de mistura com uma acentuada propensão para a mudança.»
Filipe Alves Moreira, Dez/2005
Opções



Integrando eu, infelizmente, os tais 60 e muito % da população e estando ainda a atravessar uma adolescência política tardia, continuo a perguntar-me quando é que as "ideias correctas" deixaram de ser comunistas... ou ainda quando é que as ideias comunistas deixaram de ser "ideias correctas"...

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Mata-mata ou variações acerca do fair play

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variações acerca do comunismo

Deve ter sido interessante a vida num regime comunista.
No Chinês, principalmente.
O regime comunista chinês levou Marx tão a sério, ao ponto de a "igualdade" chegar ao traje e, curiosidade das curiosidades, ao boné, resta-me saber se a "igualdade" também chegou aos sapatos.
Imagino uma conversa no hall da sede do partido:
- Viva camarada! Vamos lá suar pela causa comum. E, hoje, quantos camaradas prevê socializar?
- Camarada, hoje, 'tou um nadinha deprimida.
- Deprimida? Uma camarada nunca se deprime, aliás um caramada que se deprime precisa de ler o "Corão" mais umas quantas vezes. A camarada quer que lhe façamos o favor de a internar?
- Sim, camarada, estou com uma depressão estilista.
- Camarada, desagrada-lhe algo na sua farda popular?
- Sim, camarada, a minha é mais popular que a sua, gostaria de algo mais estilizado.
Depois de se ter resolvido a questão, curou-se a camarada com a depressão estilista. A camarada superior promoveu-a a camarada um nadinha superior, mas uma nadinha inferior, a si.

Contudo, para além da genialidade da farpela igualitária, os camaradas chineses tem um ligeiro problema, gostam de se matar.
E, apesar de, aparentemente, já não andarem vestidos da mesma forma - a camarada com a depressão estilista já manda no partido, mas sem ninguém saber - continuam a ter o péssimo hábito de ser honrados.

É certo que o advento do capitalismo recauchutou algumas ideias comunistas.
Agora o camarada do partido não se deixa corromper pelo capitalismo, trata sim de tornar a nação o quinquagésimo Império. O camarada Mao deve pular de contente. Nunca, como agora, se viu tanto Chinês, nunca, como agora, se ouviu tanto potencializar a China.

O capitalista chegou à China e tratou de se adaptar.
O comunismo chegou perto do capitalista e também se adaptou.
Se McCarthy tivesse tido oportunidade de observar o casamento pacífico entre dois temperamentos, aparentemente incompatíveis, também se teria convencido e adaptado.
Tinham-se poupado comissões, ralações e carreiras de cineastas.

O filme peca, no entanto, por um argumento demasiado previsível.
O forasteiro chega à cidade, alguns mauzões irão fazer-lhe a vida negra, mas, depois de ultrapassar várias tempestades, conseguirá convencer a cidade. Afinal apenas pretende lucrar com a sua "bondade" e com a dos outros. A "bondade" dos outros é tanta que se digna a trabalhar para a sua "bondade" por uns míseros tostões e, se preciso for, até a "bondade" dos filhos se instala convencida da "bondade" do forasteiro. Durante anos a "bondade" do senhor criará riqueza e uma vida melhor para as "bondades" da região. Sugando todas as "bondades" possíveis e imaginárias, até as ambientais. E quando o país ao lado, depois de observar e invejar a prosperidade da "bondade" alheia - e de ter gostado de "snifar" os dejectos da "bondade" limítrofe - lhe acenar com os benefícios das suas "bondades", também verdadeiramente atraentes, o forasteiro não hesitará, ele veio ao mundo para satisfazer novas "bondades". Num ápice, torna-se, para uns, um usurpador de "bondades" alheias e, para outros, um benfeitor de "bondades" potenciais. No fim serão uns felizes e outros infelizes. Mas o herói continuará perseverante e perseguirá sempre o seu objectivo: satisfazer "bondades".

Vejamos bem a questão, o mundo precisa de capitalistas. E qualquer um de nós não lhe menosprezaria a profissão. A "bondade" precisa do capitalista para comprar os seus produtos, e, em troca, terá que lhe dar alguma coisa, a sua "bondade".

Os músicos rock, pop, ..., vendem o seu talento à indústria e, em troca, recebem alguns milhões, o que não é nada malfeitor.

Se entretanto se resolvem matar, experimentar tudo e encher as suas vidas demasiado preenchidas de alguma coisa, é porque não aprenderam nada de jeito e nunca pensaram suficientemente. Andaram na escola, mas não lhes valeu de nada. Apesar de, a maior parte deles, também não precisar da escola para nada, afinal nasceram com um talento e tratam de viver a sua vida à custa de.

Quem não tem talento nenhum, possivelmente andará na escola para aprender, e percebe que alguém que pretende "sugar" o tutano de um capitalista, terá de se lhe impor. E "produzir" uma relação puramente estratégica e economicista.

Trata de, aparentemente, lhe fazer a vontade, mas governando a sua vidinha. Trata de, aparentemente, ser uma estrela rock ligeiramente deprimida, ligeiramente fatal, e ligeiramente bizarra, mas com a balança sempre muito equilibrada. E, lei das leis, trata de juntar os trapinhos com alguém decente, e, de preferência, que não pertença ao meio e nem tenha muitas dúvidas existenciais. Uma espécie de lucidez brutal sobre a "bondade" alheia.

Para uma pessoa comum, como eu, sem talento que valha milhões, o desperdício de uma vida em troca de uma substância de faz de conta, dá um raio de uma imensa dor de corno.

Ele havia tanta coisa, pessoalmente gratificante e saudável, a fazer com tais milhões.

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quarta-feira, setembro 12, 2007

E de energúmeno

Um telefonema pela hora de jantar. Muito conveniente. Do outro lado uma voz feminina anunciava que o meu pai tinha assinado um cupão, imagine-se, e que, pasme-se, tinha sido premiado com uma viagem. Boa! Uma viagem! Que surpresas boas a vida nos reserva… Dezembro de 2006 era a data anunciada da assinatura do meu pai. Muito bem. A minha mãe questionou irónica E tem a certeza que é essa a data? Positivo, sem mais hesitações, Com a assinatura do meu marido? Com certeza e, de seguida, o nome do meu pai tal como constara na lista telefónica. Curioso. A minha mãe informou assertiva que visto o meu pai ter morrido –detesto o eufemismo falecer – a assinatura seria - como dizer?- impossível. Do outro lado, a voz não se deu por vencida, pediu um segundo e quando regressou tinha outra informação, afinal o meu pai tinha assinado o cupão em Dezembro de 2005 e aqui toca a sineta dos concursos quando se dá a resposta errada, nada feito, tentem outra vez, vão recuando no tempo ano a ano, quem sabe não acertarão. A minha mãe acrescentou que tal seria impossível mais uma vez e isto não porque o meu pai não soubesse assinar o nome mas porque o meu querido pai nos deixara em Setembro de 2005, ter-lhes-á aplicado um ou outro adjectivo qualificativo do trabalho que desempenhavam, entretanto. Lamentam e tal, mas não quereria o prémio? E agora aqui estou com o dicionário de sinónimos na mão, que num mundo tão virtuoso e civilizado chamar nomes a alguém é uma falta grave e feia, mesmo quando se utilizam técnicas de vendas ofensivas, aviltantes, imperdoáveis e desprovidas de qualquer sensibilidade e respeito, quando ao se ouvir uma voz menos jovem do outro lado da linha se insiste que o marido assinou um cupão de viagem três meses depois de morto, portanto procuro em e de energúmeno mas nenhum dos sinónimos encontrados consegue exprimir com a expressividade devida a atitude descrita.
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do capitalismo

Não tenho nada contra o capitalismo.
Aliás, era profissão que eu não menosprezaria.
Um capitalista viaja em carros interessantes, acima de tudo confortáveis; compra um camarote no São Carlos e oferece bilhetes a amigos desinteressados em negócios; viaja sempre em hotéis 5 estrelas; gasta algumas centenas de euros por dia em despesas de representação, a empresa precisa sempre de embaixadores notáveis; paga alguns euros por novos relatórios para implementação de um novo aeroporto e, acima de tudo, reconhece a legitimidade da "realidade".
Um capitalista, verdadeiro, olha para "a realidade" e magica fenómenos magistrais de ganhar milhões de euros com "a realidade" a quem paga apenas euros.

Ao longo da história da humanidade a instituição que inventou o capitalismo, antes de ele existir, foi a Igreja.
A Igreja é um capitalista que vende o seu produto "à realidade" mas com palavras enternecedoras:

ah e o sentido da vida!?

O sentido da vida, apoiado em palavras bentas, abriu sucursais, os actuais franchising, um pouco por todo o mundo, globalizando alguns valores, acoplados a parcos interesses económicos.

Não poderemos, nunca, acusar a Igreja de pretender lucrar com alguma coisa. Só anda nisto por amor à camisola e por pura caridade, como aliás alguns ex-capitalistas reformados, acabadinhos de chegar a uma ONG perto de si.

O capitalista está sempre com os olhos abertos "à realidade" e, perante nichos de mercado, não hesita.

Daí que tenha regurgitado todas as estrelas rebeldes do rock.

Por isso, ficarei sempre muito comovida com entrevistas a ex-administradores de empresas capitalistas em decadência, que um dia se instalaram, definitivamente, nos seus gabinetes com vista para o rio, cadeiras de pele e secretárias de madeira baratíssima, enchendo o ego, diariamente, com os milhões venturosos dos Elvis, Morrisons, Joplins, Cobains e futuros candidatos Whinehouses e Dohertys, semicerrando as pupilas (ouve o barulho quezilento da caixa registadora?) e magicando: qual será à próxima ex-estrela rock e, de preferência, defunta?

O grave problema de um capitalista é ser humano. Um dos pecados capitais, mais usuais, deste tipo de animal, invade-o e, por vezes, aliena-o da "realidade".

Durante o período de alienação, do capitalista instalado, há uma rapaziada "real", aspirantes a novas categorias sociais, graças à bendita e irreverente mobilidade social, que inventam formas de "a realidade" aceder a tal produto, gratuitamente.

E, lástima das lástimas, o administrador da editora, sediada algures no planeta terra, de repente no desemprego. E a editora a deixar de facturar milhões porque uns malvados capitalistas andam a ganhar dinheiro à custa dos direitos de autor.

Já viram como as editoras, de repente, se passaram a preocupar, imenso, com os direitos de autor?

Eu que sou uma capitalista em potência, mas com os olhos sempre fechados ao mercado, compreendo, como ninguém, a comiseração destes ex-administradores.

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