quinta-feira, maio 03, 2007

Vidas com música

Admito. Não foi de imediato que caí de amores por Havana. Cedendo há uns bons anos a mais um destino da moda, terei assim entrado no penúltimo ano do milénio, algures entre a chuva e o sol de Varadero. Frente fria, diziam eles. Muito pouco para quem aprecia mais que sol, céu límpido e águas cristalinas e não encontra em paraísos semelhantes, reservas de turistas rosados como leitõezinhos, o encanto pleno e compensação para as lentas, arrastadas, monótonas, insípidas e longas horas de avião na travessia do Atlântico. Em Havana apenas umas duas noites, um dia de clausura no hotel com algo que os cubanos apelidaram de catarro, muito pouco tempo, portanto, para deixar a cidade entrar em mim. Regressei resignada. Foi, pois, numa sessão da tarde numa sala tranquila de cinema que me reencontrei com o que havia perdido naqueles três dias a que os turistas estão condenados na sua condição. E, a sós na sala pequena com a tela que se abria como uma janela, entrei finalmente em Havana.
A história que conta Buena Vista Social Club é simples e conhecida. E que história contam os documentários, de resto? Vidas com música apagadas por um tempo passado e que lentamente se reencontram pela mão de Ry Cooder e a mestria de Wim Wenders. Os músicos outrora ilustres regressam do nevoeiro do esquecimento para encantar o mundo e cimentar o legado da música cubana. E, porque de um documentário se trata, ao contrário de Antes que anoiteça, a título de exemplo, o tempo é de recolhimento e de fruição da melodia, das vozes, dos sorrisos, da cor e do ritmo compassado da cidade decadente, nostálgica e surpreendentemente sedutora, do mar batendo no Malecón, sem juízos ou recriminações. Sentir primeiro. Buena Vista Social Club é uma viagem a uma das Havanas possíveis pela mão titubeante daquele grupo de músicos e uma viagem que os músicos encetam pela mão da sua própria música mundo fora com Ry Cooder e Wim Wenders a seu lado.

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6 Comments:

Blogger NancyB said...

Ainda não vi e é daqueles documentários q não me importarei de comprar um dia destes na Fnac. Tenho imensa curiosidade em conhecer Havana, aliás curiosidade compartilhada por quase toda a América Latina e q a visualização de "Cadernos de Che Guevara" aguçou.

quinta-feira, maio 03, 2007 2:13:00 da tarde  
Blogger Leonor Barros said...

Estás a falar do filme de "Diários de Che Guevara" de Walter Salles?

quinta-feira, maio 03, 2007 3:07:00 da tarde  
Blogger NancyB said...

Sim Leonor, estou a falar do filme do Walter Salles.

quinta-feira, maio 03, 2007 4:03:00 da tarde  
Blogger cristina said...

Eu vi, eu vi! :)

Num enquadramento diferente, ao ar livre, numa das sessões do "Cinema Fora de Sítio" de há uns tempos...

Fiquei a conhecer toda aquela de quem eu já devia ter ouvido falar, mas... Mais vale tarde que nunca! :)

quinta-feira, maio 03, 2007 10:08:00 da tarde  
Blogger Carlos Malmoro said...

Pode ser que um dia mude de opinião, mas por enquanto ainda continuo sem «cair de amores» por Havana ou pela a cultura cubana. Teremos de rever isso ;)

sexta-feira, maio 04, 2007 12:27:00 da manhã  
Blogger Leonor Barros said...

O amor não se explica ;-)

sexta-feira, maio 04, 2007 8:56:00 da manhã  

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